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Sílvia Padinha (Ilha da Culatra)

Sílvia Padinha (Ilha da Culatra)
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05-05-2015 - 15:51
Há muito tempo que sabíamos que, contatar com Sílvia Padinha seria uma oportunidade única para conhecer mais de perto uma realidade por muitos desconhecida e até incompreendida. E o momento chegou. Tivemos o privilégio de perceber como a luta e a sensibilidade se misturam num conhecimento genuíno e grandioso em simultâneo.
 
Pedimos à Presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra para nos falar sobre si e, rapidamente percebemos que tal missão só seria possível se incluíssemos o percurso de uma família, a vida de uma comunidade e a força para defender uma identidade, pois falar de Sílvia Padinha é recuar a Fevereiro de 1966, aquando ocorreu o seu nascimento. Foi nessa data que, “chegou” à Ilha da Culatra uma menina que não teve tempo para chegar ao mundo num hospital. Tal era a distância a percorrer de barco entre a Ilha e a cidade de Olhão e com condições atmosféricas adversas, próprias do Inverno.
 
Se para muitos esse facto poderia constituir um drama, para esta família não passou de uma consequência de viver num local distante de quase tudo, mas onde “tudo se ia resolvendo ao sabor da força interior e da fé”.
 
Estas foram as bases de Sílvia Padinha até ao dia em que percebeu que “queria mais, muito mais para si, para a sua família e para a sua comunidade”.
 
Cresceu como tantas outras crianças a sentir as dificuldades de ter de se levantar cedo para ajudar os pais na vida marítima e a ter de conciliar a escola com essa tarefa fundamental para o sustento da família. Era normal na ilha que, desde cedo, os mais novos trabalhassem naquilo que era seu e que no fundo, lhes dava tanta responsabilidade para o futuro, mas Sílvia Padinha sabia que queria estudar, que queria realizar mais sonhos e levar a sua família a acreditar num futuro diferente.
 
Terminada a telescola, sabia que teria de fazer uma opção: ou ir estudar para Olhão e ter de lá residir devido à incompatibilidade de horários nas carreiras dos barcos, ou permanecer com o 6º ano de escolaridade.
 
Em 1980, quando casou e foi mãe, decidiu mesmo que os estudos teriam de passar pela sua vida e rumou à cidade que até então, funcionava como “o suporte” para tudo o que faltava na ilha.
 
“Se nunca tivesse feito esta opção, provavelmente não saberia a importância de idealizar melhores condições de vida a quem vive longe do progresso, da confusão citadina, mas também afastado de bens essenciais”.
 
Quando concluiu o 12º ano no curso de contabilidade em Olhão, Sílvia Padinha sabia que era na Culatra que queria desenvolver a sua vida e até transportar aquilo que tinha aprendido aos que necessitavam de mais conhecimento e força para lutar pelos seus direitos.
 
Apta para ministrar alfabetização, começou por ensinar os pais a ler e a escrever e, aos poucos, foi com orgulho que fez chegar esse privilégio a todos quantos desejassem assinar o seu nome e “estar mais por dentro” da escrita e da leitura. “Foi uma emoção enorme perceber que um pequeno gesto pode fazer uma diferença tão grande na vida e na forma de pensar das pessoas e, ao mesmo tempo, percebi que, o meu conhecimento poderia traduzir-se na luta de uma comunidade esquecida pelo poder e que precisava de ter voz para fazer chegar as suas reivindicações”.
 
Aos poucos a luta da comunidade foi ganhando forma, mas a muito custo.
 
Pode dizer-se que, “o 25 de Abril na Culatra aconteceu no Verão de 1987, a 19 de Julho, quando se realizaram eleições legislativas, que seriam ganhas pelo PSD. Aníbal Cavaco Silva seria eleito primeiro-ministro. A Culatra não votou. Aquela união das pessoas impressionou-me. Vinha de se sentirem ameaçados. Os planos de preservação da natureza da ria contemplavam retirar todas as casas e todas as famílias de pescadores da Culatra. Foi só depois dessa primeira luta, que era pela sobrevivência, que os moradores começaram a reinvindicar todos os outros direitos que lhes faltavam.”
 
Nessa altura, Sílvia Padinha sabia que, os direitos da comunidade teriam de ser uma conquista conjunta, pois “quem vive num local isolado e ligado a uma comunidade sabe que as conquistas são para todos, tal como os fracassos prejudicam toda a gente”.
 
Consciente desta realidade, seria fundamental que todos se envolvessem nos problemas e na procura de soluções, pelo que, não é por acaso que, falar na Ilha da Culatra é ter presente um conjunto de 400 famílias que vivem diretamente da atividade piscatória, que conhecem a ria como ninguém e que são capazes de explicar a quem quer que seja, a importância de preservar a natureza e de respeitar as espécies lá existentes.
 
É nessa base que, a porta-voz dos moradores da Ilha da Culatra sabe afirmar a importância de preservar a maior área de criação de bivalves da nossa região e o perigo que é pensar nas questões ambientais “sem incluir a poluição que afeta diariamente toda a vida que aqui se processa”.
 
Batalha após batalha, Sílvia Padinha congratula-se com as conquistas da comunidade. “Temos água canalizada depois de muito tempo reivindicada. Substituímos a luz do candeeiro a petróleo pela eletricidade, o que passa muito para além de acender uma lâmpada, já que nos facilita a vida em tudo o que esta conquista nos possa permitir. Temos uma extensão do centro de saúde e da junta de freguesia. Temos creche, escola e apoio aos idosos. Conquistamos a pulso, a construção do heliporto que aproxima as pessoas dos cuidados de saúde, mas ainda falta tanta coisa…”
 
Com as demolições na Ria Formosa como “pano de fundo”, Sílvia Padinha tem erguido mais uma vez a bandeira da luta pelos interesses da comunidade onde está integrada e que representa. “Há muitos anos que andamos neste processo; neste ‘jogo do empurra’. Agora é a vez da Sociedade Polis querer cortar o mal pela raiz quase que esquecendo que estas pessoas têm raízes muito profundas nos locais e que não é a demolição que vai curar todos os males”.
 
Para a Presidente da Associação de Moradores da Ilha da Culatra, “mais importante que demolir, é despoluir. Esse é o principal problema da Ria e o que deveria ser o centro das preocupações ambientais. Todos sabemos que existem esgotos a céu aberto na Ria que é Formosa e que assim deve permanecer. Custa-me saber que existem 87 milhões de euros destinados às demolições que seriam a base para requalificar e melhorar toda uma área que precisa urgentemente dessa intervenção. Começou-se pelas casas, mas o problema está no mar”.
 
Aos 49 anos de idade, Sílvia Padinha continua firme na sua luta e na convicção de que é possível fazer chegar as preocupações dos moradores das ilhas aos centros de decisão, razão pela qual “não baixamos os braços e pedimos diálogo. Pedimos que se discutam as melhores soluções para um espaço que é de todos e que é a forma de sustento de centenas de famílias. Pedimos que os envolvidos, que os órgãos de poder se sentem à mesa e que, em conjunto, se trace um novo destino numa Ria que se quer de paz, tranquilidade, lazer e que não pode andar ao sabor deste tipo de sobressaltos e decisões pouco direcionadas aos reais problemas”.
 
Com um percurso marcado pela esperança, pela determinação e pela procura do conhecimento, esta mulher consegue afirmar a luta numa singular capacidade de expressão. 
 
Estudou na Universidade do Algarve, ultrapassou as barreiras que a vida lhe tem colocado pela frente, mas olhar para Sílvia Padinha e para a sua experiência de vida, é reconhecer que, foi mesmo de pequenina que se traçou o destino de uma “guerreira”, de uma mulher que consegue sonhar como uma criança e que tem a força de uma juventude inacabada e desperta para mais vitórias e conquistas.
 
 
 
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