siga-nos | seja fã
PUB
 

Sérgio Fernandes (Moncarapacho)

Imprimir Partilhar por email
21-03-2015 - 13:57
Sérgio Fernandes, começou a ajudar o pai desde os tempos do ensino primário.
 
Albardeiro de profissão, José Caetano Fernandes, deu o mote para uma profissão que, no seu tempo, era muito rentável e reconhecida e que acabou por envolver a família. A mulher dedicava-se a bordar e a ornamentar os trabalhos realizados pelo marido e, no tempo de maior procura, a casa Fernandes e Fernandes tinha quatro e por vezes, cinco empregados para ajudarem na confeção  manual dos trabalhos.
 
O filho, Sérgio Fernandes, começou a ajudar o pai desde os tempos do ensino primário. “Saía da escola e vinha ajudar o meu pai. Como não tinha ainda robustez física para o trabalho que ele realizava enquanto albardeiro, comecei a trabalhar peças mais pequenas em pele e, acabei por seguir essa profissão de corrieiro”.
 
Em conjunto, acabavam por dar resposta às solicitações dos clientes e desenvolver um trabalho muito apreciado quer por nacionais, quer por estrangeiros.
 
José Fernandes recorda com saudade os tempos em que era apelidado pelo  albardeiro de Moncarapacho e em que recebia clientes de vários pontos do país interessadas em adquirir as suas peças. “Para mim, ainda hoje são verdadeiras peças de arte que confecionava com muito carinho e dedicação. Eu conhecia bem os clientes e eles sempre souberam que lhes vendia um produto de qualidade e que durava anos…”
 
Com a vantagem de também fazer a manutenção das peças vendidas, o albardeiro ganhava credibilidade e reconhecimento. “Era uma relação de proximidade com os clientes. Quando tinham um problema, sabiam que os ajudava a resolver”.
 
Compreendende a realidade atual, mas inconformado com o declínio que a sua atividade tem conhecido devido à substituição dos animais no trabalho agrícola e como meio de transporte, José Fernandes não acredita no futuro da profissão. “Isto está tudo em extinção, pois já hoje não dá para as despesas. Hoje fazemos alguns mercados aqui no Algarve e, não podemos fazer deslocações maiores senão temos prejuízo. Ainda conseguimos manter a porta aberta porque somos uma empresa familiar e porque não fazemos muitas contas, mas não sei por quanto tempo”.
 
A executar alguns “cabrestos” para vender por encomenda, Sérgio Fernandes diz lamentar “a concorrência com os trabalhos vindos de Espanha que, sendo mais baratos, são de menor qualidade, sem esquecer que o efeito não é o mesmo de um trabalho artesanal que esteticamente é mais bonito e duradouro”.
 
Aos 79 anos, o patriarca confessa-se desiludido com a queda na procura, uma vez que, “tudo mudou. Nos meus tempos de jovem, quando comecei a profissão de albardeiro, as pessoas deslocavam-se de burro, de cavalo, de mula, pelo que, o nosso trabalho artesanal era muito apreciado e valorizado, tanto no Algarve como no Alentejo. Fazíamos mercados e feiras em vários pontos do país e não dávamos resposta às encomendas.”
 
Recordando os tempos de grande afluência, José Fernandes confidenciou ao Algarve Primeiro que, “há vinte anos atrás, eu fazia uma peça e, em poucas horas, estava vendida. Os fregueses tinham de esperar duas ou três semanas para poderem adquirir uma albarda ou molins”.
 
Com a mudança dos tempos, o negócio está entregue ao filho, Sérgio Fernandes que, aos 49 anos, já contabiliza mais de trinta de dedicação à confeção de “cabrestos”, açaimes e outros artigos de couro que servem para apetrechar os animais.
 
Com a casa ainda composta com as albardas que faziam deslocar clientes ao seu estabelecimento, são as peças de couro as mais procuradas nos dias de hoje. “Os demais artigos tem pouca saída, ainda que tenhamos cavaleiros e, os poucos que ainda trabalham no campo, mas não se assemelha a outros tempos”.
 
Esta é a mensagem de quem renova diariamente a coragem para enfrentar um negócio que pouco mais alimenta que os sonhos e o brio de alguns clientes mais exigentes em apresentar um animal elegantemente equipado.
 
 
COMENTÁRIOS
 
MAIS NOTÍCIAS
-

Manuela Sabino



-

Patrícia Amado



-

Celeste Martins (Moncarapacho)



-

Mário Centeno



-

António João Eusébio (Moncarapacho)



PUB
 
PUB
 
ÁREA CLIENTES
Allô Pizza
Os apreciadores da verdadeira pizza italiana conhecem a casa, local agradável, bom ambiente e boa-disposição.
ver mais
 
Escola de Condução C.C.S
Escola de Condução para Motociclos e Veículos Ligeiros.
ver mais
 
Loja das Taças
Se és campeão a loja das Taças põe-te o Troféu na mão
ver mais
 
 
 
NOTÍCIA MAIS LIDA DO MOMENTO
FARO:Passados treze anos, Largo das Mouras Velhas está requalificado

FARO:Passados treze anos, Largo das Mouras Velhas está requalificado

ver mais
 
 
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Este sábado Cavaco Silva e Guilherme D’Oliveira Martins vão estar aqui

Este sábado Cavaco Silva e Guilherme D’Oliveira Martins vão estar aqui

ver mais
 
Portimão assume que quer ser Cidade Europeia do Desporto em 2019

Portimão assume que quer ser Cidade Europeia do Desporto em 2019

ver mais
 
TAVIRA:Advogado detido por burla proibido de contactar com lesados

TAVIRA:Advogado detido por burla proibido de contactar com lesados

ver mais
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Fichas de Leitura» Desporto» Click Saúde
» Economia» Figuras da nossa Terra» Política» CX de Correio