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“Se ele me bate, é porque me ama”

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01-04-2014 - 18:40
Apesar das muitas campanhas e de se falar cada vez mais no assunto, parece que o drama da violência doméstica continua a ganhar expressão na nossa sociedade e, cada vez mais cedo.
 
Em primeiro lugar, é fundamental ter em conta que, a dignidade humana não pode aceitar, de forma alguma, qualquer tipo de violência e, como tal, homens e mulheres devem ter bem presente este requisito de vida.
 
Quando se inicia um relacionamento, não se pode partir da base de que, o mesmo será para a vida, que aquela pessoa é a única que existe à face da Terra e que, se a perdermos, ficaremos completamente isolados e sem soluções possíveis de vida.
 
Uma relação saudável tem de partir do pressuposto de que duas pessoas se vão conhecendo e descobrindo no tempo, que não existem pressões para uma vida conjunta, muito menos, um compromisso para a vida.
 
Se no passado o amor era eterno e dava lugar a um conjunto de sofrimentos, no tempo actual, existem diversas modalidades que passam pelo namoro, por uma relação em que cada um vive na sua casa, na união de facto e no casamento, pelo que, a decisão deve sempre ser muito bem ponderada para evitar entrar em esquemas difíceis de cortar. 
 
No entanto, afirma como se assume o relacionamento, é o que menos pesa quando de violência doméstica se trata, já que, o principal problema reside nas mentalidades: no aceitar ou no rejeitar qualquer forma de agressão, pois um papel que se assina ou não, não define o bom funcionamento conjugal, muito menos o tipo de vida conjunta que queremos desenvolver com outra pessoa. 
 
Esse desejo tem de partir de cada pessoa antes mesmo de iniciar um namoro, pois se idealizamos um relacionamento estável e onde a violência de qualquer forma não pode existir, aos primeiros sinais, temos de recuar com todas as nossas forças e não dar espaço a que a agressão se concretize. Depois, é preciso ter em conta que, existem diversas formas de agressão que não só a física. 
 
Emocionalmente muitos parceiros ficam desgastados, bem como sofrem problemas ao nível da dependência que, talvez seja o mais grave e aquele que impede uma acção e um corte no futuro.
 
Cada pessoa tem de se sentir livre na relação, tem de se permitir alimentar a auto-estima e o seu bem-estar,; gostar de si para depois poder projectar algo no outro.
 
Um requisito importante é encarar o amor como sendo a capacidade de dar ao outro aquilo que nos transborda e não aquilo de que necessitamos para viver.
 
Ficticiamente será a imagem de um copo cheio que nos faz falta para viver e, o que resta desse recipiente, será a capacidade de entrega, os sentimentos e a convivência, sabendo que, por vezes, o copo fica um pouco abaixo do nível desejado, mas que é imperioso procurar o equilíbrio para que tudo se restabeleça.
 
Ninguém pode dar aquilo que não tem para si mesmo, talvez por isso, muitos parceiros entrem em relações muito complicadas de dependência para tudo, até para saber se merecem estar vivos.
 
Efectivamente, é deste tido de vítimas que os agressores gostam, já que reúnem todas as condições para ser agredidas, para se manter em silencia e para não procurarem qualquer tipo de solução. Depois a degradação humana é de tal ordem, que se torna quase impossível que, uma vítima que se encaixe neste padrão, consiga sair sem ajuda, sem sofrimento e sem uma mudança profunda.
 
Recorde-se que, este tipo de relação envolve uma violência psicológica superior à física, a ponto de, a vítima não conseguir vislumbrar outra vida que não aquela. Perdeu a lucidez e a capacidade de fazer frente ao agressor e de procurar uma vida digna, pois já comprometeu a dignidade.
 
A este facto, acrescenta-se a vergonha da separação, o medo das dificuldades económicas, a crítica dos filhos e tantos problemas que acabam por alimentar uma vida sem sentido e baseada em sofrimento. A vítima habitua-se ao seu próprio silencia, lamento e tristeza e não consegue acreditar que exista vida para além daquelas quatro paredes e de uma violência atroz.
 
Na maioria dos casos, as vítimas tiveram uma formação pessoal débil; foram maltratadas pelos pais, não desenvolveram auto-estima, muito menos tiveram oportunidade de construir e de alimentar sonhos e de criar uma atitude corajosa face a vida. De serem capazes de dizer a si mesmas que, não aceitam uma repetição da vida que os pais lhe ofereceram, quando esse é o ponto de partida.
 
Ninguém está condenado ao sofrimento só porque nasceu na família menos correcta; num lar que não tinha condições morais para ter uma criança, pelo que o sentido de luta ainda deve ser mais validado. Uma criança que nasce pobre, pode vencer na vida como qualquer outra, é preciso é que aproveite a sua inteligência e personalidade.
 
O mesmo se passa em relação à agressão. Quem é agredido, não tem forçosamente de agredir para se vingar ou para se sentir mais feliz, mas sim procurar ajuda para tratar os traumas e seguir em frente.
 
Habituamo-nos a desculpabilizar tudo e todos e a não termos coragem de nos desculpar e de seguir um novo rumo!
 
É comum a mulher aceitar que o homem lhe bata porque cresceu nesse ambiente, porque bebe e porque é infeliz. E a mulher aguenta porque o ama? E o seu amor-próprio não lhe diz que também teve um percurso difícil e que merece ser encara como uma pessoa digna e respeitada? E não se respeita a si mesma aceitando que a agridam de qualquer forma?
 
Talvez ainda nos falte compreender que, antes de amar alguém, temos de nos amar a nós mesmos, pois só assim poderemos cortar com este enraizado de pensamentos que não melhoram a condição humana gerações após gerações.
 
Mesmo que não haja força para lutar em algumas situações, os nossos filhos são sempre uma preciosa fonte de inspiração; a força para sair de um buraco e procurar a claridade; um novo rumo.
 
Ao mesmo tempo, é preciso ter em conta que, quem ama cuida; jamais agride!
 
Todas as mulheres vítimas de violência sabem que os maridos não as amam e que as agridem porque elas deixam, pois não têm coragem para colocar m ponto final na vida degradada que têm, mas projectam a pena no agressor e acabam por justificar tudo porque “ele não tem ninguém, é um desgraçado sem mim”. 
 
Estas mulheres são agredidas porque têm pena de si mesmas e dizem que é deles. Porque não conseguem encontrar soluções e, na maior parte dos casos, têm-nas mesmo em frente ao seu olhar, mas não têm força interior para começar a viver. Claro que, mais cedo ou mais tardem estas mulheres acabam por perder a vida que deixaram roubar no tempo. Não lutaram pela vida, não construíram sonhos, não alimentaram desejos e não quebraram um ciclo e, são manchete nos jornais pelos piores motivos…
 
Tudo tem de começar dentro de nós. Não aceitar qualquer tipo de violência, muito menos de dependência. Qual tal acontece, temos a obrigação de pedir ajuda, pois algo está a dar sinais de que não está bem. 
 
O ser humano não nasceu para depender, mesmo que não tenha emprego e que o dinheiro seja ganho apenas por um, o outro tem de fazer valer o seu valor, a sua qualidade e aquilo que merece. O dinheiro não paga os maus-tratos, a vida, muito menos a resignação!
 
Uma mulher não tem de trabalhar fora de casa para se proteger da violência do marido e vice-versa. Existem inúmeras formas de valorização e de ganhar algum dinheiro. 
 
O tempo que se perde a alimentar a dor e o sofrimento, deve transformar-se em luta. Fazer trabalhos em casa que possam gerar alguma receita e a possibilidade de conviver com outras pessoas, de encontrar novas saídas.
 
A crise também não pode desculpa para aceitar qualquer tipo de violência, pois sempre houve dificuldades e ideias para as superar!
 
O primeiro passo é cada pessoa aceitar e assumir que gosta de si mesma e que vai lutar para se sentir realizada e capaz de amar e de ser amada!
 
Os ditos do passado, “passaram à História” quando percebemos que se viram contra a nossa felicidade e bem-estar a todos os níveis!
 
Muito mais do que ler e sufocar a dor, é preciso ler, aprender e agir; reagir e não permitir que um ciclo negativo se arraste.
 
“Sempre que se fecha uma porta, abre-se uma janela” – porque não seguir esta orientação?
 
 
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