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Portugueses são pouco verdadeiros

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17-08-2013 - 22:36
Tendo por base mais um estudo que visa compreender as características do nosso povo, verifica-se que, os portugueses para além de invejosos, desconfiados e inseguros, são pouco verdadeiros.
 
Para separar “as águas” abordaremos a inveja noutro artigo específico, pelo que agora desenvolveremos este problema da verdade e da desconfiança. 
 
O estudo divulgou que os portugueses em regra, não respondem a verdade quando são inquiridos, seja nas sondagens, seja na pergunta directa, nas relações familiares, profissionais ou de amizade, pelo que, tendo por base este apontamento, é difícil estabelecer uma relação baseada na confiança e nos sentimentos sinceros numa boa parte das pessoas. 
 
Apesar do estudo só revelar os resultados e não as causas, faz sentido compreender o motivo pelo qual o nosso povo se posiciona na 4ª posição no que se refere aos povos mais desconfiados. 
 
Acima de nós só estão 3 países de Leste provavelmente por motivos óbvios, na medida em que os traços culturais assim o determinam. Mas e no caso português, porque razão somos tão desconfiados e hábeis para fugir da verdade? 
 
Tudo começa na passagem geracional em que, séculos após séculos se foram conhecendo as características do povo lusitano e a rotulá-lo como “desembaraçado”, “capaz de tudo” para alcançar os seus objectivos” e “vigarista”. 
 
Se os pais desconfiavam de tudo e de todos, filhos e netos passaram a ser alvo de desconfiança também chegando-se ao ponto de se entrar numa enorme bola de neve em que ninguém confia em ninguém, mesmo sem motivo, mas sim por uma forma de estar na vida. 
 
Esta passagem de valores que parece ter orgulhado famílias, pois desconfiar era sinónimo de não ser enganado, virou-se fatalmente contra quem esconde a verdade, pois quem não confia não é de confiança, quem duvida não diz a verdade e, quem mente esconde o que pretende e… o círculo vicioso começa sem dar tréguas aos sentimentos e sem permitir que as relações humanas ganhem algum colorido e interesse. 
 
Convenhamos que, quem desconfia sabe que lhe podem mentir e, naturalmente mente para que não se sinta em inferioridade, logo quem desconfia não diz a verdade e, sendo alvo de desconfiança, mais cedo ou mais tarde, acaba por esconder também a sua verdade pelo medo de ser rejeitado ou colocado em causa. 
 
É curioso analisar como os portugueses se posicionam em estudos de opinião, uma vez que, “é de bom-tom responder o que os outros querem ouvir”, pelo que a artificialidade está acima de qualquer verdade. 
 
Neste contexto, é preferível dizer uma boa mentira e ser aceite a chocar os outros com a verdade e com a nossa opinião! Esta é a postura face a temas tabu como por exemplo sexo, divórcio, cor política ou outro assunto que demonstre com clareza a posição de alguém. 
 
Claro que raras vezes se diz o que se pensa ou sente, tal como se desconfia das posições dos demais, o que se compreende, pois quem não diz a verdade, não acredita que outros o façam. 
 
É comum passear um jornal semanal debaixo do braço mesmo que não se leia ou que o mesmo só sirva para forrar o balde do lixo, ou exibir uma estante cheia de livros que nunca se leram em casa, tudo porque fica bem mostrar que se lê economia, política, saúde ou finanças e que não se perde tempo com mexericos ou temas que não interessam a ninguém nem fazem pessoas intelectualmente desenvolvidas, mas a realidade desvenda que a fofoca e o sexo são os assuntos mais vendidos no nosso país! 
 
E assim se processa o jogo das mentiras que ninguém quer confessar e dos esconderijos para manter a desconfiança que até é chique! Sim confiar está fora de moda quando é popular mentir e desconfiar dos outros, pois “só os outros mentem e escondem os seus hábitos secretos”! 
 
É neste conjunto de “inverdades” que muitas pessoas acarretam a sua vida sempre acreditando que, os ingénuos não percebem a sua falsidade ou desonestidade, o que muitas vezes se arrasta durante muito tempo, mas como nada é eterno, este estudo vem “colocar a nu” o que se passa em muitas mentalidades que se dizem sinceras e muito modernas e que, no fundo, mais não são do que uma reprodução dos padrões antigos. 
 
Não é mesmo por acaso que se fala numa crise de valores no nosso país, pois com tanto progresso em nosso redor, continuamos a manter “capas” de personalidade sem qualquer sentido e a fazer de conta que se gosta de algo novo quando é o passado que alimenta conversas e preconceitos. 
 
Talvez não seja por acaso que, se desconfia das notícias, das opiniões, do trabalho, dos sentimentos e das atitudes, pois quem nunca sentiu na pele a célebre frase: “estás a beijar-me… o que será que queres”? 
 
Logicamente que é importante duvidar quando existe um motivo, mas em série, está provado que não é uma boa opção. Vejamos que, naturalmente nascemos e desenvolvemo-nos a desafiar os adultos e a dizer algumas mentiras para nos sentirmos mais crescidos. 
 
Se os pais nos colocam de castigo por um pequena mentira, aos poucos teremos imaginação para aplicar mais e mais histórias irreais, mas se pelo contrário, os pais são capazes de fazer o mais complexo que é fazer que acreditam, algum tempo depois os filhos vão confessar a verdade. 
 
Quer isto dizer que devemos educar e estar despertos para a verdade mesmo que a factura seja elevada, pois essa é a maior garantia de que somos livres e felizes, já que não há maior prisão do que aquela que vivemos dentro de nós mesmos e o sufoco de não poder falar do que se pensa e sente… 
 
Educar para a verdade é saber que a mentira existe, mas que muitas pessoas vão acabar por nos dizer a verdade, pois se partirmos do pressuposto de que todos mentem, naturalmente estaremos a mentir por tudo e por nada e a fazer parte do circuito gigante quando fazer a diferença é muito mais interessante e libertador. 
 
O que pode parecer espectacular quando se inventa uma fabulosa mentira, acaba por se tornar num inferno, pois desenvolvemos a desconfiança por sabermos que mentimos, e ao mesmo tempo passamos a acreditar na mentira e perder de vista a verdade da vida, das pessoas e das situações. 
 
Isto não quer dizer que não se possa meter uma mentirinha em pessoas que querem saber demais, mas essa atitude deve ser encarada como a excepção e não a regra básica das relações, sob pena disso se virar contra a nossa afectividade e forma de encarar a vida. 
 
Ninguém é perfeito nem sincero ao ponto de só dizer a verdade, mas há quem só diga mentiras e se engane a si mesmo! 
 
Depois manter uma mentira é difícil tal como assentar a vida numa farsa faz perder o interesse e dá excesso de importância aos outros, pois basta pensar na tarefa árdua de inventar mentiras, para compreender que temos coisas muito mais interessantes para fazer! 
 
É cansativo dedicar tanta atenção e fingimento para a sociedade que em nada nos agradece o esforço. Convenhamos que não é fácil produzir uma vida à parte, momentos inventados e outras artificialidades; isso requer talento, tempo e energia quando é mais fácil ser “normal” e “natural”. 
 
Além disso, por estar “fora de moda”, a verdade é aquilo a que se chama “uma bofetada de luva branca”, pois ser verdadeiro é um acto de coragem e uma forma de estar na vida de luxo para quem alcança este formato e estatuto. 
 
É pena que a maioria das pessoas não saiba dessas sensações e que passe o seu tempo a hipotecar a felicidade… 
 
Sabendo que a desconfiança é um defeito pior do que a inveja e que, por detrás de tantas dúvidas está o sofrimento e a falta de atitude de mudança, vale a pena reflectir acerca deste aspecto e, em tempos de crise, aprender a ganhar força para assumir responsavelmente os nossos actos sem medo de assumir a verdade… Já agora, todos criticamos os políticos e as mentiras das campanhas… e o povo é verdadeiro? Não é por acaso que os políticos são os representantes do povo, não é?! 
 
Anotemos que a desconfiança prejudica gravemente a nossa relação com os outros e a nossa integração na sociedade. Uma pessoa que está sempre a desconfiar dos outros sente-se num mundo hostil, onde todos a querem enganar. 
 
Sente-se acossada e, torna-se pior do que é porque, pensando que todos querem enganá-la, começa a agir em função disso e deixa de se relacionar normalmente com os seus semelhantes. Quando alguém lhe faz uma proposta, o desconfiado interroga-se: “Mas onde é que este quer chegar?” e, responde em conformidade, defendendo-se. E com este tipo de comportamento as relações entre as pessoas vão-se deteriorando, já que perdem a espontaneidade e a frescura; deixam de ser francas e abertas para serem cínicas e tortuosas. 
 
As pessoas passam a vigiar-se constantemente e a não terem capacidade de desenvolver afectos porque se desconfia de si mesmo e dos outros. Também o medo de ser usado ou gozado faz desencadear a desconfiança e inibe qualquer relação sincera pelo mesmo motivo. 
 
No fundo, o ideal seria aprender a defendermo-nos quando efectivamente isso justifica uma omissão da verdade e, saber inteligentemente quando é que se pode ser verdadeiro… Contudo, num cenário em que já é difícil confiar, termina-se cm a interrogação de, “será possível encontrar pessoas verdadeiras com quem se possa afirmar a nossa verdade, ou teremos de manter a postura arrogante e falsa para alimentar o sistema? 
 
Basta olhar para a dificuldade em pedir ajuda ou o desejo de mostrar uma vida que não se possui para confirmar que os portugueses têm muita dificuldade em lidar com a verdade, mas em tempos de mudança de valores, deixamos uma mensagem de esperança: “há muito que está a ser desvendado, é preciso é estarmos atentos…” Afinal, o que é que se ganha com uma vida fingida?
 
 
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