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Paulo Condado

Paulo Condado
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11-09-2013 - 22:41
A essência de uma história de vida
 
 
Todas as histórias de vida são tocantes de alguma forma. Elas encerram a essência dos seres humanos e, como não podia deixar de ser, a chave da nossa história colectiva. 
 
Este texto procura sintetizar o percurso de vida de um jovem considerado diferente dos outros por ter paralisia cerebral, mas que não deixou de sonhar para conseguir alcançar os seus objectivos. 
 
Este jovem conseguiu fazer o Ensino Básico, o Ensino Secundário, terminar uma Licenciatura, ultrapassar um Doutoramento e ser actualmente um investigador de Pós-Doutoramento. 
 
E como os sonhos não têm limites, este jovem casou, será em breve pai e, em conjunto com o seu grupo de amigos, formou uma Fundação para melhorar a qualidade de vida de jovens com os mesmos desafios. 
 
 
O Jovem Paulo Condado 
 
Paulo Condado, hoje doutorado em Engenharia Electrónica e Computação, nasceu no dia 7 de Setembro de 1979 na cidade de Faro, Algarve, Portugal. 
 
O parto foi muito complicado e teve de ser tirado com as famosas ventosas, também conhecidas por "ferros", visto que as “águas” já tinham rebentado há demasiado tempo e ele estava já em sofrimento (com falta de oxigénio). 
 
Em conclusão, problemas com a assistência médica e com o parto, traduziu-se na ingestão, pelo jovem bébé, do líquido amniótico, que levou a que o Paulo nascesse com paralisia cerebral. 
 
O destino de Paulo parecia traçado. A sua sentença parecia estabelecida desde o momento do seu nascimento. 
 
As barreiras que teria de enfrentar para ultrapassar as limitações causadas pela paralisia cerebral poderiam ser enormes e difíceis de transpor. O destino de Paulo parecia ser apenas um: Ser uma pessoa dependente toda a vida. 
 
O primeiro desejo secreto de Paulo foi, tão somente, conseguir caminhar, andar como qualquer outra criança da idade dele, mas apenas conseguiu fazê-lo por volta dos cinco anos de idade. Até essa idade ele acompanhava os amigos de brincadeira gatinhando, saía à rua no colo da sua avó ou da mãe. 
 
Quando a distância era grande, o Paulo era transportado num carrinho de bebé, e perguntava a si próprio porque é que os outros meninos conseguiam andar e ele não. 
 
Um pormenor importante nestes anos iniciais da sua vida, que se traduzia num aumento das suas barreiras, era o facto de viver com a sua família num terceiro andar sem elevador, sendo por isso levado ao colo sempre que saía de casa. 
 
Contudo, a força de vontade do nosso jovem foi um marco desde os seus primeiros anos de vida, pois talvez ainda de forma inconsciente, se desafiou a si mesmo: conseguir erguer-se e caminhar! 
 
Segundo conta a sua avó, na época passava na televisão uma novela onde um dos personagens saía da sua cadeira de rodas e começava a caminhar. Terá sido esse o motor percursor da tentativa de Paulo para caminhar pela primeira vez? Não sabemos. 
 
Nem ele próprio se recorda se esse facto o influenciou ou não, visto que desde sempre o seu sonho era caminhar como qualquer outro dos seus amigos. 
 
Paulo nasceu na província, pouco mais de cinco anos após a revolução de Abril de 74, não tendo, à partida, acesso aos mesmos recursos que as crianças da capital, com o mesmo problema, potencialmente dispunham. 
 
As deslocações a Lisboa, com os seus pais, para terapias na Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral (APPC) eram frequentes, mas 
recompensadas pelo sucesso alcançado com o facto de ter conseguido caminhar. 
 
Os desafios da entrada na escola e não só 
 
Outra grande barreira, que poderia ter impedido Paulo de chegar onde chegou a nível académico, surgiu quando a sua mãe o inscreveu na escola primária, visto que foi “aconselhada” por pessoas desse estabelecimento de ensino a colocá-lo numa escola de ensino especial. 
 
Felizmente, ela sabia o potencial do seu filho e serviu-se de uma lei que contempla a integração das pessoas com deficiência no sistema educativo para o manter nesse estabelecimento de ensino. 
 
A mãe do Paulo exigiu ainda uma Equipa de Educação Especial para acompanhar o seu filho no ensino regular conforme previsto na lei. 
 
Desta forma, Paulo conseguiu iniciar um percurso académico brilhante e provar que a sua mãe tinha razão. 
 
Paulo teve de enfrentar vários obstáculos ao longo da sua vida. 
 
Tantos que não podem ser enumerados neste pequeno texto porque dariam um verdadeiro filme. Contudo, este jovem ultrapassou todos os obstáculos que a vida lhe colocou com o apoio dos seus avôs maternos e da sua mãe. 
 
De salientar que o pai de Paulo deixou a casa quando ele tinha cerca de 12 anos, não o tendo apoiado em nada o seu percurso de vida. 
 
Desde muito cedo Paulo aprendeu a lidar com o preconceito e a ignorância das pessoas. Aprendeu a ouvir comentários desagradáveis de quem passava por ele na rua, aprendeu a provar-lhes que estavam errados e que ele não era, não é e não será um "coitadinho". 
 
O que mais o choca é o facto de muitas pessoas o julgarem apenas pela aparência, demonstrando claramente esse preconceito. Está habituado, se é que é possível habituar-se a tamanha ignorância, a ouvir frases tipo: “coitado, é parvinho”, “olha, olha o anormal”, “é deficiente mental?”, etc... 
 
Depois de tantos anos, estes são comentários que incomodam mais os seus amigos, do que a ele próprio. O preconceito será uma barreira difícil de ultrapassar, mas será uma ambição que procurará, em conjunto com os seus amigos, conseguir ultrapassar. 
 
O desafio da Carta de Condução, a entrada na Universidade e o Doutoramento 
 
Com a aproximação da maior idade, o Paulo aos 17 anos deu início ao processo para conseguir o atestado médico para tirar a carta de condução, visto que já suspeitava que este processo iria levar algum tempo. 
 
Paulo não podia estar mais certo em relação a este processo burocrático. Passou por uma série de médicos: foi a uma junta médica, que o encaminhou para testes psicotécnicos na antiga Direcção Geral de Viação em Lisboa, e apenas depois dos resultados desses testes saírem, conseguiu obter o atestado para se inscrever na escola de condução. 
 
A morosidade deste processo burocrático foi compensada, mais uma vez, pela tenacidade de Paulo que, após entrar na escola de condução, fez tudo à primeira e nunca chumbou! 
 
Nesta fase da sua vida, Paulo estava a terminar o ensino secundário e preparava-se para se candidatar ao ensino superior. 
 
No ensino secundário, Paulo havia escolhido a área de informática, com que sempre sonhara desde criança. Quando terminou os três anos de ensino secundário decidiu prosseguir a mesma área no ensino superior, tendo-se candidatado para cursos dessa área. 
 
A Licenciatura de Informática – Ramo de Gestão na Universidade do Algarve foi o curso escolhido, sendo que no final da 1ª ou 2ª semana de aulas, o Paulo já estava completamente integrado com os seus colegas e professores, não tendo quaisquer dificuldades de comunicação. 
 
À semelhança de qualquer outro aluno, Paulo teve de apresentar o seu projecto de final de curso publicamente e, como muitos dos presentes poderiam não entender tudo o que ele tentava transmitir, um dos seus professores teve a ideia de utilizar um sintetizador de voz que tinha sido adaptado para a língua portuguesa por um colega de Paulo. 
 
Pouco tempo após concluir a sua Licenciatura, Paulo foi contratado como Bolseiro de Investigação para trabalhar no projecto GeneticLand, financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e que estava a decorrer na Universidade do Algarve em colaboração com a Universidade Nova de Lisboa e a Universidade de Évora. 
 
Após o término desta bolsa candidatou-se a Doutoramento na área das tecnologias assistivas, tendo o seu orientador obtido apoio da Fundação Calouste Gulbenkian para lhe pagar uma bolsa. 
 
Os trabalhos de Doutoramento do Paulo decorreram com sucesso, tendo apresentado vários artigos em conferências de renome internacional e foi investigador visitante no MIT Media Lab (Estados Unidos da América), bem como na Universidade Estadual de Campinas (Brasil). 
 
O sistema desenvolvido por Paulo, chama-se EasyVoice e conjuga várias tecnologias capazes de permitir que pessoas com deficiência na fala possam realizar chamadas telefónicas usando uma voz sintetizada. 
 
Este desenvolvimento do softwareEasyVoice, por ser pioneiro e altamente inovador, foi amplamente noticiado em vários meios de comunicação social portugueses nos últimos anos. 
 
Paulo alcançou o seu Doutoramento em Engenharia Electrónica e Computação pela Universidade do Algarve, com a classificação de Muito Bom, por unanimidade no dia 14 de Abril de 2009. Contudo, dias antes da sua defesa Paulo enfrentou mais um preconceito. 
 
Quando foi renovar o seu passaporte, a funcionária do Governo Civil parecia não o escutar, dizendo só que ele não podia tirar passaporte sem um suposto tutor, e apenas o ouviu quando este apresentou o cartão de estudante de doutoramento e a carta de condução para lhe provar era perfeitamente responsável pelos seus actos. 
 
Este incidente no Governo Civil foi mais um exemplo que mesmo havendo evolução na sociedade, nunca é demais continuar a trabalhar na integração de quem tem mais dificuldades. 
 
Actualmente, e desde 2010, Paulo é bolseiro de Pós-Doutoramento no CENSE (Center for Environmental and Sustainability Research), financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT/MCTES), sob a orientação do Professor Fernando Lobo. 
 
Os trabalhos do nosso jovem investigador continuam a ser no tópico das tecnologias assistivas para promover a independência das pessoas com deficiência. 
 
A criação da Associação para a Fundação Paulo Condado e o desejo do livro da sua vida 
 
No dia 1 de Abril de 2011, Paulo e os seus amigos criaram a Associação para a Fundação Paulo Condado. 
 
A sua missão é apoiar a Investigação e o Desenvolvimento de tecnologias capazes de melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência. 
 
Na Associação, Paulo lançou mais um desejo aos seus amigos. O desejo de ver a sua biografia publicada em livro com os seguintes objectivos: 
 
• Inspirar outros jovens com deficiência a lutarem pela sua autonomia. 
 
• Difundir a visão da Associação e angariar fundos para a mesma. 
 
• Ajudar a acabar com este tipo de preconceitos. 
 
E o casamento, mais uma barreira ultrapassada 
 
Os preconceitos existem até hoje e estão bem patentes quando perguntam à mulher do Paulo se é a mãe ou a irmã dele. Talvez fiquem sem saber o que dizer e, estupefactas, perguntam a primeira coisa que se lembram?! 
 
Os mesmos preconceitos estavam patentes quando quase toda a família da mulher do Paulo foi contra a relação dela com um “aleijado” e os dois tiveram de fugir à moda dos antigos tempos. 
 
O mesmo preconceito fez com que o caso fosse amplamente falado pela população do concelho da sua mulher e onde casaram no passado dia 7 de Maio. 
 
A vida de Paulo está e estará repleta de situações caricatas e inacreditáveis que dariam um bom livro... 
 
Por acreditar nas capacidades de Paulo Condado, o Algarve Primeiro resolveu associar-se a este desejo de promoção da história de vida deste jovem que pode muito bem merecer o interesse de uma editora para uma futura publicação. Eis um grandioso exemplo que vale a pena ser difundido. 
 
(Actualização:31.08.11)
 
 
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