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O que torna as pessoas “más”?

O que torna as pessoas “más”?
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30-10-2015 - 23:19
A questão continua a suscitar muitas dúvidas na comunidade científica, na medida em que, em primeiro lugar é preciso compreender a origem da bondade e da maldade.
 
Aristóteles acreditava que a bondade era aprendida pelo hábito. “Quanto mais um ser humano praticar o bem, melhor ele será. E quanto mais praticar o mal, mais vicioso será”.
 
Perante esta afirmação, é essencial compreender qual é a origem dos sentimentos maléficos que sentimos no olhar ou no tom de voz de alguém que nos faz um comentário mesmo que seja simpático. 
 
É ainda fundamental refletir acerca do ódio de algumas pessoas, bem como as expressões de bondade de outras que não deixam margem para dúvidas.
 
O que está por detrás do prazer em falar da vida alheia?
 
Como pode alguém sentir satisfação em torturar, agredir e, ainda mais grave, matar alguém?
 
A psicanálise responde. “Vem de dentro. O ser humano nasce dotado da capacidade de amar e de odiar. Alguns são mais dotados da capacidade de amar que outros.”
 
Ao mesmo tempo, também os entendidos em comportamento humano acreditam que, a bondade e a maldade está associada à natureza de cada pessoa, pelo que, a educação tem um papel crucial, a família uma influência indiscutível, mas há sempre uma margem difícil de penetrar, já que “cada um nasce com as suas próprias características. 
 
Ninguém decide se quer ser boa ou má pessoa, acaba por ser o melhor que consegue”, lê-se numa publicação no site: Psicologia Ribeirão Preto.
 
No mesmo leque de posições acerca do assunto, estes psicólogos reforçam que, “na mesma família existem pessoas muito diferentes de outras, a começar pelos irmãos que raras vezes apresentam caraterísticas semelhantes.”
 
É certo que os pais não educam os filhos da mesma forma, que as circunstâncias em que nasce um filho são sempre diferentes das do outro, há fatores que, naturalmente influenciam cada gravidez e o percurso de cada filho, mas mesmo assim, há uma reserva que deve ser levada em consideração para explicar o facto de os irmãos serem tão diferentes uns dos outros: a sua própria natureza e aquilo que lhes é estimulado em cada etapa do seu desenvolvimento.
 
“Claro que os pais não são isentos de responsabilidades, pois têm o dever e a obrigação de proporcionar a melhor educação possível, de permitir que os filhos desenvolvam valores e regras de convivência social, mas há uma margem que ainda não se consegue controlar e que nos leva a afirmar que é muito difícil a psicanálise conseguir compreender.”
 
Na mesma tentativa de compreender a bondade e a maldade humana, o psicólogo social Paul Piff acredita que o dinheiro é um dos principais motivos para tornar as pessoas menos generosas e bondosas e um alicerce que as afasta dos sentimentos e valores humanos.
 
Após longos anos a estudar comportamentos e a observar no terreno as diferenças entre ricos e pobres, este investigador afirma que, “as diferenças comportamentais começam nas situações mais elementares. Um condutor rico foge com mais frequência ao cumprimento das regras de trânsito que um pobre. 
 
As passadeiras são um bom exemplo disso. Os peões em alguns locais, só arriscam passar nas passadeiras quando avistam um carro modesto e pertencente a um pobre, pois sabem que os carros topo de gama raras vezes dão passagem a peões.”
 
Ao mesmo tempo, este cientista percebeu que, não sendo regra geral, as pessoas mais ricas são muito menos generosas, menos capazes de fazer donativos, de se preocupar com os outros e de ajudar mesmo nas situações mais simples.” 
 
De acordo com os resultados obtidos no seu trabalho de investigação, Piff sugere que ter mais dinheiro faz com que a pessoa se preocupe menos com os outros e se sinta no direito de colocar os seus próprios interesses acima de qualquer outra necessidade, com todas as consequências que isso possa acarretar.
 
Após quase uma década de pesquisas Piff chegou à polémica conclusão de que a “prosperidade não transforma os indivíduos ‘em  benfeitores’, uma vez que, o dinheiro afina os interesses pessoais e o bem-estar, não dá lugar à preocupação com os outros e ao desejo de os ver prosperar também.”
 
Neste sentido, “o dinheiro promove o isolamento social, psicológico e material. O indivíduo concentra-se tanto na sua vida, nos seus objetivos e interesses que se esquece completamente da realidade dos outros; mesmo dos familiares e amigos.”
 
Piff percebeu, através de testes laboratoriais que, “as pessoas com mais dinheiro têm mais propensão a enganar os outros mesmo em jogos mais elementares como as damas ou dados, a esconder as suas caraterísticas, em especial os pontos mais negativos, e que se mostram mais egoístas e incapazes de ceder tempo para ajudar os outros.”
 
Ao avaliar a generosidade através do “teste do ditador”, Piff concluiu que, "Quanto mais rica é a pessoa, menos generosa se torna.”
 
Pelo contrário, os pobres que participaram no mesmo teste em que o investigador lhes atribuiu uma significativa quantia de dinheiro para distribuir pelo grupo, mostraram uma profunda generosidade na divisão e apoio aos mais carenciados.
 
Na mesma sequência de testes, Piff anotou que, perante os resultados vitoriosos em competições que lhes foram proporcionadas, os jogadores ricos acabaram por mostrar as suas piores caraterísticas; aquelas que se escondem por detrás do luxo dos carros e das indumentárias requintadas. 
 
Estes jogadores mostraram ser capazes de dominar o espaço, de retirar oportunidades ao outros e, inclusive de comer mais guloseimas que os outros, não se preocupando minimamente com os prejuízos que estavam a causar aos demais participantes.
 
Dando forma ao seu estudo, Piff concluiu que, “quando nos sentimos mais abonados, temos menos necessidade de estar com os outros, de pensar que podemos precisar deles e de lhes dedicar tempo, atenção e afeto.”
 
Piff concluiu ainda que, o dinheiro torna as pessoas mais determinadas, mas também menos sensíveis a sentimentos dos outros. “Os mais ricos acreditam que podem pagar a sua própria paz e bem-estar, tranquilidade, local onde tudo se concretiza e, acima de tudo, pagar a felicidade e a solução para todos os problemas.”
Na tese de Piff, o problema central é o isolamento social, a incapacidade para trocar experiências com os outros, a dificuldade em aprender e em sentir, o que as torna avarentas, prepotentes, egoístas, insensíveis, amargas e destrutivas.”
 
Alguns resultados confirmam as pesquisas de Piff; outros trazem conclusões opostas, na medida em que nem se pode generalizar dados laboratoriais, muito menos colocar o dinheiro como o centro da maldade humana, ainda assim, o investigador acredita que é uma justificação consistente para muitos comportamentos negativos.
 
Do lado oposto, são conhecidos os casos de agressividade excessiva em meios pobres e desfavorecidos e as mais variadas formas de violência humana, pelo que, se o dinheiro é um gerador de egoísmo, a sua falta naturalmente também não é uma requisito para a bondade.
 
Mais uma vez é Shakespeare quem nos convida a refletir sobre nós mesmos.
 
Na obra: “Rei Lear”, Shakespeare tentou compreender o mistério desta profunda questão: porque alguns seres humanos são predominantemente bons e outros maus e deixou-nos a mensagem:
 
“Deve ser por causa das estrelas a diferença de temperamento dos seres humanos. Pois, mesmo entre dois irmãos, gerados pelo mesmo pai e pela mesma mãe, quanta diferença há.”
 
 
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