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O que se passa na educação das crianças?

O que se passa na educação das crianças?
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28-01-2015 - 21:33
Colocada a questão noutros moldes, pode-se dizer, que a mensagem não está a passar na educação dos mais novos?
 
Um final de dia “terrível”, com pais stressados, crianças que gritam em todo o lado, que irritam as pessoas nas filas de supermercado, que não param quietas numa cadeira de café ou que não conseguem esperar a sua vez num balcão de atendimento. 
 
Este é o cenário típico que coloca os pais à beira de um «ataque de fúria» em que é difícil saber quem é que grita mais alto na rua ou em casa.
 
Os pais queixam-se da creche e das horas que os filhos lá passam que os deixam «inquietos» e com «vontade de extravasar», as instituições passam o dia a impor regras que, na maioria dos casos não têm continuidade em casa.
 
Os pais, depois de tantos «pára», «está quieto» e de «não» pouco convictos, dizem não saber onde é que estão a falhar. 
 
Só sabem que, «as escolas deveriam acolher as crianças mais horas por dia para que possam descansar»! 
 
E, aos poucos, parece natural viver este quotidiano, tentando adiar o fim-de-semana ou programar saídas para os filhos com amigos ou familiares para que possam estar mais à vontade» pelo menos nesse período da semana.
 
Quase como que num ciclo vicioso, os anos vão passando e, os pais vão-se apercebendo de que, afinal aquele bebé amoroso deixou rapidamente as fraldas, passou a caminhar, a falar, a protestar e a assinalar aquilo que está errado na educação dos pais. 
 
O tempo passa rapidamente e, aquilo que não foi transmitido nos três/quatro primeiros anos de vida, aparece como que «uma condenação pela apatia e pela incapacidade de ver que ser pai/mãe, é assegurar também a educação e a forma como o sujeito se vai relacionar socialmente nas mais variadas situações.
 
Num espaço de duas ou três décadas, passamos do autoritarismo para o laxismo, sem espaço para perceber que, no meio-termo, está a autoridade. 
 
Os pais que impõem regras, que colocam limites nas actuações dos filhos e que os ajudam a crescer e a desenvolver competências para se tornarem adultos responsáveis, organizados, capazes de respeitar os demais e de manter a sua postura e direito ao respeito.
 
Os pais de hoje parecem ter medo de impor regras e limites nas actuações dos filhos, talvez pelos excessos cometidos na educação do passado e, sem se darem conta, vão adiando aquilo que, «um dia lhes vai rebentar nas mãos» e, na maioria das vezes, é na adolescência.
 
Se os educadores sabem a importância de educar o seu grupo para que tudo funcione dentro de limites e contemplando todos os indivíduos, os pais parecem não saber cuidar de um ou de dois filhos nas suas casas pela falta dessa consciência. Esta é a posição de muitos especialistas que reforçam a ideia de que, as regras fazem as crianças mais felizes. 
 
Não é por acaso que, de um modo geral, as crianças gostam da creche, do pré-escolar e da escola.
 
Desde logo, é fundamental ter em conta que, autoritarismo não traduz de forma alguma autoridade, pois uma coisa é impor o medo, a outra é transmitir e exigir respeito mútuo.
 
Neste sentido, é importante que, desde o nascimento, os pais saibam quais os limites e as regras que vão ter de transmitir aos seus filhos, sabendo que, as crianças são mais felizes quando sabem o que têm para cumprir, que se sentem mais seguras quando pensam acerca dos seus actos e conseguem avaliar também o grau de satisfação dos pais face aos seus comportamentos.
 
De acordo com a posição de Eduardo Sá em declarações à revista Pais&Filhos, «as crianças precisam de regras e limites para se sentirem seguras e crescerem saudáveis. Saber dizer “não” nem sempre é fácil e chega a ser extenuante, mas é essencial. Na medida e na hora certa».
 
Os pais querem o melhor para os seus filhos e desejam, acima de tudo, que sejam felizes. Por vezes, este desejo tão natural choca com a necessidade de lhes dizerem que não. 
 
Para alguns pais, esta é uma das facetas da parentalidade mais difíceis de gerir e muitos têm dificuldade em assumi-la com assertividade, coerência e eficácia. Mas dizer que não, tal como dizer que sim, faz parte da função primordial dos pais, por mais que possa parecer doloroso ou até desnecessário.
 
Para Eduardo Sá, “O ‘não’ é como o sal da cozinha: nem de mais, nem de menos”. O mesmo psicólogo e autor de várias publicações na revista Pais&Filhos, defende que,“pais bonzinhos são um bocadinho inimigos de crianças saudáveis, por mais que o façam com toda a boa-fé do mundo”. O “não” é o que torna as crianças num “motor de alta cilindrada, com uma caixa de velocidades à medida, que lhes permite ir dos zero aos 100 num instante”. 
 
Saber dizer não é “uma das maiores competências que os pais devem ter, tal como o saber dizer sim”, acrescenta o psicólogo Rui Brasil. 
 
Esta dicotomia “é um dos fatores mais estruturantes da personalidade da criança, nomeadamente ao nível de comportamento, tal como o bem e o mal estão para os valores éticos e o quente e o frio para os sentidos. 
 
Estas permitem que cada um de nós aprenda a autorregular-se, a posicionar-se perante uma situação ou a fazer uma escolha”, explica.
 
Com esta permanente ausência da negação, muitas famílias queixam-se de estar a educar «pequenos ditadores» que exigem, gritam, atiram-se ao chão, fazem birras cada vez mais longas e daí por diante. 
 
Muitas vezes, têm de ser chamados outros membros da família para «acalmar» a situação, como se os pais não conseguissem travar este tipo de comportamento.
 
O problema é que, quando se trata de colocar limites, muitas famílias sentem-se desorientadas e não é raro ouvirmos mães e pais a reclamarem das exigências dos seus  filhos que «querem mesmo» uma coisa.
 
Na verdade, estas dificuldades parentais parecem ser resultado da profunda alteração geracional no que toca à colocação de limites e regras às crianças. 
 
Na geração dos nossos avós, a educação dos filhos era feita na vertical, sem que houvesse lugar a que os filhos questionassem a autoridade dos pais. 
 
A geração seguinte, cansada de autoritarismo, optou pelo extremo oposto, tornando-se por vezes demasiado permissiva. Pais e filhos passaram a ocupar o mesmo patamar de igualdade. 
 
No entanto, o que as crianças precisam mesmo é de pais capazes de cumprir a sua função, sem confundir autoridade com autoritarismo.
 
“Os pais têm que impor, ditar, estabelecer regras e limites, definir orientações, apontar estratégias. Não têm que pedir por favor aos meninos que aprendam a ser gente ao longo do seu crescimento: têm que fazer deles gente. Com tantas regras quanto amor”, defende Rui Brasil. 
 
Porque, caso contrário, acrescenta Eduardo Sá, as crianças limitam-se a fazer, e muito bem, o seu papel: “Esticam-nos e metem-nos no bolso”. E sem darmos conta, “de principezinhos passamos a ter pequenos ditadores e de pequenos ditadores adolescentes tiranos”.
 
Não é por acaso que, os especialistas afirmam inequivocamente que, “a autoridade faz muito bem à vida democrática” e tem uma função essencial. “Se for sensata, compatibiliza as regras da sociedade com os ritmos e o equipamento de base das crianças e isso é tão bom que faz com que elas ganhem asas e saibam voar”.
 
De acordo com a posição do pediatra Paulo Oom, “para educar corretamente uma criança, temos que a frustrar de vez em quando e isto para alguns pais é quase uma barbaridade”. É claro que isto não significa “frustrar pelo gozo de frustrar ou por maldade ou só para contrariar”. 
 
Significa “única e exclusivamente que as crianças têm de ouvir um ‘não’”. E mais importante do que ouvir um “não” “é o que a criança faz a seguir a ouvir um ‘não’: é importante que perceba porque é que ouviu aquele ‘não’ e que alternativas é que tem naquele momento para fazer outras coisas que não impliquem aquilo que ela queria fazer e que os pais não deixaram”. 
 
Paulo Oom lembra que uma criança que nunca ouve um “não” é uma criança que “não tem limites e como não está habituada a ter regras vai dar-se mal na escola e mais tarde no emprego”.
 
Para Quintino Aires, psicólogo e comentador no programa Você na TV, «não é por acaso que assistimos a um tempo em que tantas famílias dizem ter crianças hiperactivas. 
 
Felizmente não se trata dessa doença que tanto acarreta danos e sofrimento para as famílias, mas sim de uma enorme confusão entre o que é falta de educação e comportamentos desajustados». 
 
Para o psicólogo, as falhas na educação não podem ser compensadas de forma alguma com medicamentos, mas isso parece estar a acontecer cada vez com mais frequência. 
 
Quintino Aires realça que, «as crianças têm de aprender a lidar com a frustração para crescerem felizes e mais preparadas para enfrentar o mundo e, isso só acontece com rigor, com pais exigentes e que saibam dizer não quando é necessário».
 
“Ser pai e mãe é uma tarefa muito exigente, pelo que deve ser ponderada e programada. Os pais têm de assumir as suas responsabilidades para que as possam exigir aos filhos».
 
AP
 
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