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O que leva uma mãe a matar um filho?

O que leva uma mãe a matar um filho?
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18-02-2016 - 23:50
A questão é arrepiante para todos quantos defendem a vida acima de qualquer circunstância, validam o vínculo materno como o mais poderoso que existe e, descartam a hipótese de pensar em algo tão cruel e macabro.
 
Não há dúvida de que, a relação mãe/filho é, e sempre será, o mais poderoso vínculo que existe entre seres humanos, motivo pelo qual, é muito complicada a tarefa de compreender o que poderá anular essa relação de forma bárbara.
 
Temos assistido a casos que têm chocado a humanidade e, no nosso país, com menos frequência, vamos assistindo a cenários semelhantes. São mais as mulheres que matam os filhos, muito embora e, por outros motivos, também se conheçam situações de homicídio praticado pelo pai.
 
À primeira vista, o senso comum remete estes casos para doença mental grave, uma vez que não existe outra explicação para tal cenário de terror. Os psiquiatras vão mais longe na tentativa de explicar o problema.
 
“Há quem lhes chame homicídios por altruísmo, porque as mulheres acreditam que estão a preservar os filhos "de um suposto mal maior", afirma Carlos Bráz Saraiva.
 
A psiquiatria explica que, uma mulher que comete este tipo de crime só pode apresentar uma doença mental grave; sofrer de uma anomalia psíquica grave e frequentemente padecer de uma depressão profunda.
 
O ex-presidente da Sociedade Portuguesa de Suicidologia explica que “há pessoas que estão doentes e este tipo de comportamento é quase sempre explicado por aquilo que a psiquiatria designa como ‘insanidade mental’. O acto “surge num quadro de desespero, de angústia atroz, em que a protagonista não vislumbra outro cenário que não seja o da cessação do sofrimento”.
 
Ao Público o psiquiatra sintetiza, “a ideia sobrevalorizada de preservar os filhos de um suposto mal maior”. Trata-se de uma "distorção cognitiva" habitual nestes casos que parecem ser tão contra natura mas que estão “abundantemente descritos na literatura” da especialidade.
 
Citado pelo mesmo jornal, Fernando Almeida reforça, “Subjacente a este tipo de actos, está quase sempre uma anomalia psíquica grave que determina um sofrimento intenso”.
 
O professor no Instituto Superior da Maia adianta que, “raramente uma mulher comete filicídio se não tiver um problema psíquico grave.”
 
O psiquiatra reforça que, “na base deste tipo de comportamento, há frequentemente uma depressão maior que pode ter ou não actividade psicótica”.
 
Um acto desta natureza “também pode ser potenciado, por situações de desespero e profundo mal- estar, associadas a factores sócio-económicos complicados. Por vezes há factores precipitantes”, esclarece o professor exemplificando.
 
"Ser despojado da sua casa, ser confrontado com dívidas".
 
Seja como for, ressalva Fernando Almeida, “na base deste tipo de situações o mais frequente é existir uma depressão grave, ou uma psicose esquizofrénica.”
 
Em declarações ao Público, o mesmo especialista esclarece que, “muitas vezes, as mulheres que cometem filicídio e que se suicidam ou tentam suicidar acreditam que ‘é preferível que os filhos morram’. É o que se convencionou chamar ‘homicídio por altruísmo’, porque elas acreditam que ‘os filhos não vão ficar bem entregues, que algo de muito mau lhes vai acontecer’ se ficarem vivos.”
 
Estas mães gravemente doentes acreditam que “vão poupar os filhos de um futuro que pode ser de intenso sofrimento.”
 
Também pode haver problemas de alcoolismo e drogas, bem como uma relação familiar degradada que façam desencadear estas doenças mentais.
 
Fernando Almeida acredita ser possível prevenir estas situações através do tratamento adequado e atempado.
 
O psiquiatra reforça ainda a importância do apoio que é fundamental neste tipo de casos.
 
No masculino, o cenário é semelhante, mas “com os homens o homicídio/ suicídio é mais frequente num contexto passional, de relação com uma mulher", clarifica o especialista recuperando que, “há casos de homens que matam os filhos para chamar a atenção das companheiras em cena´rios familiares terríveis.
 
Dada a explicação, importa ter em conta o essencial: a prevenção. É fundamental pedir apoio psicológico e, em muitos casos, psiquiátrico aquando surgem os primeiros sinais. A sociedade habituou-se a negar aquilo que é a base de muitos problemas: a saúde mental e a falta dela. 
 
Muitas vezes, pede-se apoio a organismos de proteção social, cuja operacionalidade é sempre limitada (também) devido ao estado psicológico das próprias vítimas que nem sempre sabem que tipo de ajuda necessitam e como orientar as suas vidas em cenários negativos.
 
É preciso pensar que a saúde mental é a base para prevenir muitos problemas. Existem psicólogos nos centros de saúde, existem linhas de apoio e uma estrutura de suporte com mais ou menos meios disponíveis, mas a única forma de prevenir estes crimes que nos chocam a todos, passa somente pela prevenção através de um diagnóstico e tratamento atempados. 
É fundamental uma vigilância activa das famílias, e a coragem de assumir que se está doente, gravemente doente e que se precisa de ajuda urgente. 
 
Quando a própria pessoa não tem essa capacidade, cabe aos demais membros da família, vizinhos, conhecidos, seja quem for que se aperceba, dar esse primeiro passo de encaminhamento. Basta começar pelo centro de saúde da área de residência e seguir um processo que não mais pode parar, mas que evitará certamente tragédias como as que temos assistido ultimamente. 
 
É importante tomar consciência de que, tal como os crimes chocam a comunidade, é responsabilidade de todos ajudar a preveni-los.
 
 
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