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O que leva os jovens a beber tanto?

O que leva os jovens a beber tanto?
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03-07-2014 - 22:25
O hábito de beber é cultural e, consta nos arquivos de civilizações em todo o mundo, como algo natural e com efeitos benéficos e desinibidores no ser humano. Contudo, por detrás desta capacidade de dosear a ingestão de bebidas alcoólicas, está um gravíssimo problema de saúde pública que nos deve preocupar a todos.
 
Começa-se a beber cada vez mais cedo e em quantidades exageradas, porquê?
 
Em primeiro lugar, importa ter em conta que, a melhor forma de educar, é o exemplo e, são raras as famílias que não escondem problemas de alcoolismo, nem que seja “para esquecer as agruras da vida” e que, na maioria das vezes, são consumos abusivos, descontrolados e com efeitos nocivos para todos.
 
Esta realidade camuflada pelos adultos, acaba por ser justificada com a necessidade de “esquecer os problemas” e por disfarçar a carência de um apoio técnico especializado, já que existem formas de ajudar; de tratar aquilo que se esconde na mente de muitas pessoas.
 
O álcool já tem sido definido como “o anti-depressivo dos pobres” e “o desinibidor dos ricos”, sendo que, ambas as explicações comprometem a saúde, a segurança e o bem-estar, sem esquecer o problema central que nos leva a escrever sobre o assunto: o exemplo que se tem transmitido aos mais novos.
 
Numa sociedade cada vez mais “entregue a si mesma”, onde os afectos, o diálogo, o tempo para conviver e aprender em conjunto são escassos, não é de admirar que, essa fragilidade emocional se projecte em comportamentos desajustados nas mais variadas idades, pois se os adultos dizem conhecer os limites “e quando devem parar de beber”, nos mais novos, a falta desse conhecimento tem provocado resultados devastadores a que assistimos cada vez com mais frequência.
 
Está provado cientificamente que, um dos incentivos para o consumo de álcool e demais drogas (porque o álcool também é uma droga, ainda que socialmente aceite e legalizada) passa precisamente pela carência afectiva, pela incompreensão, pela falta de diálogo e de exemplos consistentes dos adultos.
 
Um jovem estará muito mais vulnerável às normas e indicações de um grupo se sentir-se sozinho, excessivamente livre e desgarrado da sua célula familiar. Pelo contrário, um adolescente que aprenda com os pais e demais adultos a beber moderadamente e, a compreender os efeitos nocivos das bebidas alcoólicas, saberá muito melhor controlar-se, as motivações que o levam a beber e “quando deve parar”. Isto porque tem uma maior consciência dos seus actos e das consequências dos mesmos.
 
São muitos os casos a que temos assistido de morte por ingestão excessiva de álcool, pelo que, vale a pena reflectir acerca deste ponto com seriedade e coragem para reconhecer que, os filhos precisam de compreensão, de alguém que os ouça, que saiba aceitar as suas posições e que encontre um equilíbrio entre as diferenças, pois um grande problema dos pais é a necessidade de querer que, os seus descendentes lhes sigam os passos, as opções e a personalidade. Tal não é possível de forma alguma e, muito menos através da imposição. 
 
Os pais precisam de compreender que, educar é muito mais do que exigir. É dar bons exemplos, é aconselhar, é mostrar como se faz, é ajudar a crescer e a amadurecer e, esse processo ocorre com momentos familiares, com conversas, com discussões de vários temas, sem que seja imposta uma regra ou limites para assuntos que desagradem aos adultos.
 
Em muitos casos, esses temas que deveriam ser discutidos e esclarecidos em família, junto daqueles que nos amam e protegem e que, naturalmente são só melhores conselheiros, acabam por ser colocados à consideração de grupos, cujos conhecimentos são semelhantes, a aprendizagem é feita entre pares e, no final das contas, estão todos sujeitos aos mesmos perigos.
 
Não é comum ouvirmos testemunhos de grupos que incentivam os “bons” comportamentos, seja pela irreverência juvenil, seja pela irresponsabilidade e imaturidade próprias da idade, pelo que, essa é mais uma função que deve ser tratada em casa; no seio dos afectos. Qualquer filho sabe que, se os pais lhe disserem que o álcool é prejudicial e, se comparar os comportamentos positivos dos pais, registará um sinal de alerta para algo potencialmente perigoso. 
 
Um filho habituado aos ensinamentos familiares, mais facilmente sabe rejeitar os incentivos do exterior.
 
Na maior parte dos casos, os jovens integram os grupos sem que conheçam as suas próprias características, muito menos para onde “vão” com as sugestões de colegas, pelo que pode entrar em caminhos sigilosos, perigosos e sem ter a noção disso.
 
A necessidade de relaxar, de “esquecer”, de procurar alternativas a um estado de tristeza, leva muitos adolescentes ao consumo de álcool, quando seria mais interessante poderem chegar ao pé dos pais e falarem acerca dos seus problemas, mas quando não é um hábito, opta-se pelos “amigos”, aqueles que oferecem as suas próprias soluções e experiências e, uma cerveja pode dar o mote.
 
Aos poucos, o acto de beber passa a ser o refúgio e, em muitos casos, os jovens cresceram com esse tipo de comportamento dentro de casa: “beber para esquecer”, sem que se pergunte o que se quer esquecer ou se é preciso esquecer.
 
Para evitar que os filhos entrem neste mundo perigoso e complicado de sair, é essencial ter essa noção e, desde cedo, transmitir claramente aos mais novos que, o álcool tem de ser consumido com moderação e numa idade em que se tenha consciência dos nossos actos. Explicar também os perigos de conduzir sob efeito do álcool, ajuda a mudar mentalidades, tal como alertar para os problemas de saúde e daí por diante.
 
Ao mesmo tempo, os pais têm de ter a “habilidade” de explicar sem proibir, mas sim, ensinar a beber, já que, só dessa forma, poderão assegurar que, nas festas e demais momentos de convívio, os seus filhos sabem como proceder mediante “as tentações” do momento.
 
Muitos especialistas asseguram que, “este trabalho de casa tem de ser feito cada vez mais cedo e de forma sistemática e adequada à idade. Antes que os jovens se confrontem com essa realidade e não saibam como reagir.”
 
Atendendo a que “tudo começa cada vez mais cedo” e, que no que diz respeito ao álcool, esta droga é acessível a todas as carteiras e, está à venda em qualquer lado (mesmo com as restrições a menores que, na maioria das vezes, não se cumprem), é fundamental fazer esse trabalho em casa.
 
Que importa ter um filho bem sucedido na vida se não atingiu níveis de maturidade e está exposto a um conjunto de perigos?
 
Mais vale então afirmar que, os nossos filhos são adultos responsáveis quando aprendem a compreender os perigos e a saber lidar com eles. Percebe-se então que, não é uma vergonha limitar as saídas dos adolescentes, averiguar se eles estão, efectivamente preparados para viver experiências longe dos pais e, apostar mais na prevenção de problemas que, muitas vezes, têm consequências trágicas.
 
Uma mãe mostrou-se indignada quando, numa ecografia durante a gravidez, perguntou ao obstetra se o filho estava bem. O médico respondeu-lhe: só lhe posso dar essa resposta quando ele for capaz de ser um indivíduo responsável, independente e estiver à altura de não precisar dos pais porque consegue resolver os seus problemas e proteger-se.
 
A mãe acabou por reconhecer que, a partir do momento em que gerou o filho, este será da sua responsabilidade até que consiga assumir a sua, independentemente da idade, do percurso, das características genéticas e daí por diante.
 
Neste sentido, é importante reforçar que, os pais têm a obrigação de proteger os seus filhos dos perigos até que eles sejam capazes de o fazer. O processo será mais ou menos longo consoante a capacidade dos pais fazerem passar a mensagem aos filhos e, destes a compreenderem e aplicarem.
 
Alguns entendidos em comportamento humano, asseguram que, “nem sempre precisamos de dizer directamente aos nossos filhos o que eles não devem fazer. Basta que eles estejam mais tempo na nossa presença, que reparem nos nossos comportamentos e que ouçam as nossas críticas face ao erro dos demais. Com este exemplo, desde pequenos, os filhos contactam com os valores dos pais, e com a forma como os seus adultos de referência, vivem os mais variados cenários.
 
Todos sabemos que, o maior desejo de um filho, é ser aceite e acarinhado, e que adora imitar os pais até uma certa idade. Nessa fase importantíssima de imitação, acaba por receber o melhor dos pais e, certamente que não os quererá desiludir no futuro. Com o exemplo positivo, meia parte da tarefa de educar, está concluída”.
 
Ivone Romeira
 
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