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O que é feito “da pontualidade inglesa”?

O que é feito “da pontualidade inglesa”?
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04-02-2015 - 15:52
Já longe vão os tempos em que os portugueses primavam por chegar a horas aos seus compromissos.
 
Com o passar dos anos, damo-nos conta de que, “é aceitável” e até “chique” chegar atrasado e fazer uma multidão estar à espera de um elemento…
 
Apesar da aparente “normalidade” desta forma de estar na vida, a muitas pessoas não se apercebem de que, afinal podem ter um problema associado aos atrasos, pois o facto de não conseguirem chegar a horas, não é por “vaidade”, mas sim por falta de saberem gerir o seu tempo.
 
De acordo com os especialistas, este é um dos padrões de comportamento mais difíceis de mudar, apesar das consequências que a falta de pontualidade pode ter na vida de uma pessoa, como reduzir a eficiência no local de trabalho. Se conhecer a causa, poderá ajudar nessa luta pela pontualidade.
 
Já há muito tempo que os especialistas em comportamento humano alertam que, uma educação pouco exigente e rigorosa dão espaço a dificuldades na organização das tarefas diárias e, na gestão do tempo necessário para concretizar essas imposições.
 
Essa posição é agora reforçada com o problema dos atrasos e a enorme dificuldade em ser pontual que muitas pessoas apresentam.
 
Segundo os entendidos, o atraso crónico é típico de quem tem dificuldade em planear tarefas, porque subestima o tempo que demora a conclui-las. 
 
Subestimar o tempo que demora a concluir tarefas pode reduzir a eficiência no local de trabalho, porque desvaloriza o tempo que vai demorar a realizar determinada tarefa. É o que se chama planning fallacy (Daniel Kahneman e Amos Tversky, em 1979), ou seja, uma forte tendência para subestimar a conclusão de tarefas repetidamente, explica o Wall Street Journal.
 
Robert Buehler, professor de psicologia na Universidade Wilfrid Laurier, nos Estados Unidos da América, estima que o tempo que as pessoas levam a concluir determinada tarefa seja subestimado, em média, em cerca de 40%. E não interessa a seriedade do compromisso. 
 
Os seus estudos comprovaram que as pessoas se atrasavam em coisas tão simples como enviar um email ou tão importantes como entregar a declaração de IRS.
 
Foram testadas várias iniciativas para ajudar as pessoas que têm dificuldades de planeamento, como dividir uma tarefa em pequenas partes ou prever o tempo que vai demorar com base nas experiências passadas. 
 
Em 2004, Justin Kruger, professor na Universidade de Nova Iorque, concluiu que dividir uma tarefa em pequenas partes fazia com que as pessoas fizessem estimativas mais precisas sobre o tempo que demorariam a conclui-la.
 
Por exemplo: para saber quanto tempo demora a chegar a certo local, divida o caminho em pequenos trajetos. Outro exemplo: quando tem de se preparar para um jantar, pense no tempo que vai demorar em cada etapa: comece por se organizar identificando os minutos que precisa de gastar para o banho, para a roupa, cabelo, maquilhagem e viagem.
 
Outro estudo de 2012, publicado no jornal Organizational Behavior and Human Decisions Processes, concluiu que incentivar as pessoas a recriarem uma tarefa mentalmente, mas do ponto de vista de um observador externo, também as ajudava a fazer previsões de tempo mais realistas.
 
A “chave” para o problema dos atrasos pode também passar pela organização do dia. Essa organização deve estar presente em todas as tarefas que implicam horários.
 
Um “segredo” também para melhorar esta condição, é planear em casa, em família e proporcionar essa aprendizagem a todos desde cedo.
 
Jeff Conte, professor na Universidade de São Diego, acrescenta que existem características de personalidade que podem contribuir para aquilo que é entendido como o “atraso crónico”. 
 
Segundo um estudo que realizou em 2003 com 181 operadores do metropolitano de Nova Iorque, as pessoas que preferiam fazer várias tarefas ao mesmo tempo (multitasking), atrasavam-se mais frequentemente.
 
De acordo com este professor, os indivíduos de tipo A – aqueles que têm um ritmo mais acelerado, orientados para a concretização de tarefas e com um comportamento mais hostil com o tempo – tendiam a ser mais pontuais e estimam que um minuto tenha 58 segundos. 
 
Os indivíduos do tipo B, que são mais descontraídos, tendem a atrasar-se e estimam que um minuto tenha 77 segundos. São 18 segundos que fazem toda a diferença.
 
No que diz respeito aos atrasos específicos no local de trabalho, podem ser uma consequência de outras coisas: baixos níveis de satisfação com a sua função e falta de compromisso com a organização.
 
Outros investigadores adiantam que os casos de atrasos crónicos podem estar relacionados com outros problemas de saúde, como depressão ou perturbação obsessivo-compulsiva.
 
Aprender a organizar, pensar nos que estão à espera, gerir o tempo de forma rigorosa, são os ingredientes para começar a ser pontual. 
 
Ás vezes, só custa dar o primeiro passo. Se pensar que pode perder transportes se chegar atrasado, ser descontado no vencimento no final do mês e amargurar os seus amigos pelos constantes atrasos, pode mudar a sua forma de encarar os seus compromissos.
 
AP
 
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