siga-nos | seja fã
PUB
 

O amor do séc. XXI

Imprimir Partilhar por email
17-08-2013 - 22:27
Há quem diga que o amor não escolhe idades, que o casamento é uma carta fechada ou que é para a vida… até que ponto se vive o amor da mesma forma no novo século?
 
Para os entendidos nesta matéria, o ser humano está numa fase de progressão, pelo que, tal como as demais áreas de vida, também os sentimentos são distintos dos vividos nas décadas anteriores; dos séculos anteriores, pelo que é bom saber o que mudou e qual a sua importância nos relacionamentos. 
 
Efectivamente, mudou a tolerância; hoje não faz sentido conceber um casamento ou uma relação duradoura que não faça os seus parceiros felizes. Ao mesmo tempo, as relações são baseadas numa maior exigência, uma vez que, ou existe respeito, cooperação, cumplicidade, sinceridade e afecto ou muda-se de relacionamento. 
 
A traição é cada vez mais um motivo de ruptura e de rejeição por parte dos cônjuges que entendem que, quando se assume um compromisso é para mantê-lo. Se uma das partes precisa de outra pessoa, que o assuma e termina a relação. 
 
As relações actuais têm vindo a substituir o encantamento do passado, a ilusão, o mistério e a sedução como requisitos e a dar lugar a um maior pragmatismo. Os casais unem-se por afinidades, numa escolha livre e nada impõe que a união seja para a vida, pois a duração é determinada pelo prazer que ambos sentem com a ligação amorosa. 
 
Quando o amor arrefece e não se encontram soluções, naturalmente que o fim da relação passa a ser a realidade. 
 
Podemos perguntar porque razão o amor mudou e obtemos como resposta que, a liberdade acarretou consigo uma maior consciência do que é amar e ser amado, do que é o respeito entre duas pessoas e de que é sempre possível alterar algo que não nos faz bem. 
 
Hoje sabe-se que o amor é a base da felicidade humana, logo um relacionamento deve fazer-nos felizes, quando tal não acontece e se apuram as causas, naturalmente que se procura a felicidade com outra pessoa mais disponível, mais compatível e mais empenhada na relação. Este é sempre o desejo consciente ou inconsciente de quem termina uma relação: encontrar alguém que nos ame e a quem possamos dar o nosso amor. 
 
O progresso trouxe também mais conhecimento, pelo que se passou do amor ingénuo, para um sentimento aceite pelo domínio racional. Passamos facilmente do encantamento para a procura da cumplicidade no outro. Deixou de se aceitar o amor sofrimento, o amor envolto em dramas, problemas e que nos sufoca para passarmos a conceber um amor descontraído, feliz e sinónimo de alegria e prazer. 
 
Tal como se concebe o amor como uma troca de afectos; um sentimento que se desenvolve entre duas pessoas e que dá lugar a um projecto de vida conjunta, não se permite que um dos elementos não assuma responsavelmente as “condições” acordadas. Pode parecer que se trata de uma sociedade e, no fundo não deixa de o ser. 
 
Existem normas para cumprir, pois os casais de hoje sabem que, o amor se perde quando começam os problemas, a sobrecarga de trabalho para um dos elementos, a falta de respeito para com o esforço do outro, isto para não falar no dinheiro que deve ser equilibrado e respeitado por ambos de uma forma semelhante, sob pena da relação não sobreviver. 
 
No passado, casava-se para cumprir uma imposição social, enquanto que hoje se contrai matrimónio ou se assume uma relação por prazer; pela necessidade de descobrir o outro e pela alegria de construir uma vida em comum com alguém que se ama e que se aceita tal como é, isto porque o outro aceita progredir e acompanhar as necessidades de cada etapa da relação. 
 
Outrora falava-se somente no casamento religioso e para a vida que não permitia a separação, enquanto que actualmente, o amor conhece um princípio, um meio e um fim caso as expectativas conjugais não sejam cumpridas. 
 
No entanto, é de realçar que, em muitas mentes continua a ideia de que, se nos separamos, ficamos sozinhos e arrastam-se vidas sem projectos, sem interesse e sem alegria, pelo que se pode afirmar que, lamentavelmente, ainda se cumprem muitos traços do passado, mas que, nas novas gerações, já existe uma tendência mais elaborada para seleccionar a relação que se quer manter. 
 
Deixamos de ter de cumprir as indicações sociais e familiares porque a própria família perdeu esse papel de autoridade no indivíduo, para podermos assumir quem queremos ao nosso lado, pelo que, tendencialmente caminhamos para um amor mais livre, consciente e responsável; bem à medida das capacidades intelectuais de hoje que, igualmente são mais exigentes que no passado. 
 
Num inquérito realizado a várias gerações, percebe-se que, é no grupo mais jovem que existe uma maior clareza no que se refere aos sentimentos. 
 
Os jovens de hoje exigem lealdade, confiança, fidelidade, respeito e carinho. Mas sabemos também que ainda existe muita violência no namoro e que, na sua maioria, são os jovens deste tempo que se assumem como agressores, talvez pelo que tenham assistido em casa, mas esses não são a maioria, muito menos o exemplo que queremos demonstrar. 
 
Depois, os adultos com 30 anos ou mais, são aqueles que vivem o conflito entre o amor de hoje e o do passado, pois cresceram com os valores dos pais e dos avós e não sabem muito bem onde colocar os novos padrões relacionais. 
 
Neste grupo temos um pouco de tudo, pessoas que amam como antigamente e que esperam o “príncipe encantado”, adultos exigentes que só mantêm uma relação por prazer e que aceitam a separação como uma consequência de uma união que não dá felicidade, e casais que se mantêm unidos ou a viver na mesma casa por causa dos filhos e para manter a “fachada” do casamento. 
 
Na geração dos 60 anos, homens e mulheres ainda aceitam com mais facilidade um casamento sem amor porque estão “habituados a viver assim”. 
 
Os inquiridos dizem ter vergonha de pensar na vida que têm e ainda mais numa possível separação. Não sabem falar de amor, mas sim de tolerância e de resignação: “É assim”! 
 
No entanto, é neste grupo que vão aumentando as separações, sobretudo porque as mulheres deixaram de tolerar os maus-tratos, porque os homens decidiram experimentar uma nova relação ou porque se dividiram os bens e cada um desafiou o seu direito de ser feliz no fim da vida! 
 
Não é por acaso que, é cada vez mais comum assistirmos a mulheres divorciadas que vão ao baile e a festas e que querem ser felizes nessa fase de vida. 
 
Com mais ou menos crise, o amor deste século tem acompanhado as tecnologias da informação e da comunicação, pelo que o computador ligado à internet é um requisito, cresce ou diminui nos SMS e termina ou ganha consistência ao sabor da alegria que se consegue viver em conjunto. 
 
Ainda assim, de um modo geral, o ser humano não está mais feliz com os relacionamentos, isto porque, até que se compreenda o rumo que se quer dar a uma relação, o sofrimento acaba por invadir as vidas que procuram alguém com quem partilhar não se sabe bem o quê… 
 
Parece fácil analisar a forma como se vive o amor actualmente, mas muito complicada a tarefa de o viver na realidade, pois ama-se quem não nos ama, somos traídos por quem confiávamos e parece que os valores continuam a desencontrar-se… 
 
Pode afirmar-se que, quem ama e é amado pode dar-se por muito feliz, pois isso é cada vez mais raro! 
 
De todo que, um relacionamento exige alguns requisitos para que se consolide e mantenha no tempo: disponibilidade afectiva, capacidade de amar e ser amado, planos que aceitam outra pessoa, consciência de si mesmo e daquilo que se é capaz de dar a alguém e, a necessidade de receber o que o outro tem para oferecer. 
 
A “receita” é simples, mas implica compreender que, temos de conseguir encontrar um lugar para os nossos amigos, familiares, para o nosso passado e ir dando espaço a que a relação com o outro cresça, sob pena de perder o sentido. 
 
Neste tempo, as pessoas querem ter tudo e ao mesmo tempo, pelo que, na maioria das vezes, não sabem onde colocar o parceiro/a, os filhos e os projectos conjuntos. A vida social é exigente e não há coragem para fechar a porta de casa e estar em família, desfrutar da harmonia e do tempo de lazer em conjunto. 
 
Saber e, estar disponível para conversar, analisar, apreciar o outro e ser feliz com pequenas coisas que, um dia após o outro vão ganhando expressão, é também fundamental para enriquecer uma relação, pois não há outra forma de conhecer outra pessoa e de a admirar, o problema é que se foge de tudo aquilo que nos leva até ao amor por medo de amar! 
 
Depois valorizam-se estas sensações quando a relação acaba e lamentamos não o ter feito, pois sozinhos temos tempo para pensar, para avaliar os erros e para não assumir que falhamos e procurar outra pessoa na esperança de que seja parecida à que acabamos de perder! 
 
Mas os erros, esses vão-se acumulando sem a humildade para dizer que não se deu o máximo numa relação. Continua a ser mais fácil projectar no outro as culpas do fim de um relacionamento e a iludirmo-nos de que fazemos sempre todo bem, mas numa relação as responsabilidades são sempre divididas para o bem e para mal. 
 
É importante reconhecer um erro para o poder corrigir e, quem quer viver uma relação estável, tem de aprender este requisito o quanto antes, pois não é vergonhoso pedir desculpas a quem se ama. Mais vergonhoso seria pedir a uma pessoa exterior à relação e fazemo-lo com tanta facilidade… 
 
É preciso entender que, a pessoa com quem dividimos a nossa vida, deve ser aquela em quem confiamos, a quem somos capazes de dizer “amo-te”, “desculpa” e expressar os nossos sentimentos mais íntimos e verdadeiros. 
 
Se repararmos, após uma separação, assumimos esse tipo de comportamentos com os nossos amigos, mas nunca o fizemos com quem amamos por medo, por orgulho e pela incapacidade de reconhecer que, se o fizermos, quebramos barreiras com aqueles que amamos e tornamos o amor mais simples, livre e feliz. 
 
Passamos muito mais tempo da nossa vida a procurar que a encontrar e, quando nos apercebemos que poderíamos ter sido muito felizes, entramos num estado de ansiedade enorme na procura de alguém; uma pessoa qualquer que nos preencha o vazio… 
 
Seria bem mais fácil que desde pequenos desenvolvêssemos alguma persistência que nos permitisse analisar o outro e ter tempo para ver se aquela pessoa dá ou não sentido à nossa vida. 
 
Tal acontece com uma educação baseada no afecto, na compreensão, no respeito e exigência, mas a maioria dos adultos de hoje não conheceu esse modelo, pelo que terá de o desenvolver ás suas custas, sob pena de perder muitas experiências com uma pessoa e de passar parte da sua vida sem conhecer o amor. 
 
Os casais que encontraram o amor a dois afirmam que, um primeiro requisito passa pela disponibilidade para o outro e para uma relação. Essa capacidade implica ter tempo para si, para o outro e para construir objectivos realistas em conjunto. 
 
O amor é a soma de momentos e não uma teoria aplicada ao dia a dia, é outra condição a par da noção de realidade e da capacidade de incluir alguém na nossa vida para além dos aspectos pessoais. 
 
Os mesmos casos bem sucedidos avançam que, existe uma idade para cada experiência, sendo que os amigos devem ser actualizados na relação e respeitar o tempo que lhes é dispensado, tal como a família deve entender que, o seu espaço mudou e para que continuem a manter-se os laços, é preciso esperar a disponibilidade do casal, pois sem estas regras, a relação não resiste á falta de diálogo, ao tempo para estar a dois e para apreciar aquilo que os mantêm juntos. 
 
Incluir alguém implica cedências de parte a parte, bem como um encontro de sentimentos, de ideais e de motivos de partilha, pois um casal que passa grande parte da sua vida afastado, acaba por não construir cumplicidade, afirmam os mesmos inquiridos. 
 
Respeitar em troca de respeito é outra condição numa sociedade cada vez mais egoísta e onde o sujeito se centra cada vez mais em si mesmo. Muitas relações terminam porque um dos parceiros só pensa nos seus interesses e se esquece dos do outro que deveriam ser o mais possível compatibilizados. 
 
Continua a ser habitual que o tempo para os amigos seja indiscutível, motivo pelo qual as relações se ressentem. A confiança e a falta dela resulta precisamente dessa falta de atenção à relação, pois muitas vezes, a amiga é a confidente, enquanto que o parceiro nada sabe do que se está a passar e, isto é um hábito ancestral que deve ser transformado. 
 
Encontrar o par amoroso implica saber muito bem aquilo que se é e, aquilo que se espera de alguém, pois caso contrário, serão os amigos o escape e, o regresso a casa não é a alegria desejada, mas sim um “frete”. 
 
Assim, o amor goza de boa saúde quando: ambos dispõem de tempo com alegria para o relacionamento, para passear, para conviver, quando têm vontade de estar juntos, para planear férias e outras aspirações, quando as escolhas são feitas a dois, quando os filhos são uma alegria para o casal, quando se conversa e se sabe onde colocar os amigos e a família de ambos. 
 
É uma tarefa difícil? Não! Basta que se ame e se seja amado, pois quando não se sente amor, procura-se fora de casa uma alternativa! 
 
No século XXI, o amor é encontrar no outro as características que se compatibilizam connosco e a necessidade de as desenvolver e fazer evoluir em conjunto, pelo que caiu por terra a teoria de que os opostos se atraem, pois essa já deu provas de vidas infernais… afinal, como se pode amar alguém oposto a nós? 
 
Ama-se quem nos entende, quem nos preenche, com quem gostamos de estar e de conversar, com quem queremos experimentar variadíssimas experiências, com quem temos prazer na intimidade e com quem gostamos de acordar ao nosso lado… 
 
Não é por acaso que “não se ama quem não ouve a mesma canção”! 
 
Para que alguém nos ame, o primeiro requisito é que nos amemos a nós próprios, que saibamos aquilo que queremos, que sejamos capazes de dar e receber e que aceitemos mudar alguns traços da nossa personalidade em função das cedências do outro. 
 
Quando tal não acontece, é muito difícil encontrar o amor, pois estamos fechamos para o mundo no nosso próprio mundo onde não há entrada de ninguém…
 
 
COMENTÁRIOS
 
MAIS NOTÍCIAS
-

A dieta “infalível” para este verão!



-

Precisa de um “jeitinho”? Conheça outros hábitos (muito) portugueses!



-

Para avançar, é preciso “virar a página”!



-

Aprenda “a ser importante” para os outros



-

“A Internet está a tornar-nos mais estúpidos?”



PUB
 
NOTÍCIA MAIS LIDA DO MOMENTO
Hélder​ ​Semedo​ ​despede-se​ ​da​ ​vida autárquica​ e "provavelmente" da vida política

Hélder​ ​Semedo​ ​despede-se​ ​da​ ​vida autárquica​ e "provavelmente" da vida política

ver mais
 
 
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Associação Movimento Juvenil em Olhão vence Prémio "Boas Práticas 2017 - Associativismo Juvenil"

Associação Movimento Juvenil em Olhão vence Prémio "Boas Práticas 2017 - Associativismo Juvenil"

ver mais
 
ACRAL promove debates com candidatos às autárquicas nos concelhos de Faro, Tavira e Loulé

ACRAL promove debates com candidatos às autárquicas nos concelhos de Faro, Tavira e Loulé

ver mais
 
Lagoa:GNR fez 19 detidos em festival de música eletrónica

Lagoa:GNR fez 19 detidos em festival de música eletrónica

ver mais
 
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Fichas de Leitura» Desporto» Click Saúde
» Economia» Figuras da nossa Terra» Política» CX de Correio