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Não podemos viver sem amor

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17-08-2013 - 23:05
Segundo alguns entendidos, o amor é a base do equilíbrio e da estabilidade humana, simplesmente é muitas vezes descurado, camuflado e desviado das atenções como forma de protecção.
 
Para esclarecer um pouco melhor esta dualidade entre o sentir e o não querer sentir ou assumir o que realmente nos envolve em termos emocionais, é importante ter em conta que, no cérebro humano funcionam um conjunto de conexões que ultrapassam a razão e que nos colocam ao nível dos demais mamíferos. 
 
Quer isto dizer que, apesar de sermos racionais, existe uma área do cérebro que se activa a partir das sensações que os outros nos transmitem. Perante este contacto em milésimos de segundo, o nosso cérebro desperta ou não interesse pela outra pessoa e sabe muito bem que tipo de relação quer desenvolver a partir dessa sensação. 
 
Perante esta realidade momentânea a que muitos chamam paixão, verificamos que se trata de algo inato e até mesmo controlável, uma vez que ultrapassa a dimensão racional e se projecta no domínio do subjectivo; do irracional e do afectivo. 
 
Perante o conjunto de memórias que nos ficam arquivadas desde o berço, verificamos que, ao nos ser proporcionado um momento semelhante, o nosso cérebro sabe diferenciar o positivo do negativo e o agradável do desagradável, a ponto de sentir um conjunto de emoções e de ser capaz de idealizar um percurso com uma pessoa que se viu em breves instantes, ou rejeitar alguém só porque o impacto inicial foi negativo. 
 
A partir desta constatação comprovada cientificamente, torna-se claro perceber que, se não nos envolvemos emocionalmente com outra pessoa é porque, a partir desse acto irracional, programamos o nosso cérebro para atitudes defensivas que acabam por controlar essas sensações. 
 
Nesta sequência, torna-se evidente que, naturalmente apaixonamo-nos, mas que racionalmente nos afastamos, seja por traumas, medos, outras preferências, falta de disponibilidade afectiva porque se está envolvido com outra pessoa, ou outros problemas de ordem psicológica. 
 
Recorde-se que, o facto de não amar alguém não é normal e que, quando nos apaixonamos por alguém que não nos corresponde, isso significa que temos essa disponibilidade alerta e que, mais cedo ou mais tarde, vamos encontrar essa correspondência. 
 
Claro que, se rejeitarmos os sentimentos permanentemente e sem uma razão concreta e explicável, devemos repensar no que se passa connosco e procurar apoio atempado, sob pena de perder grande parte da vida na solidão e a desesperar aquilo que não passa de um problema com solução desde que seja tratado. 
 
Em suma, o amor é algo inato; que deriva da espontaneidade afectiva e que requer alimento, por isso faz todo o sentido que o ser humano se enamore, se envolva e desfrute deste poder natural, mesmo que a paixão ocorra várias vezes ao longo da vida, pois até que encontremos aquela pessoa com quem possamos dividir o nosso mundo emocional, é possível que façamos várias tentativas, pois a par desta realidade, conhecemos a cumplicidade que se constrói a partir do tempo e do desenvolvimento afectivo, temos o prazer que se acrescenta a partir da troca e ainda a necessidade de partilhar algo com o outro, mas tudo isso surge de um primeiro contacto positivo que se deixa evoluir serenamente e com a energia emotiva do outro. 
 
Já sabe, amar não é difícil, o que pode complicar é o lado racional que, nem sempre aceita as coisas simples e os sentimentos verdadeiros e quer um estado tão superior que não existe em humanos.  
 
 
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