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Mimo e afecto não são a mesma coisa!

Mimo e afecto não são a mesma coisa!
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15-02-2016 - 19:14
Os especialistas afirmam sem receios que os mimos e os afectos “não prejudicam nem estragam as crianças”, muito pelo contrário, “reforçam os laços entre pais e filhos”, no entanto, Ana Margarida Marcão sublinha que, “é fundamental não esquecer a disciplina e a qualidade desses afectos.”
 
Carolina Martins Faria não tem dúvidas de que, “os tempos modernos têm vindo a conferir novos contornos à expressão afectiva. A relação física tem vindo a ser substituída pela oferta de bens materiais que, em teoria, manifestam um acto de carinho de pais para filhos, mas na prática, não assumem a marca do abraço que se troca quando se deixa a criança na escola ou quando acontece o reencontro no final do dia.”
 
A mesma especialista salienta que, “os pais não se podem condenar pela falta de tempo e pelos dias agitados que vivem, pois o estilo de vida não permite tudo o que seria desejável construir numa relação entre pais e filhos, contudo, há pequenos gestos que marcam para a vida e que não podem ser dispensados, pois caso contrário, limitamo-nos a ser pais que alimentam, asseguram os cuidados de higiene e educação.”
 
Reforçando que a componente afectiva é fundamental para o desenvolvimento humano nas várias etapas de vida, a mesma especialista clarifica que, “as demonstrações físicas de afecto estão mais presentes na infância, altura em que as crianças estão mais dependentes dos pais e que a própria satisfação das suas necessidades básicas implica um contacto mais próximo.”
 
À medida que as crianças se desenvolvem (física, cognitiva e emocionalmente), “tendem a procurar a independência dos vários adultos a quem estão vinculadas, diminuindo a necessidade deste contacto físico, sem no entanto, deixarem de necessitar de outras manifestações de afecto, verbais e comportamentais, de maior complexidade, que as apoiem nos novos desafios das etapas do seu desenvolvimento”. 
 
Neste sentido, Carolina Faria defende que, “as manifestações afectivas devem estar presentes desde o primeiro dia de vida da criança e sem prazo de validade.”
 
Muitos pais abdicam dos afectos por considerarem que ‘os mimos’ prejudicam o desenvolvimento, “mas esse desinvestimento é uma ideia errada já que, as crianças não são ‘estragadas’ por demasiado afecto, são ‘estragadas’ por falta de disciplina”, sublinha Ana Margarida Marcão.
 
“O tempo, a disponibilidade física, intelectual e emocional para estar atento e investir na transmissão de afecto vai-se perdendo nos árduos dias de trabalho, que deixam um escasso tempo livre para serem pais”, lamenta a psicóloga, sugerindo que “a única forma dos pais manterem um laço forte com as suas crianças é construir um hábito quotidiano de conexão ou ligação: por exemplo, dar um abraço à criança antes de a deixar na escola, quando a vai buscar e quando a põe a dormir”.
 
A mesma especialista acredita que “esse investimento afectivo é capaz de mudar o decurso de toda a relação entre pais e filhos. É através do afecto que se educa, que se explica o mundo, que se constrói um laço forte entre pais e filhos e, sem sombra de dúvida, é com essa qualidade afectiva que se desenvolvem adultos estáveis e felizes.”
 
Recordando que uma boa parte dos seus pacientes se queixa da falta de afecto dos pais e da ausência de um abraço, a psicóloga não coloca quaisquer reticências quanto à importância dessa expressão afectiva no desenvolvimento humano.
 
“Rapidamente se passou para a compensação, para o uso de objectos que preenchem a atenção e fazem de conta que confortam, mas na realidade, é o contacto físico que supera todos os desejos em termos afectivos.”
 
O mimo passou a ser encarado como “o deixar a criança fazer tudo” para compensar a falta de tempo dos pais e, “na maioria dos casos, assume um papel constrangedor e dúbio na educação, já que os filhos se sentem asfixiados com tanta liberdade; sem qualquer tipo de orientação ou exigência, sem disciplina e, com uma enorme carência afectiva.”
 
A criança decide o que quer fazer, como quer fazer e enfrenta os pais. “Este é o modelo prevalente em muitas famílias em que a falta de tempo resume a falta de afecto e de atenção.”
 
Com essa “liberdade”, a criança cresce sem saber qual a importância que tem na vida dos pais, com dúvidas face ao seu desempenho e com dificuldade em se relacionar com os outros, salienta a psicóloga.
 
Ana Margarida Mação não tem dúvidas de que o abraço trocado entre pais e filhos é a base para uma relação estável, duradoura e verdadeira. “A falta de afecto físico e intimidade emocional podem causar grande dor psicológica a uma criança e essa dor pode persistir na idade adulta como a causa subjacente de disfunção social”.
 
A psicóloga Ana Margarida Marcão explica: “A consciência do corpo está relacionada com a consciência emocional e intelectual. A falta de toque e espontaneidade emocional nas famílias leva a que os indivíduos não aprendam a reconhecer as suas próprias experiências emocionais”. 
 
Assim, podem vir a “reprimir as suas emoções, sofrer de doenças psicossomáticas e/ou confundir a necessidade de simples afecto físico com desejo sexual”. 
 
A ausência de demonstrações de afecto e falta de toque “conduz a ressentimento, raiva e à sensação de não se ser querido”. 
 
Por tudo isto, as crianças “precisam ser tocadas e acarinhadas para desenvolverem intimidade emocional”. E tudo pode começar com um abraço, sublinha a psicóloga.
 
Trocar esses momentos por brinquedos ou guloseimas, é como que inverter o próprio ciclo da natureza, pois as mães sabem, instintivamente, que o toque tem um poder extraordinário: é através dele que acalmam o bebé que chora, pegando-lhe ao colo, confortando-o nos braços, ou massajando-lhe a barriga quando tem cólicas. Mais tarde, quando caem e se magoam, não há curativo melhor do que um beijinho do pai ou da mãe.
 
Sem perder de vista a importância do pai na educação, nunca é demais reforçar que o afecto da figura masculina assume elevada relevância no desenvolvimento e deve ser construído diariamente por ambos os progenitores.
 
A mesma psicóloga recorda que, “os estudos científicos vêm apenas confirmar o que as mães já sabiam: o toque tem poderes benéficos para a saúde e o bem-estar. E com esta crescente evidência, há cada vez mais hospitais a incorporar terapias complementares, como as massagens, aos protocolos para doentes oncológicos ou do foro cardiovascular, por exemplo. 
 
Os efeitos não surgem só através de terapias mais sistematizadas, como a reflexologia, mas de gestos tão simples como partilhar um abraço, fazer uma massagem nos ombros ou simplesmente dar as mãos.”
 
 
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