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Manuel Cabanas

Manuel Cabanas
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24-11-2013 - 22:23
Manuel Cabanas é um algarvio notável cuja história merece ser enaltecida num espaço de homenagem.
 
 
Nunca é demais adiantar que, a autarquia de Vila Real de Santo António tem reconhecido o talento e a obra deste seu conterrâneo, sem esquecer que, na sua terra natal está exposta uma estátua de bronze em sua memória. 
 
Manuel Cabanas nasceu em Vila Nova de Cacela, concelho de Vila Real no dia 11 de Fevereiro de 1902 e faleceu em Faro a 25 de Maio de 1995. 
 
Com um percurso notável de 93 anos, Manuel dos Santos Cabanas ficou conhecido e reconhecido como Xilogravador, profissão que lhe deu o estatuto de “Mestre” Cabanas na terra que o viu nascer e na região em geral. 
 
Foi autodidacta e um republicano português, membro fundador do Partido Socialista português. 
 
Fazendo parte de uma família de modestos agricultores, Manuel Cabanas descobriu desde a tenra idade o valor do trabalho e da ligação ás artes e ao campo onde vivia e ajudava os pais. 
 
Os seus estudos foram acompanhados das lides do campo e, aos 18 anos de idade, passou a trabalhar como encarregado da manutenção das mercadorias e das bagagens na ferrovia, profissão que lhe mudou completamente o rumo de vida. 
 
Dois anos mais tarde, mudou-se para o Barreiro, passando a desenvolver cargos e funções no Sindicato dos Ferroviários do Sul e Sueste, mobilizando a classe trabalhadora para a defesa dos seus direitos, o que naquela época era considerado um delito subversivo pelo fascismo. 
 
Em 1927, o seu percurso político começava a ganhar alguma expressão quando teve o primeiro embate com a ditadura, já que a convite do almirante Mendes Cabeçadas Júnior, também algarvio, integrou a comissão revolucionária local. 
 
Foi nesse ano que Manuel Cabanas foi preso pela primeira vez, ainda que durante pouco tempo. Ainda assim, recebeu como represália, a realização de um trabalho comunitário em horário nocturno na estação de comboios da Moita do Ribatejo, tendo lá permanecido durante dez anos. 
 
Enquanto cumpria o castigo, Manuel Cabanas mantinha a actividade política de oposição ao regime, ainda que em sigilo, o que o levou a relacionar-se com importantes intelectuais e políticos portugueses com quem participou em actos políticos e aprendeu muito. 
 
Ainda durante o regime fascina vigente, Manuel Cabanas envolveu-se na realização de obras de melhoramento social da classe dos trabalhadores e, entre 1924 e 1930, fez parte da direcção do Asilo D. Pedro V, no Barreiro, uma instituição com muitas carências que, Manuel Cabanas ajudou a promover a melhoria de serviços e equipamentos. 
 
Com um percurso sempre muito activo, somou mais dezoito anos de grande dinamismo em torno da Comissão Nacional de Assistência aos Tuberculosos, situação que o levou novamente para a prisão, já que era um resistente lutador pelos seus ideais. 
 
Refira-se que Cabanas participou em todas as acções de vulto da Oposição Democrática, mantendo-se ligado à tendência socialista tendo sido Co–Fundador do Partido. 
 
Após a Revolução do 25 de Abril de 1974, contando já 72 anos de idade, Manuel Cabanas foi eleito deputado à Assembleia da República, concretizando um sonho antigo de poder intervir no poder para ajudar o povo. 
 
Se o seu percurso como político foi marcado pela luta, não menos expressiva de esforço foi a sua ligação à actividade artística, isto porque em 1938, Manuel Cabanas desenvolveu uma intensa actividade no campo da gravura em madeira, encetando uma ruptura abrupta com as técnicas tradicionais de gravação do seu tempo. 
 
Começou por entregar os seus desenhos xilogravados ao seu amigo pintor Américo Marinho e, com o passar do tempo, o Mestre Cabanas passou a desenhar para posteriormente esculpir na madeira de Buxo. 
 
Em 1939 começou a expor os seus trabalhos, o que lhe valeu vários prémios, entre eles a medalha de ouro das Belas Artes. 
 
Nas três décadas seguintes, dirigiu as campanhas da oposição no Distrito de Setúbal e foi mandatário dos candidatos presidenciais oposicionistas. 
 
Teve de se aposentar compulsivamente da CP em 1963, por razões políticas, passando a ser funcionário da ordem dos advogados e professor do ensino técnico, sendo demitido deste, em 1968, por ser considerado opositor aos altos interesses do Estado. 
 
Pode dizer-se que, Manuel cabanas só conseguiu “respirar fundo” após a Revolução dos Cravos, uma vez que, foi por essa altura que se assumiu como chefe de Redacção da Revista do Povo e deputado do Partido Socialista na Assembleia da República. 
 
Foi sócio efectivo da Sociedade Nacional de Belas-Artes e, em 1974, doou o essencial da sua obra xilográfica original e a sua colecção de arte ao Museu Municipal de Vila Real de Santo António, sendo o seu Conservador nos últimos anos de vida. 
 
A sua colecção artística encontra-se presentemente à guarda do Centro Cultural António Aleixo, em Vila Real de Santo António, onde os interessados podem testemunhar a sua obra. 
 
Em termos de reconhecimentos públicos, Manuel Cabanas foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade, no grau de Comendador, pelo então Presidente da República, General Ramalho Eanes. 
 
Em 1991, foi agraciado pelo Presidente da República, Mário Soares, com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. 
 
Em 1983, também a Câmara Municipal do Barreiro decidiu homenageá-lo na área das Artes e Letras. 
 
Desta forma, Manuel Cabanas mostrou ter dedicado todo o seu percurso à causa pública, tendo sido capaz de embelezar a sua luta com um trabalho artístico notável. 
 
(Actualização:11-02-11)
 
 
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