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Lutegarda Guimarães de Caires

Lutegarda Guimarães de Caires
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22-08-2013 - 16:52
Enaltecer Lutegarda Guimarães de Caires, é percorrer a vida e obra de uma mulher cujo trabalho ainda é visível nos nossos dias devido a um exemplo extraordinário e aos livros publicados.
 
 
Natural de Vila Real de Santo António, esta mulher nascida em 1873, é uma referência no país da sua época, uma vez que se dedicou a diversas actividades, onde alterou formas de estar e de pensar do seu tempo e que “causou incómodo” a poderes instituídos. 
 
Lutegarda de Caires faleceu em 1935 sem nunca ter esquecido a terra que a viu nascer e, uma prova disso é o poema de sua autoria, que ilustra o busto feito em sua homenagem, localizado num importante jardim de Vila Real de Santo António. 
 
Ainda que se desconheçam alguns pormenores do seu percurso, é de realçar uma vida cheia de vivências, angústia e muito trabalho dedicado aos outros. 
 
Desde a tenra idade que, Lutegarda Guimarães deixou o Algarve e passou a viver em Lisboa. 
 
Na capital portuguesa conheceu e casou-se com o advogado madeirense João de Caires, um homem de cultura, que era escritor e fundador da Sociedade de Propaganda de Portugal, e que organizava em sua casa serões literários frequentados pelos mais ilustres nomes da cultura da época. 
 
Logo no início do casamento sofreu a perda de uma filha (e provavelmente ainda de outro filho), situação que a marcou profundamente e que acabou por motivar um estilo de escrita mais triste e nostálgico. 
 
A partir daí, decidiu dedicar-se a causas sociais, a mais conhecida das quais a visita a crianças doentes no Hospital de Dona Estefânia levando-lhes roupas, brinquedos e rebuçados. 
 
Em 1895 nasceu o seu filho Álvaro Guimarães de Caires, que se formou em Medicina e, ao mesmo tempo, foi professor na Universidade de Sevilha, escritor e investigador. 
 
Mulher atenta aos problemas e injustiças do seu tempo, a partir de 1905, começou a colaborar em jornais com artigos de cariz social. A sua primeira obra intitulou-se "Glicínias" e foi editada em 1910. 
 
Com a implantação da república em Portugal, em 1911 Lutegarda foi contactada pelo então Ministro da Justiça Diogo Leote, que lhe propôs um estudo ás condições de vida nas penitenciárias portuguesas. 
 
Na época as prisões eram mistas e Lutegarda foi conhecer a realidade dos presos, em particular as condições de vida das reclusas. 
 
Lutegarda denunciou péssimas condições em que viviam os prisioneiros e os seus artigos conseguiram ter o efeito de abolir a máscara nas prisões, que era forçada em presos com determinadas penas mais duras, bem como a obrigatoriedade da pena de silêncio. 
 
Ao mesmo tempo, esta mulher também conseguiu que as mulheres tivessem melhores condições de higiéne nas cadeias. 
 
Durante dez anos, Lutegarda de Caires promoveu o evento denominado "Natal das Crianças dos Hospitais", evento que inspirou “O Natal dos hospitais” emitido pela RTP. 
 
Com os seus artigos publicados em diversos jornais como "O Século", "Diário de Notícias", "A Capital", "Brasil-Portugal", "Ecos da Avenida" e "Correio da Manhã", esta activista lutou sempre pela igualdade de oportunidades e pela dignidade para as mulheres. 
 
O Governo português agraciou-a com a Ordem de Benemerência, pela sua dedicação às crianças e com a Ordem de Santiago e Espada. 
 
Em termos de reconhecimento, também a cidade de 
Vila Real de Santo António a homenageou concedendo-lhe lugar na toponímia local, e erguendo um busto junto ao rio Guadiana com as estrofes finais do seu poema mais conhecido: 
 
"Tornei a ver te! Agora os meus cabelos 
embranqueceram já... longe de ti. 
Foram-se há muito aspirações e anelos 
mas as saudades ainda as não perdi. 
 
Mas volto à minha terra, tão bonita! 
Terra onde reina o sol que resplandece, 
aonde a vaga é murmurar de prece 
e sinto ainda a ternura infinita. 
 
É que não há céu de tal 'esplendor 
nem rio azul tão belo e prateado 
como o Guadiana, o meu rio encantado 
de mansas águas, suspirando amor! 
 
Obras publicadas: 
 
Glicínias (1910) 
Papoulas (1912) 
A Dança do Destino: contos e narrativas (1913) 
Bandeira Portuguesa (1910) - obra em que defende a manutenção das cores azul e branca na bandeira de Portugal (polémica em que intervieram muitos nomes da cultura portuguesa) 
Dança do Destino" (1911) 
Pombas Feridas (1914) 
Sombras e Cinzas (1916) 
Doutor Vampiro (1921, romance) 
Violetas (1922) 
Cavalinho Branco (1930) 
Palácio das Três Estrelas (1930) 
Inês (peça de teatro em co-autoria com Manuel Vieira Natividade e Virgínia Vitorino) 
Libretto da ópera Vagamundo, musicada por Rui Coelho 
 
Lutegarda de Caíres deixa-nos viva uma referência de trabalho, de luta e uma mostra de que é sempre possível alterar aquilo que parece instituído e inquestionável: é tudo uma questão de talento e de vontade. 
 
(Actualização:31.01.13)
 
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