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Grupo de Charolas União Bordeirense

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03-01-2016 - 22:32
Pelo elevado interesse que desperta, por uma história riquíssima e pela cultura que transmite, o Algarve Primeiro convidou o grupo de Charolas União Bordeirense a falar do seu percurso e tradição, da mensagem que encerra em cada som que produz e, acima de tudo, das razões que alicerçam a sua jovialidade e continuidade.
 
O primeiro contacto foi estabelecido com uma jovem bordeirense que integra o grupo e que gentilmente nos compilou toda a informação solicitada, pelo que não podemos deixar de prestar o nosso agradecimento a Liliana de Sousa e à sua enorme capacidade de mobilização, sem esquecer o seu empenho e a genuinidade com que nos brindou.
 
O mesmo reconhecimento estende-se a Rui Vargues e aos quase trinta elementos que constituem a Charola União Bordeirense que, anualmente nos brinda com o seu talento e motivação para manter a história de Bordeira e prolongar a tradição.
 
Cada elemento tem o seu papel no grupo. Em Novembro quando é dado o mote para os ensaios, é Rui Vargues quem tem a incumbência de organizar e planear tudo.
 
“Os ensaios desta charola começam normalmente em Novembro. Tudo é organizado e planeado por Rui Vargues que anualmente contacta e se encontra com os músicos, agenda os ensaios, disponibiliza a casa dos seus pais para servir de local de ensaio. Ainda dispõe de talento e criatividade para escrever letras para as músicas e para levar o grupo a dar o seu melhor em cada atuação.” É indiscutível que, “Rui Vargues, é um forte e indispensável pilar desta União Bordeirense.”
 
De salientar que, “as Charolas são a manifestação cultural mais tradicional e genuína da Freguesia de Santa Bárbara de Nexe.”
 
Nos primeiros dias de cada ano, grupos de homens e mulheres, acompanhados de instrumentos (acordeão, castanholas, pandeiros, ferrinhos e por vezes clarinete e/ou saxofone), atuam em Festivais na Freguesia e arredores, nos cafés da zona e em casas de amigos, entoando cantigas e lançando quadras improvisadas (“vivas”), num clima de amizade e alegria.
 
De acordo com o grupo União Bordeirense, “as Charolas saúdam a chegada do ano novo, evocam a tradição e os melhores tempos do passado e são um acontecimento de marcada alegria e partilha, que incluem por vezes uma componente crítica.”
 
A origem das Charolas no Algarve remonta a vários séculos, mas o movimento charoleiro organizado terá começado a despontar entre 1918 e 1920, no final da I Guerra Mundial, quando os bordeirenses se organizaram para receber e saudar com alegria os seus conterrâneos que regressavam da guerra. “É assim de compreender que em Bordeira, Freguesia de Stª Bárbara de Nexe, esta tradição assuma especial importância, sendo que este pequeno sítio, tem no ativo 5 grupos charoleiros: Democrata, Juvenil Bordeirense, Juventude União Bordeirense, Mocidade União Bordeirense e União Bordeirense.”
 
No que concerne a Charolas, não há concursos ou prémios. A existência de concurso foi uma realidade em Bordeira, no entanto há mais de duas décadas que não se realiza. “Não faria sentido escolher os melhores, quando todos os grupos são diferentes e têm particularidades próprias mas têm o mesmo propósito e surtem o mesmo efeito em quem as escuta… Todas as 5 charolas de Bordeira são as melhores a cumprir o seu papel na sua terra – lembrar o passado, viver o presente e preparar o futuro, honrando os antepassados e vangloriando Bordeira.”
 
A União Bordeirense é a segunda charola mais antiga de Bordeira, tendo sido formada em 1919.
 
“Com 96 anos de história, esta charola passou por interrupções e por ela passaram vários elementos/grupos, mas a bandeira da charola está desde 1989 na posse do atual grupo, com algumas alterações na composição do grupo mas sem interrupções.”
 
Hoje em dia, a União Bordeirense é formada por aproximadamente 30 elementos – 4 porta-bandeiras, 4 músicos (3 acordeonistas e 1 saxofonista), 8 tocadores de castanholas, 10 tocadores de pandeiros, 1 tocador de ferrinhos e 1 começador.
 
Esta charola atua, ano após ano, nos festivais de Bordeira e Santa Bárbara de Nexe, no Encontro de Charolas que tem lugar no Teatro das Figuras em Faro, em cafés da zona, em casas particulares, no Cinema de Estoi e em todos os locais que solicitem a sua presença.
 
“Enquanto que existem charolas no sítio que obedecem a determinado intervalo de idades (como a Juvenil Bordeirense, por exemplo), a União Bordeirense acolhe e agrada do mais novo ao mais velho. O membro mais novo, Rodrigo Vargues, tem 13 anos e o mais velho é o saxofonista Germinal que tem 75 anos.
 
O sr. Germinal não é filho de Bordeira mas é um elemento chave, que diferencia a União Bordeirense das restantes charolas, por ser a única com saxofone em Bordeira. Mesmo não sendo bordeirense, vive com fervor esta tradição e no primeiro dia de atuações do ano (dia de ano novo) celebra o seu aniversário no seio deste grupo.”
 
Da história da União Bordeirense, “são de destacar os membros, Carlos Neves, Rui Vargues, Teodoro e António Pinto que são quem já conta mais anos no grupo”. (logo mais sabedoria e entusiasmo!)
 
Em Bordeira e nas redondezas, a União Bordeirense é conhecida como a “charola do Tó Marroco” que “é a alcunha de António Pinto, tocador de castanholas e homem forte para as ‘vivas’, que dá uma especial genuinidade e singularidade ao grupo.”
 
Nos ensaios, “entre um cálice de medronho e uma fatia de bolo, entre conversas e risos, vão-se criando as pancadarias, ensaiando os cânticos e afinando todos os pormenores para sair à rua no ano novo.”
 
Chegado o ano novo, “os dias fixos de atuações são 1 e 6 de Janeiro, sendo que há mais 2 ou 3 dias variáveis. O Dia de Reis é praticamente feriado em Bordeira. É o dia grande das charolas.”
 
A União Bordeirense “é apresentada por Rui Vargues e cada atuação é iniciada pelo som do seu inconfundível apito.”
 
Seguidamente, “o grupo brinda os presentes com a “Marcha de Entrada”, tocada e cantada; a qual se segue do “Estilo”, composto por pancadaria, estilo cantado por Vítor Simplício e coro. Segue-se a “Valsa das Vivas”, em que membros da Charola e do público versam (dizem ‘vivas’) dedicadas aos presentes, à união, à tradição e ao passado glorioso, dando-se por vezes também lugar a alguma crítica política e social. A atuação termina, por norma, com a “Marcha de Saída”, tocada e cantada, mas a União Bordeirense por vezes brinda o público com uma Marcha ‘extra’, que considera o seu hino.
 
Para envolver ainda mais os nossos leitores neste percurso que merece ser evidenciado, de realçar o espírito do grupo:“A União, grupo lindo que se formou honestamente e sem ter vaidade”, é um grupo onde imperam “a simplicidade, a amizade, os laços, as afinidades e a união. Dia 1 de Janeiro de 2016, este grupo saiu mais uma vez, porque sim... pela tradição! Pela amizade! Pelo passado! Por Bordeira!”
 
E mais!
 
“Sou União Bordeirense
 
E o que é isso afinal?
 
Só percebe quem pertence
 
A este grupo sem igual!”
 
I
 
Sou de um grupo diferente
 
Ao qual o tempo não vence
 
Gritarei eternamente
 
Sou União Bordeirense
 
II
 
P´ra muitos, pouco dirá
 
Não importa , não faz mal
 
Mas perguntam, digam lá?
 
E o que é isso afinal?
 
III
 
É difícil explicar
 
Cada um pense o que pense
 
Não há cá voltas a dar
 
Só percebe quem pertence
 
IV
 
É amizade a valer
 
É sentir algo especial
 
É ter honra em pertencer
 
A este Grupo sem igual
 
(Rui Vargues)
 
Para comprovar, só basta assistir e aplaudir todo este trabalho que tanto orgulha as gentes de Bordeira!
 
 
 
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