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Fica feliz com a desgraça dos outros?

Fica feliz com a desgraça dos outros?
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18-07-2016 - 11:15
Então vale a pena ler este artigo e compreender o que está na base do que é, aparentemente um sentimento destrutivo e negativo.
 
A alegria em função da tristeza de alguém é um reflexo da permanente comparação em que muitas pessoas vivem, chegando ao ponto de se sentirem “aliviadas” quando ocorre uma queda na vida de alguém, em especial de pessoas que lhe são próximas.
 
A perda de algo traduz uma diminuição de forças, o que naturalmente é entendido como uma oportunidade para que outros ganhem esse espaço.
 
Dos muitos estudos já realizados sobre o assunto, resume-se que, este sentimento de comparação se reflete com mais intansidade em relações familiares, amizades ou entre colegas de trabalho. Vejamos que, é mais fácil que um funcionário se revolte com o colega por ganhar mais mil ou dois mil euros por ano do que com o chefe que aumenta dez ou vinte vezes esse valor no seu vencimento. 
 
Ao mesmo tempo, é mais difícil de aceitar que a filha de uma amiga teve melhoras notas que a nossa ou que, um familiar ganhou um prémio que nos “dava imenso jeito!”
 
O ser humano é invejoso por natureza e gosta de comparar-se aos demais com o intuito de se sentir superior. Muitos entendidos colocam os portugueses numa posição de destaque no que se refere a estes sentimentos, já que se afirma que Portugal é um dos países com mais invejosos do mundo.
 
Uma justificação para este problema é a necessidade de se comparar a alguém ou a uma família que, no passado, provocou algum tipo de humilhação. Como o povo luso vive muito em torno do passado, menos no presente e pouco no futuro, muitos entendidos acreditam que a sucessão de “vinganças” não beneficie a perspectiva futura para seguir em frente e deixar cair este tipo de comparações que, podem dar motivação para lutar, mas que afastam as pessoas da felicidade, pois nunca alcançam algo a seu belo prazer; é sempre para mostrar aos outros que se conseguiu.
 
Os psicólogos que investigam esta dimensão, orientam o seu trabalho para o que é conhecido como Social Comparison Theory (Teoria da Comparação Social). O termo foi concebido na década de 1950 por Leon Festinger e é baseado na premissa de que os humanos se avaliam não tanto por objetivos mas por comparação com os outros em seu redor.
 
Em termos gerais, a teoria refere-se ao Schandenfreude em que, os sucessos e os insucessos dependem da motivação que é dada pelos outros e não do próprio sujeito. 
 
Esta orientação dá espaço á constante comparação e consequente sensação de felicidade perante as perdas alheias. Acredita-se que, a queda e as perdas dos outros “revertem a nosso favor” como uma oportunidade.
 
Nesta dimensão, o sofrimento de alguém é encarado como uma possibilidade e não como uma paragem para poder auxiliar, o que dá lugar a emoções negativas tais como aplaudir a desgraça alheia.
 
Para combater o lado negativo desta forma de estar na vida, o caminho passa pela análise pessoal; pelo dedicar mais tempo a si mesmo e aos seus interesses e objectivos e menos aos demais, sabendo que os outros nos mostram outra realidade, tendo em conta que não se pode viver afastados do grupo, mas que é possível e desejável que os interesses se concentrem nas próprias conquistas, pois não há outra forma de ser feliz.
 
Os especialistas acreditam que, o sujeito pode ficar contente por uma lesão impedir o seu adversário de prosseguir um jogo, mas isso não fará dele um melhor atleta, apenas lhe retira um inimigo do caminho. É o valor disso que deve ser avaliado antes de concentrar todas as expectativas na queda do outro e não na nossa ascensão por mérito próprio.
 
É fundamental compreender que, se a filha da amiga teve melhores notas é porque trabalhou de outra forma ou teve outros incentivos que também podemos oferecer à nossa educanda ou simplesmente aceitar que, não existem duas pessoas iguais e com a mesma inteligência.
 
Se o nosso colega de trabalho ganha mais do que nós, podemos sempre mudar de emprego, estudar mais ou fazer algo que nos possa fazer melhorar a prestação profissional.
 
Se o familiar ganhou um prémio é porque jogou, é porque teve sorte, o que é acessível a quem o fizer também.
 
No fundo, será que vale a pena desejar a desgraça de alguém para sentir que se fez “justiça” ou que se vai abrir uma oportunidade?
 
Será assim tão importante perder tempo com a vida alheia quando na maior parte dos casos, não damos resposta aos nossos desafios?
 
Já pensamos no desperdício de energia que é concentrar atenções do que o outro faz quando não nos dedicamos minimamente ao que temos?
 
Vale a pena pensar nisto antes de espreitar pela janela a vida do vizinho! E já agora, vale a pena a competição ganhar tanta expressão que até se projecta entre pais e filhos, irmãos e demais membros da família?
 
Sim, quando se entra neste caminho de necessidade desenfriada de comparar os outros e de querer ver a sua queda para ascender, não se olha a meios, nem a laços familiares, tudo se concentra na necessidade de “celebrar” a desgraça como símbolo de oportunidade e tudo se perde num sentimento negativo e destrutivo; numa forma “pequena” de vida onde as recompensas são inúteis face a tanta negatividade.
 
 
 
 
 
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