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Estamos a educar “às escuras?”

Estamos a educar “às escuras?”
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15-09-2014 - 15:31
Num tempo em que o medo e a culpa de falhar enquanto pais se minimiza com a promessa de que “este ano vou organizar-me de forma diferente para ter mais disponibilidade para os meus filhos”, vale a pena pensar: “até que ponto estamos a educar ás escuras?”
 
Efectivamente, todos temos de trabalhar, de fazer um conjunto de planos para fazer “esticar” os nossos dias, para poder dar resposta ás necessidades básicas da família, para assegurar que estamos presentes na maior parte das solicitações que recebemos, para alimentar também o nosso lado pessoal, para estarmos informados e para conseguirmos ser pais.
 
Ao mesmo tempo que fazemos esse esforço, somos “bombardeados” daqui e dali com instruções de educadores e professores, com apontamentos de especialistas dando conta da necessidade de estar mais tempo com as crianças e de investir numa educação de qualidade.
 
O mês de Setembro, naturalmente acaba por ser o expoente máximo do stress familiar, já que, para além da escolha da melhor instituição para os nossos filhos, a compra do material escolar e, o contacto com o horário são o primeiro confronto com um conjunto de frustrações. 
 
É neste mês que se renovam as promessas e se descansa um pouco da culpa que irá surgir dia após dia, pois uma vez a criança integrada na escola, “respira-se de alívio” e acredita-se que vamos ter mais tempo livre para organizar o nosso quotidiano. Contudo, o problema da culpa regressa rapidamente e, quando menos se espera, estamos novamente a dar resposta a refeições, ao cumprimento de horários, a discussões curtas porque não há tempo para alongar os discursos e as explicações após um dia de escola, uma jornada de trabalho e um conjunto de problemas para resolver.
 
Em pouco temos, damo-nos conta de que, entramos na mesma rotina: ir buscar a criança que, entretanto já passou grande parte do seu dia entregue a instituições, a actividades de tempos livres e que, chega a casa muitas vezes exausta ou já a dormir. 
 
Depois do banho e de vestir o pijama, torna-se complicada a tarefa de explicar que não se pode ter um determinado comportamento, pois o professor já chamou à atenção várias vezes e, até ligou para o serviço e, vai deixar de o fazer porque não encontrou receptividade.
 
É na noite, quando o desgaste se instala que, deixa de fazer sentido ensinar que, quando se recebe um presente se deve agradecer com um simples “obrigado”, que se deve pedir desculpa perante um erro, que se tem um espaço de diálogo com os pais porque se precisa de conversar, de esclarecer dúvidas, de aprender com os exemplos e de tomar consciência de alguns erros, sob pena de não ser aceite ou de não ter sucesso escolar.
 
É nessa mesma escuridão que se deixa de insistir para que se coma a sopa porque “já não há paciência” para tanta demora e porque temos de ir descansar”, é também na noite que se investe menos no afeto porque “só já conseguimos dizer: chega, pára”.
 
E com tanta falta de tempo, aproxima-se o Natal e, aí acreditamos poder compensar os nossos filhos com um fantástico presente que possa fazer esquecer as muitas noites em que não tínhamos mais do que “um não, já chega, estás insuportável”, mas ficamos frustrados porque, afinal, nem era bem aquilo que a criança queria receber e, como não aprendeu a exprimir-se melhor, acaba por dizer qualquer coisa que deixa o ambiente congelado quando, deveria ser uma noite de festa e de união familiar, em que todos queriam esquecer o resto do ano e dar um novo alento à vida…
 
Eis que, na passagem de ano passada com amigos, porque todos temos direito ao lazer, se renovam as promessas de que, “no novo ano as coisas vão mudar. Vou começar a ir buscar o meu filho mais cedo à escola, agora com a entrada da primavera, vamos ter mais tempo livre para estar juntos”. E, a crença faz-nos renascer para uma nova etapa, mas ao mesmo tempo, “as coisas complicaram-se no trabalho e tenho de estar lá mais tempo! A minha amiga está cheia de problemas com o filho e precisa de ajuda…” 
Temos sempre tanto que fazer e tantas prioridades…
 
Muitas vezes, nem sabemos bem como organizamos os nossos dias, só sabemos que, o tempo não chega para tudo e que, é sempre à noite que nos reunimos, pois “é impossível levar as crianças ás compras, é uma trabalheira ir ao café e não poder conversar descansada no único momento do meu dia, bolas, também tenho direito a estar comigo e com as pessoas que me fazem bem! Não posso pedir licença sem vencimento para ser mãe!”
 
Afinal, quando entregamos os nossos filhos a uma instituição de ensino, acreditamos que vamos ter mais tempo livre, pelo que, rapidamente os deixamos até ao limite (e, muitas vezes fora dele) para que possamos estar mais descansados, mas porquê esta culpa?
 
“É tudo porque os especialistas se fartam de dizer que estamos pouco tempo com os nossos filhos, porque no fundo, sabemos que eles estão bem entregues e que, com o amadurecimento, vão precisar cada vez menos dos pais. Ainda assim, é sempre bom ler a opinião de quem estudou para isso”.
 
É nessa fase que aumentam as pesquisas na Internet acerca de comportamento infantil e, as livrarias recebem mais interessados na compra de livros relacionados com o tema da hipercatividade, mas na hora da escolha dos melhores temas, “não há receitas para o esquema de vida que montamos, muito menos receitas rápidas sem ser de culinária!” E volta a frustração porque, a um passo das férias da Páscoa, a criança anda triste, não tem os resultados escolares previstos e, ainda por cima “as noites não chegam para lhe dar um raspanete!”
 
Substitui-se o ténis por um explicador e, fica de castigo e não pode ver televisão no quarto São ordens simples que “vão ajudar” a uma maior concentração no estudo. “Só vai brincar no fim-de-semana para a casa dos amigos se mostrar resultados rápidos!” “Andaste a fazer o que querias, mas agora eu vou estar presente e tens mesmo de estudar!”
 
Muitas mães até “passaram os olhos” por algumas dicas de entendidos sugerindo que, no início do ano lectivo se devem estabelecer as regras. Ter um horário para estudar, um tempo para brincar diário e um espaço de conversa com os pais, para que se possa compreender como está a decorrer o percurso escolar da criança. As reuniões escolares em pouco tempo são ultrapassadas pela ideia de que “ele está bem integrado, vai tendo notas razoáveis, não vale a pena perder tempo e trabalho para ouvir sempre a mesma coisa!”, pelo que, é mesmo no segundo período que, em muitas famílias, as regras ganham consistência.
 
Se passar o ano, esquece-se tudo e ”vamos gozar as férias tranquilos”, mas se reprova, “vais ter de estudar e fazer trabalhos nas férias!” e, nem que seja nos primeiros dias, até que os pais precisem desse tempo para outra actividade, a criança vai conhecer o “castigo” de ter andado às escuras o ano inteiro…
 
AP
 
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