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É possível ser verdadeiramente feliz?

É possível ser verdadeiramente feliz?
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26-05-2016 - 10:57
Esta é uma questão que tem suscitado infinitas dúvidas ao longo da evolução humana.
 
Se existem teorias que asseguram que a felicidade depende do estilo de vida, da forma de pensar e de se desembaraçar dos problemas, há quem afirme que não chega ser optimista, muito menos descontraído e “de bem com a vida”, para ser mais feliz, isto porque o ser humano não consegue viver nesse estado de apatia durante períodos muito longos.
 
Por incrível que possa parecer, um dos “motores” da felicidade é a procura e não o encontro da felicidade; é acordar diariamente com força para conquistar algo, para planear, para idealizar e, quando se alcança o pretendido, novos objectivos vão ter de surgir.
 
É dessa permanente dinâmica que depende a felicidade, afirmam os neurocientistas adiantando que, não existe uma verdadeira sensação de bem-estar sem que o cérebro se mantenha vivo e capaz de procurar algo mais.
 
Segundo esta teoria da neurociência, o ser humano não consegue ser totalmente feliz, na medida em que tem “de ter um espaço por preencher” que o leve à luta e à conquista. Caso contrário, aquilo que seria a saciedade ou o ter tudo o que se deseja, acaba por não fazer qualquer sentido quando se perde a predisposição para seguir em frente.
 
O ser humano concentra-se num determinado objectivo e todo o seu organismo vive momentos intensos e energias muito positivas, depois quando encontra o que procura é como se ficasse novamente “com falta de alguma coisa”.
 
É evidente que a felicidade é subjetiva. Há quem a encontre na construção de uma família ou a viajar sozinho pelo mundo. Pode ter tudo o que sempre quis, mas é normal que não se sinta totalmente feliz, isto porque o acto de procurar sempre algo mais é a chave para a felicidade, mais do que a realização dos objectivos.
 
Citado pelo jornal digital Quartz, Jaak Panksepp, neurocientista, argumenta que dos sete instintos básicos do cérebro humano (raiva, medo, pânico-aflição, cuidado materno, prazer/luxúria, jogar, e procurar), procurar é o mais importante. Panskepp diz que todos os mamíferos têm este sistema de procura, em que a dopamina, neurotransmissor ligado à motivação, está também envolvida em coordenar e planear actividades. Os animais são recompensados por explorar o seu meio envolvente e procurar novas informações para poderem sobreviver.
 
Esta nova descoberta ajuda a perceber estudos que mostram que alcançar objectivos de vida, ou mesmo ganhar a lotaria, não causa mudanças a longo-termo na felicidade.
 
Evan Thompson, professor de Filosofia na Universidade da Colúmbia Britânica, afirma que todo o campo da filosofia pode ser visto como uma expressão deste acto de procura. Em vez de encontrar uma resposta filosófica e depois descansar, Thompson diz que muitos filosóficos diriam que a busca pela resposta é, já por si, prazerosa.
 
O mesmo acontece para artistas e cientistas. “Se és um artista, há sempre novas maneiras de expressão, novas coisas para criar e comunicar. O mundo não é fixo, está em constante mudança e isso significa que tens que criar novidades de acordo com a mudança”, diz Thompson. “Eu não acredito que nenhum bom cientista ache que um dia a ciência chegará ao fim. A ciência é sobre questionar, encontrar novas maneiras de olhar para as coisas, novos dispositivos. Isso não tem fim”, concluiu.
 
Tendo por base esta descoberta, faz sentido que se encontrem actividades prazerosas, que se desfrutem os melhores momentos de cada dia e que se “brinde diariamente á felicidade”, pois é essa motivação que prepara o organismo para procurar mais, para reformular planos, para estabelecer novas metas e, no fundo manter-se activo.
 
Será a riqueza e a conquista de fortuna assim tão importante para a felicidade?
 
É enquanto se comemora o prémio, mas em pouco tempo, passa a ser natural, pois deixam de ocorrer mudanças por muito que se gaste dinheiro sem qualquer problema. Quer isto dizer que, mesmo com uma fortuna para “esbanjar”, a felicidade depende da motivação para procurar e conquistar mais e mais.
 
 
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