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Cuidado com as discussões à frente das crianças!

Cuidado com as discussões à frente das crianças!
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19-10-2015 - 22:11
É certo que os casais discutem, tal como é um facto que as relações humanas se processam pela troca de pontos de vista, mas a forma como se discutem as diferenças pode marcar negativamente o desenvolvimento das crianças, pelo que, os adultos devem ter esse ponto em conta.
 
Em primeiro lugar, os pais devem perceber o motivo, a frequência das discussões e a forma como estão a resolver os seus problemas. 
 
Num ambiente de crise a vários níveis como aquele que estamos a atravessar, parece que se tornou “normal” subir de tom a forma como se discute, chegando muitas vezes a acusações verbais e a manifestações de violência física que, para além de destruírem a relação afetiva entre o casal, também estão a comprometer o desenvolvimento dos mais novos.
 
De acordo com a psicóloga Rita Celagari,  “as discussões fortes e os constantes desentendimentos, são atitudes que podem ter consequências que vão para além dos envolvidos, já que as crianças que, nada têm a ver com o assunto, acabam por não saber o que fazer num cenário agressivo.”
 
De acordo com a mesma especialista, “é comum que depois das discussões, o casal se entenda e faça as pazes, mas a criança fica fragilizada e assustada durante alguns dias. 
 
Além disso, se as discussões ocorrerem com frequência, os pequenos podem desenvolver distúrbios de comportamento e doenças.”
 
Rita Celagari reforça que, “Sem a base que deveria sustentá-las, ajudando-as a formar a sua personalidade e protegendo-as, a lista de problemas de comportamento e doenças que podem aparecer nas crianças é enorme e preocupante já que se tornam em insegurança, ansiedade, terror noturno, alergias de pele, problemas de concentração na escola, irritabilidade, agressividade, tristeza, depressão, obesidade, anorexia, dificuldades de socialização, insónia, enurese [quando a criança faz chichi involuntariamente] e encoprese [quando a criança faz cocó involuntariamente], são apenas algumas”.
 
Ao mesmo tempo, os entendidos realçam que, é preferível explicar à criança que se está aboreccido com o pai/mãe e que “são coisas de adultos que depois passam”, do que continuar a manifestar revolta e agressividade em frente dos mais novos.
 
Ainda assim, é de anotar que, as discussões fazem parte da vida e que são uma condição para a evolução, seja das relações, seja na forma de agir e pensar, o problema é o tom que se dá a essa troca de impressões.
 
Os pais também devem ter em consideração que, mais cedo ou mais tarde, os filhos vão mostrar sinais de uma vida baseada em conflitos e, encontrar as suas próprias formas de defesa.
 
Conversar sobre os assuntos em frente das crianças até é saudável e prepara-os para o mundo, “o que é negativo é a violência nas palavras, nos gestos e na expressão das ideias, pois a criança não tem capacidade de entender o que está a presenciar”, alerta a psicóloga.
 
É de evitar as discussões em que os adultos fiquem exaltados, agressivos, nervosos ou chorosos, pois é precisamente esse descontrole que lhe causa mau-estar aos mais novos.
 
Na posição de Lúcia Cavalcanti de Albuquerque Williams, professora e com uma vasta experiência no contacto com grupos de risco, “nem todas as discussões são negativas.
 
Os adultos devem ficar atentos quando há violência física ou psicológica”, uma vez que, “Apenas discordar, sem o uso de violência, faz parte da vida.” 
 
A criança pode ficar preocupada, mas os pais devem explicar que se respeitam e estão apenas chateados. 
 
O que não pode existir é o conflito violento, físico ou psicológico à frente dos filhos, reforça a mesma professora que recorda a importância das pessoas primarem por uma convivência saudável dentro de casa.
 
Para a psicóloga Rita C., “é tão importante evitar as discussões violentas como ‘os pactos’ de silêncio, uma vez que, a criança sente esse clima e essa situação prolongada ou mal resolvida”.
 
A psicóloga alerta ainda para a forma como a criança “vai jogar” com as discussões dos pais nas diferentes etapas de desenvolvimento, o que mais cedo ou mais tarde se vai traduzir em problemas cada vez maiores. “Só aqui os pais já devem pensar muito bem no que estão a fazer com o seu casamento/relacionamento, pois o problema vai subindo de tom.”
 
O ser humano nasce com capacidade de luta contra aquilo que lhe é prejudicial, pelo que vai aplicar “essa máxima” ao seu ambiente familiar, com reações próprias de cada idade.
 
Para Rita Calagari, “as crianças até aos seis anos, costumam sentir-se inseguras e com medo em caso de conflitos violentos. Contudo, nessa fase, as crianças ainda estão pouco atentas aos pais e mais ligadas a si mesmas.
 
A percepção do mau-estar em casa vai aumentando com o tempo.”
 
Uma criança de 5 anos captará melhor a situação, em comparação a uma de 2, por exemplo.
 
Com o passar dos anos, perceberá o cenário em que vive e estará mais apta para analisar os olhos inchados de choro, expressões de tristeza ou raiva e poderá achar que são para ela, o que fará com que se sinta culpada, visto que é comum nesta idade, os filhos acharem que o humor dos pais é consequência do comportamento deles, esclarece a mesma psicóloga.
 
“A criança é especialmente egocêntrica até aos sete anos e acredita que o humor dos pais é uma reação aos seus comportamentos bons ou maus”, relata a psicóloga do Hospital São Camilo.
 
Por volta dos sete anos, mais amadurecida, a criança poderá entender melhor que os problemas dos pais não têm ligação direta com ela, mas ainda sentirá muito medo, pois o rompimento da família irá afetá-la diretamente. É a fase na qual os mais novos passam de egocêntricos a egoístas. “A criança dessa idade é muito competitiva, não gosta de perder e não quer ver os pais zangados, não por se preocupar com eles, mas por saber que terá muitas dificuldades em viver num cenário de divórcio. É por isso que vai fazer de tudo para que os seus progenitores se entendam e mantenham a sua estrutura familiar, mesmo que zangados e em sofrimento, alerta a psicóloga Rita Celagari.
 
“As crianças mais velhas, acima dos sete anos, já têm a empatia mais desenvolvida.” Assim, sofrem ao presenciar discussões severas e vão tentar "ajudar" os pais a resolverem os seus conflitos. “Ao ficar ao lado de um dos pais, a criança pode sentir-se numa posição de traição em relação ao outro, cenário que é muito recorrente e aplicado pelos pais. Este tipo de escolha causa mau-estar nas crianças e, naturalmente vai prejudicar o seu desenvolvimento”, reforça a psicóloga.
 
Um casal que se entenda normalmente, apenas vai mostrar aos filhos que os adultos têm posições distintas sobre uma mesma realidade, mas que sabem superar os seus problemas precisamente de forma adulta. 
 
Estes casais sabem explicar aos filhos o que se passa e as soluções que estão sobre a mesa. Apesar da idade, os filhos acabam por compreender que o problema não é da sua responsabilidade e que os pais estão a fazer tudo para evitar consequências negativas para a família. Estas crianças acabam por encarar a situação com naturalidade e confiar que, aconteça o que acontecer, os pais vão protegê-las e colocar os seus interesses acima de qualquer conflito conjugal.
 
Se, por ventura, o relacionamento chegar ao fim, é essencial respeitar o ex-parceiro (a) e procurar não falar mal dele  aos filhos. Os adultos também não podem nunca envolver a criança nos conflitos após a separação. "Isto é uma violência emocional”, finaliza a professora Lúcia dando conta da importância de colocar os adultos num plano e as crianças no outro. “Os pais resolvem os problemas da melhor maneira para que o futuro dos filhos seja pensado e minimamente delineado para o seu desenvolvimento sadio.”
 
 
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