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Considera-se uma pessoa perfeccionista?

Considera-se uma pessoa perfeccionista?
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31-03-2015 - 23:23
Contrariamente ao que se possa pensar, ser perfeccionista fica muito longe da satisfação pessoal, dos critérios de felicidade e da própria saúde.
 
Muitas pessoas acreditam que apresentar níveis elevados de exigência e rigor, é fundamental para se ser bem sucedido, mas na opinião dos especialistas, são precisamente essas condições que nos afastam do bem-estar e dessa realização.
 
Mas afinal, qual é a origem do perfeccionismo?
 
Na posição de David Burns, psicólogo empenhado em estudar esta particularidade humana, tudo começa na infância quando se exige demasiado ás crianças. O simples ato de ter de agradar a tudo e todos, é o primeiro passo para incluir a procura pela perfeição nas nossas vidas. “É quase como que uma questão cultural a necessidade de ‘parecer bem’, de apresentar uma imagem quase incorrigível de nós próprios’ e de negar tudo o que se afaste de um padrão elevado de existência”. 
 
Muitas crianças crescem a ter de corresponder às expetativas dos pais e dos membros do seu grupo de pertença. Não podem falhar, têm de alcançar as melhores notas e conquistar troféus nas atividades em que participam”. Sem que nos apercebamos, estamos a construir pessoas focadas em objetivos, em metas a alcançar a qualquer custo, sem que se valorize a felicidade, o bem-estar, o prazer de conviver com os demais e, acima de tudo, o direito ao erro.
 
Nesta sequência, David Burns adverte que “querer alcançar as estrelas é o mesmo que correr atrás do vento”. É ter uma vida prisioneira de ideais de perfeição que, mais cedo ou mais tarde, vão dar lugar a dúvidas permanentes, a sentimentos de fraca autoestima e frustrações e, “o pior de tudo, é não se saber como lidar com a derrota”.
 
Para David Burns, o perfeccionismo é inimigo das relações amorosas e da própria saúde, na medida em que o sujeito perde a noção de si próprio para conseguir dar resposta a um infinito de exigências e, “o pior de tudo é que acaba por perder a noção do real por se projetar nessa incessante necessidade de alcançar o pleno, o que está para além do que a maioria consegue realizar”.
 
Um perfecionista pauta a sua vida em função das metas e da obsessão por ser superior; por ser maior, pois não quer ser medíocre, muito menos comparável aos outros.
 
Como consequência disso, é crítico de tudo e de todos para se colocar numa posição de excelência e, quando se apercebe que há quem se destaque, consegue “sabotar” essa imagem, seja através da crítica destrutiva, seja reunindo obstáculos que impeçam os outros de assumir uma posição de liderança.
 
Para manter esses ideais, o perfeccionista deixa de distinguir o certo do errado e centra-se na forma que mais lhe convém para conseguir o que pretende. Esta é, para David Burns, “a faceta mais extrema dos perfeccionistas e a mais perigosa, já que envolve a perda de escrúpulos e que vive as suas caraterísticas de forma doentia”.
 
Por norma, o perfeccionista é ansioso, vulnerável a depressões e obsessões, já que não aceita a derrota e a ideia de que os outros também têm qualidades e potencialidades. 
 
No fundo, este tipo de pessoa vive em permanente sobressalto para evitar um confronto com as suas limitações. Passa o seu tempo a tentar melhorar a sua performance e a fugir da realidade que rejeita. 
 
O perfeccionista sabe que convive com pessoas de sucesso, mas não aceita que assim seja, tudo “pela necessidade de ser o preferido, o mais destacado e invejável, aquilo a que se designa, ‘o número um’ em tudo o que se envolve e propõe realizar.
 
Uma pessoa amarga, complexada, isolada e agressiva é, muitas vezes o resultado deste tipo de atitude face à vida. 
 
É comum que um indivíduo perfeccionista sinta uma enorme tristeza por não conseguir ‘ser o melhor’, motivo pelo qual se isola, se culpabiliza e sente vergonha e desprezo por si mesmo. Em termos sociais, tenta a todo o custo esconder esta fragilidade dando forma a uma personalidade crítica, que inicia as conversas a “apontar o dedo aos outros” e, consequentemente a ter cada vez menos pessoas com quem conviver, pois naturalmente torna-se insuportável.
 
Esta solidão remete-o para um vazio cada vez maior e para um afastamento daquilo que ambiciona: ser admirado por todos. Essa revolta ainda agrava mais a situação, já que, nem com o seu parceiro é capaz de desfrutar da intimidade ou cumplicidade. Fecha-se no seu mundo e inventa desculpas para justificar o mau-humor. Geralmente faz críticas sem fundamento e dá importância a pormenores que só prejudicam a vida diária, mas não assume que se sente frustrado por uma perda de mérito ou por ter percebido que um colega foi promovido por reunir melhores condições académicas ou profissionais.
 
Pode dizer-se que, apesar de ser um traço cultural enraizado, o perfeccionismo é um dos maiores obstáculos à felicidade humana, já que o sujeito vive numa insatisfação e medo permanentes. Medo de ser superado. Insatisfeito para consigo mesmo por não conseguir ser melhor, pelo que foge sucessivas vezes dos seus objetivos para não ter de reconhecer que, afinal não é o preferido ou o “special one”.
 
Como alternativa a este modo de vida, David Burns sugere algo tão simples quanto a aceitação daquilo que se é, e a consciência de que se pode melhorar. “É fundamental mostrar aos outros, desde cedo, as nossas caraterísticas e limites e despreocuparmo-nos com o que esperam de nós. Precisamos de viver com naturalidade. Ter objetivos, sensações positivas e negativas e saber lidar com os erros.
 
“A vida tem de se pautar pelas sensações, pela motivação e pelo equilíbrio entre o que se quer e o que se consegue, sob pena de nada fazer sentido”.
 
 
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