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Considera-se “a pior” mãe do mundo?

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19-03-2014 - 22:18
A dificuldade em assumir frontalmente a parentalidade, faz com que muitas mães e pais se sintam confusos e com um enorme medo de errar na educação dos filhos.
 
Como consequência dessa falta de responsabilidade motivada pelo desconhecimento, medo, angústia e sobressalto permanentes, vai dando lugar a uma sociedade com estas características sem que se vislumbre um alívio para os pais e um sorriso aberto para os filhos. Afinal, pais inseguros, dão lugar a filhos instáveis e com dificuldade em lidar com as situações.
 
É recorrente que, principalmente as mães que passam mais tempo com os filhos, se sintam num absoluto estado de nervos; perdidas e a considerarem-se as piores mães do mundo, porquê?
 
Em primeiro lugar, porque a vida se alterou muito em três ou quatro décadas sem que exista uma preparação para assumir o papel de mãe. Noutros tempos, a maternidade era repartida com as avós, as tias, as vizinhas que, com a troca de saberes, decidiam o que se pensava melhor para a educação dos mais novos. Depois, entrou-se num período em que tudo “traumatizava” as crianças e, em que a própria vida abriu portas a um novo modelo que, apesar de interessante, acarreta muitas dúvidas.
 
Presentemente, as mães estão solitárias; muitas vezes afastadas das famílias, de grupos com filhos da mesma idade e, sobretudo, sobrecarregadas com a responsabilidade de escolher actividades para preencher o tempo dos mais novos enquanto trabalham.
 
A par desta realidade, surgiram gradualmente as imposições sociais em que, quem não está na linha da frente do conhecimento, parece estar fora do sistema, bem como a necessidade de comprar tudo, para evitar que os nossos filhos fiquem à margem do conhecimento e das oportunidades.
 
Chegou-se a um ponto de exigência tal que, muitos pais não sabem o que comprar, onde ir buscar dinheiro para sustentar esses caprichos, muito menos que utilidade dar a tantas exigências.
 
A criança precisa de se socializar, precisa de ter roupas confortáveis, necessita de ter um quarto bem equipado, de ter amigos, de ser sociável, de fazer parte de um grupo, de ser admirada pelos educadores, de ser educada, saudável… enfim, precisa de tanto, tanto que não resta espaço nem tempo para lhe dar o mais importante: atenção, afecto, compreensão, brincadeira, partilha, noção de família e daí por diante. Parece que tudo se concentrou no “precisa” e se afastou da capacidade de analisar friamente o que realmente é fundamental.
 
Talvez por isso, se tenha instalado a ideia de que, ser uma boa mãe e proporcionar tudo o que as outras oferecem aos filhos, mas as outras mães sabem se estão a proporcionar o adequado?
 
Seria interessante colocar esta questão de vez em quanto, pelo menos, sempre que existe um novo desafio e uma imposição de escolha. Senão vejamos, é comum parar para pensar se é benéfico para a criança ter tantos brinquedos? Já se avaliou até que ponto a criança se desenvolve correctamente com a sofisticação dos brinquedos e de tantos jogos didácticos? Será que esses utensílios não ocupam uma actividade que deveria ser a criança a descobrir e a explorar?
 
Claro que nos assusta pensar que Jean Piaget fez importantes descobertas com os filhos e que passaram rapidamente como “emblema de referência mundial”, mas o resultado não deixa margem para dúvidas, temos uma geração quase plastificada, com estudos, conhecimento e com tão pouca capacidade para resolver problemas práticos, para trocar afecto e para sentir; sim sentir a vida, com emoções, compaixão, orgulho, preocupação, liberdade e felicidade…
 
Talvez não estejamos a imaginar recuar no tempo, mas efectivamente, muitos pais sentem um saudosismo enorme do tempo em que parece que a família tinha um papel de relevância, em que pais e filhos trocavam saberes e afectos…
 
Agora “até fica mal” uma criança sair com os pais, gostar dos avós, porque se tornou normal desenvolver o intelecto e, “os mais velhos nada têm para ensinar”! Os pais sem se aperceber acabam por promover esta ideia só oferecendo brinquedos e não criando momentos de brincadeira livre e descontraída, depois não percebemos como é que jovens de 20 anos parecem não ter amor à vida e arriscam perdê-la numa aventura fácil…
 
De todo que, fazemos parte de um sistema e que estamos num tempo diferente, mas não podemos agarrar nas teorias só porque foram publicadas e, colocá-las em prática nas nossas vidas e famílias. Os miúdos de hoje são mais desenvolvidos, sem dúvida, ainda assim, não os podemos incentivar só no plano intelectual, com rigor para que tenham uma carreira brilhante. Eles precisam de ser crianças, de cometer erros, de falhar, de escolher e, sobretudo de sentir. Não podemos acelerar o processo só porque nos EUA um bebé retira a fralda com 12 meses e dispara uma pistola aos 4 anos…
 
Quer isto dizer que, ser pai e mãe, é ter coragem para ler o que se publica, aprender e adequar á sua realidade, aos seus valores e regras. É ter sabedoria suficiente para se defender de uma sociedade de consumo e saber proteger os seus filhos daquilo que não se enquadra nesse formato, pois só assim estará a proporcionar uma aprendizagem das referências familiares aos filhos. 
 
É através dessa força e do exemplo que os nossos filhos vão aprender a lidar com o mundo e saber negar aquilo que não lhes convém, mas para isso, os pais têm de ser assertivos e convictos das suas posições: “é não porque é não”! E, não ter medo da crítica da vizinha, do colega de escola, do professor e do educador. As crianças são todas diferentes e, trabalhar com os mais novos traduz essa capacidade de reconhecer e respeitar a diferença, pelo que os pais não podem “seguir todos atrás uns dos outros”. 
 
Se repararmos, o processo começa cada vez mais cedo. Nos infantários já se compara o progresso da criança e se chama à atenção dos pais por isto ou aquilo… numa fase em que mal os pais conhecem os filhos e estes o mundo familiar e começa a “Bíblia” de colocar todos os ovos no mesmo cesto sem que se particularize. As instituições não podem dar uma resposta individual quando têm um grupo enorme de crianças e os pais começam logo a sentir que o filho “está atrasado” em relação aos outros porque não fez as mesmas aquisições no mesmo espaço de tempo.
 
Depressa a relação parental fica comprometida pois instalam-se sentimentos negativos e de preocupação face ao desempenho de um bebé que não começou a andar aos 12 meses…
 
É caso para perguntar por que motivo se publicam também as opiniões dos pediatras, mas só se enaltecem as dos educadores? Não faria mais sentido um trabalho conjunto e capaz de respeitar o desenvolvimento infantil?
 
Para ajudar na tarefa e, para que menos mães se sintam culpabilizadas por não darem o melhor, importa ver a situação ao contrário, todas as mães dão o correcto quando estão minimamente informadas e, a partir daí, fazem escolhas inteligentes.
 
Em jeito de exemplo, deixamos uma lista de orientação que pode surpreender nos dias de hoje, mas em tempos de crise, faz sentido reconsiderar o peso do consumo nas nossas vidas e aquilo que se pode melhorar quando o dinheiro escasseia, pois todos sabemos que, em tempos de abundância, nem se olha ao preço, muito menos à qualidade e, é quando cometemos mais erros. 
 
1.Não tenha medo de ter uma opinião diferente e de educar de acordo com os seus princípios, pois ao longo do desenvolvimento, o seu filho terá oportunidade de confrontar essas posições e de formar a sua personalidade de acordo com as suas experiências.
 
2.Comece desde o berço a incutir os valores da família, mesmo que isso passe pela crítica alheia. Preocupe-se com a integração social e deixe que as suas mensagens ganhem tanto valor como quaisquer outras que possam existir.
 
3.Siga a sua intuição e certifique-se de que o seu filho se vai integrando no sistema e que é capaz de respeitar os outros, pois desde que o faça em casa, estará a ganhar essas competências.
 
4.Não imite os outros pais, retire ideias e adapte-as à sua realidade. Troque saberes, mas em pé de igualdade. Ninguém conseguiu encontrar uma fórmula única de educação eficaz. Educar é uma aprendizagem conjunta e deve ser suportada pela auto-estima dos pais.
 
5.Tome as suas decisões em funções da pessoa que é, pois o seu filho irá reproduzir esse modelo ao longo da vida com as suas aprendizagens.
 
6.Não sinta vergonha de não comprar tudo o que “é socialmente aceite e indicado”, pois a maioria das sugestões apenas alimentam o consumo e não os resultados da compra.
 
7.Comece desde cedo a mostrar ao seu filho que deve fazer escolhas. Não o inscreva em todas as actividades, mas faça-o aprender a gostar de uma. Caso rejeite, explique-lhe como poderá iniciar outra e os custos, pois só assim aprenderá a valorizar as oportunidades que lhe são oferecidas.
 
8.A ideia da mesada é sempre importante para ensinar os mais novos a gerir o seu dinheiro e a não pedirem tudo. Aposte nessa ideia para evitar birras, ansiedade e para promover a maturidade.
 
9.Transmita ao seu filho que, mais importante que ter tudo, é ser! É aprender, é desenvolver, é estudar, trabalhar e tentar alcançar os objectivos, sendo que os mesmos se reformulam ao longo de cada etapa e se aperfeiçoam as habilidades no tempo.
 
10.Explique os “nãos” desde cedo para que o seu filho aprenda a noção de recusa. Essa tarefa vai evitar muitas frustrações sem fundamento e elaborar a personalidade e o sentido de responsabilidade desde cedo.
 
11.Não se demita das suas responsabilidades e envolva desde cedo, o pai, pois só em conjunto se conseguem obter os melhores resultados. Pais seguros e de acordo, facilitam o desenvolvimento das crianças e a sua preparação para a vida futura. Tenha coragem de dividir as tarefas com o seu companheiro, pois o reforço do pai é fundamental na educação e no desenvolvimento.
 
12.As regras são para respeitar, pelo que ensiná-las e permitir que a criança as entenda com clareza, facilita todo o processo. Adeqúe a sua explicação `idade e crie esse modelo ao longo da vida. As crianças adoram regras e saber que as cumprem, o que as prejudica é o medo de não saberem quando erram e acertam, por isso, tenha sempre o cuidado de valorizar as conquistas para poder punir aquilo que deve ser repreendido na hora certa.
 
13.Existe uma diferença entre o querer dos filhos e as orientações dos pais. Não tema ter de contrariar as vezes que forem necessárias, pois esse investimento vai valer-lhe muito orgulho e tranquilidade no futuro. Os pais deve saber orientar e decidir o melhor para os filhos até que estes sejam capazes de assumir essa função, na maior parte das vezes a partir da adolescência, pelo que deve investir no processo com serenidade e segurança.
 
14.Incuta a noção de horários através do exemplo, pois é fundamental aprender a respeitar essa condição desde cedo. Tudo começa na hora de dormir, de realizar tarefas, refeições e vai-se aplicando a tudo na vida. Esta é uma regra fundamental para um desenvolvimento sadio e para aprender a estar em sociedade.
 
15.Ensine o seu filho a arrumar os seus objetos, a cuidar do seu quarto e a ajudar nas tarefas domésticas, pois muito mais do que ser capaz de cumprir um conjunto de items, é essencial que os entenda de uma forma prática que vai aplicar em tudo na vida: organização.
 
16.Aprender a lidar com a frustração é importantíssimo, pelo que os pais devem promover essa forma de controlo e aprendizagem. Se não correu bem nesta situação, certamente que na outra será melhor. Incentive o seu filho para a tentativa e erro.
 
17.Promova a autonomia certificando-se de que a criança está preparada, para isso vigie-a sem ser visto e vá fornecendo orientações em função do que percepciona, pois é fundamental que o seu filho adquira a noção de que é capaz através dos seus esforços e empenho.
 
18.Não tenha medo de negar a compra de videojogos ou outros equipamentos dispendiosos, pois existem formas de ocupar o seu tempo, de aprender que não exclusivamente a partir das tecnologias numa idade precoce. Saiba adiar a compra e envolva o esforço da criança para que possa valorizar o novo equipamento.
 
19.Reserve um tempo do seu dia para o casal, pois é importante que a criança saiba que não é o centro das atenções e que os adultos precisam de conversar. Aproveite para tomar decisões e fazer escolhas em conjunto. Reserve o horário das refeições para estarem em família e conversarem de temas que envolvam a criança para que possa interagir.
 
20.Um truque para educar indirectamente e ter a certeza de que o seu filho assimilou a informação, é dar outros exemplos de erros à sua frente, sem que estes se destinem à criança. Dizer que A ou B bebeu demasiado e que teve um acidente, que o filho do S consumia drogas e está muito doente e daí por diante.
 
Já sabe, acima de tudo, a sociedade não pode conduzir os destinos do seu filho, muito pelo contrário, se ele não tiver incutido os seus valores e referências familiares, ninguém mais os fará na vida.
 
Não tenha medo de ir contra o instituído, “de ter de… só porque…” Se os outros pais fizeram, a responsabilidade é deles. O que você fizer, é da sua inteira responsabilidade também. O essencial é saber assumir isso sem perder de vista a noção de comunidade e de integração social.
 
Aprende-se a ser pais na prática e, educa-se os filhos a partir do que já se conquistou como conhecimento, dando espaço para constantes actualizações.
 
 
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