siga-nos | seja fã
PUB
 

Consegue deixar o seu filho errar?

Consegue deixar o seu filho errar?
Imprimir Partilhar por email
17-03-2015 - 23:20
Num tempo em que o sucesso parece estar associado ao bem-estar e à satisfação do indivíduo, torna-se dolorosa a resposta a esta questão.
 
Para muitos entendidos, a sociedade atual exige tanto ou tão pouco dos filhos que chega ao ponto de lhes retirar a liberdade para sonharem, a capacidade de sentirem e de fazerem as suas próprias escolhas.
 
Isto acontece porque, os filhos funcionam como que indicadores do sucesso e do status dos pais. Tornou-se um imperativo exibir as notas, as atividades, os troféus e tudo o que possa assegurar um futuro brilhante, mas esquecemo-nos de uma coisa essencial: onde fica o erro e a oportunidade de corrigir quando só se colecionam sucessos?
 
É precisamente neste ponto que muitos especialistas condenam o atual modelo educativo. Se por um lado, foi ultrapassada a ideia de autoritarismo em que o pai naturalmente controlava os destinos dos filhos, por outro, a relação em rede em que pais e filhos partilham saberes, esclarecem dúvidas, acordam estratégias e definem posições, não dá resposta aos anseios dos pais. Porquê?
 
Porque os pais de hoje conhecem o modelo que lhes foi transmitido e não o resultado do que estão a promover como educação dos filhos. 
 
Os pais de hoje sabem uma realidade que, na maioria dos casos, não passou de imposições ou de tentativas de compreender o mundo de forma quase autodidata, enquanto que, na sociedade atual, os mais novos integram o seu processo de desenvolvimento, opinam e criticam.
 
Ora se muitos pais não tiveram tempo para refletir acerca do que falhou na sua educação, como podem estar preparados para assumir eles a função?
 
De todo que a tarefa não é fácil e, a solução que muitos pais encontraram foi controlar os filhos ao máximo através de atividades diárias que os mantenham ocupados e sem grandes iniciativas, aceitar as ideias dos filhos para não serem rotulados como “cotas” e concordar com tudo para evitar que os mais novos se “enervem” e que falhem as suas metas.
 
No fundo estamos a falar de uma geração que só segue a anterior, mas com outros moldes. Continuamos a ter medo e incertezas face ao futuro como sempre aconteceu, mas a tentar que os comportamentos se encaixem num modelo para evitar falhas. Mantemos a imposição porque não estamos preparados para a exceção e para o desvio e, quando tal acontece, fazemos de conta que não vemos para não nos chatearmos, mas isso passa a ser tema de conversa e uma preocupação permanente.
 
Na verdade, arrastamos com a barriga e mantemos muitos dos traços das últimas décadas, mas não sabemos como se perdeu o respeito pelos mais velhos, a responsabilidade, a capacidade de trabalho e a criatividade. Perderam-se na substituição da liderança! 
 
Atualmente não existem líderes na maioria das famílias, isto porque a relação se estabelece de forma horizontal e, como ninguém sabe quem tem a última palavra, procuram-se desculpas e culpados para o que acontece no quotidiano. 
 
A escola não educa, os pais não têm tempo, os consultórios de psicologia estão lotados e, onde é que ficamos?
 
Ficamos na estaca zero! É preciso organizar tudo com novas regras e modelos, dizem os entendidos. Ao invés de nos lamentarmos, temos de passar para a ação e retirar deste tempo o que é útil e recuar alguns anos atrás para perceber onde é que ficaram os valores essenciais à convivência social.
 
Os pais têm de saber qual é o seu papel e como o desenvolver e, isso passa por uma atitude firme e a consciência de que “educar é um ato de inteligência que se conquista com muito afeto”. Depois é enfrentar os problemas.
 
Se no passado “se carregava a cruz do destino”, hoje todos sabemos que não é assim que se resolvem os problemas. As falhas existem, os erros acontecem e viver é isso mesmo. É sermos maduros, inteligentes e responsáveis para enfrentarmos as situações. 
 
É ir à escola quando é preciso resolver algo ou saber acerca do desempenho do nosso educando. É falar abertamente com os filhos e exigir. 
 
É ter capacidade de dizer aos nossos filho que os erros são para corrigir e não para adiar ou para justificar e lamentar a vida que se tem. Se os pais tiverem uma postura reativa, evidentemente que os filhos também a vão adotar.
 
Aceitar que o erro existe é a base para corrigi-lo, o problema é que muitas pessoas continuam a manter o ideal de perfeição, aquilo que desejam e acabam por se esquecer daquilo que é real e que se acumula quando não é superado.
 
Os pais de hoje querem tanto o sucesso dos filhos que se esquecem como é que se desenvolvem competências, que se evolui a partir do conflito, que se é criativo através do “monta, desmonta e parte”. É caso para perguntar se os pais não brincam, se não partiram, se não gostaram de pessoas erradas, se não andaram à pancada na rua?
 
Ás vezes parece que não e, o resultado disso é mesmo uma geração frustrada, que encara o erro como um drama e uma destruição. 
 
Tudo porque não se sabe lidar com a frustração, não se aprendeu a lidar com o “não”, tudo porque não se tem oportunidade de crescer em função do tempo de cada um, dos seus interesses e desenvolvimento de capacidades.
 
Muitos filhos carregam as dificuldades do quotidiano e ainda transportam a frustração de não conseguirem ser o que os pais gostavam e esperavam deles. Será isto justo?
 
Já se pensou que os pais podem estar a viver os sonhos e os direitos dos filhos com tanta obsessão em alcançar o sucesso?
 
Os filhos precisam de aprender através dos pais, das relações com os outros e também através das suas conquistas e conflitos, pelo que, o erro é mesmo um direito de quem aprende.
 
"... O processo de humanização começa pelo entendimento de que jamais haverá a satisfação completa."
Jean-Pierre labrun
 
AP
 
COMENTÁRIOS
 
MAIS NOTÍCIAS
-

Quando a ansiedade nos atrapalha os planos  



-

Mindfulness:Treino e principais benefícios



-

Diferenças entre empatia e contágio emocional



-

Educação: orientar as crianças para a maturidade emocional



-

Educação: o que não se deve (de forma alguma) fazer a uma criança



PUB
 
NOTÍCIA MAIS LIDA DO MOMENTO
MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

ver mais
 
 
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Autárquicas:Coligação "Faro no Rumo Certo" apresentou programa eleitoral

Autárquicas:Coligação "Faro no Rumo Certo" apresentou programa eleitoral

ver mais
 
Mensagem de Pesar da ARS Algarve pelo falecimento do Dr. Larguito Claro

Mensagem de Pesar da ARS Algarve pelo falecimento do Dr. Larguito Claro

ver mais
 
MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

ver mais
 
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Fichas de Leitura» Desporto» Click Saúde
» Economia» Figuras da nossa Terra» Política» CX de Correio