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Como encarar a timidez nas crianças

Como encarar a timidez nas crianças
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03-09-2016 - 00:25
Em primeiro lugar, é preciso ter em conta as etiquetas, já que, é muito comum que a criança fique imediatamente associada à timidez perante alguns sinais.
 
Dito isto, um bebé potencialmente «tímido» tem todas as hipóteses de deixar de o ser à medida que cresce, se for apoiado e encorajado pelos pais no sentido de desenvolver capacidades, competências e auto-estima. Pelo contrário, circunstâncias adversas na infância poderão levar a que timidez se instale de uma forma excessiva, transformando-a num «sintoma complexo», segundo Claude Halmos, psicanalista francesa. E este sim, exige ser identificado a tempo e levado muito a sério.
 
Diz-se que uma criança é tímida quando mostra vergonha ou embaraço perante determinadas pessoas ou situações. 
 
É fundamental ter em conta que, a timidez é uma caraterística comum, mas muitas vezes mal interpretada. No caso das crianças pode levar a um maior isolamento e a ciência tem associado o perfil tímido dos mais novos a possíveis transtornos de ansiedade na idade adulta.
 
Sandee McClowry, psicólogo da Universidade de Nova Iorque, diz que a timidez nas crianças deve ser vista como uma caraterística neutra, nem positiva nem negativa. O papel dos pais é desafiar os mais novos a saírem da zona de conforto, mas sem nunca tentarem mudar a sua natureza, lê-se no site LiveScience.
 
A mesma especialista realça que é fundamental aceitar a criança “tal como ela é” e, aos poucos, tentar motivá-la, sem que se aperceba, para participar em algumas situações com um maior “à vontade”.
 
No caso de crianças extremamente tímidas, o apoio de um profissional pode ser o caminho a seguir, mas em qualquer caso de timidez, “demasiada proteção” por parte dos pais pode ser ainda mais prejudicial para o bem-estar da criança, como explica McClowry.
 
Segundo os entendidos na matéria, a base para ajudar a criança é não a classificar como tímida (ou com qualquer outro rótulo), já que, nada é definitivo e, as crianças passam por diversas etapas ao longo do seu desenvolvimento.
 
Os pais e a sociedade assumem um papel fundamental neste apoio aos mais novos, uma vez que, a sua capacidade de “omitir” a palavra timidez é a grande ajuda, tal como criar condições de convívio onde a criança se sinta confortável, é imperioso para o “arranque” e para a conquista da auto-estima e auto-confiança.
 
Muitos pais tendem a “colocar-se à frente dos filhos” para evitar confrontos, o que nada os ajuda a lidar com as situações e pode conduzir à retração.
 
Também os filhos únicos podem sentir uma maior proteção dos pais e, consequentemente, um aumento da inibição em determinados momentos, situação que progressivamente será ultrapassada com um maior distanciamento dos pais e uma “libertação” da criança para descobrir espaços e pessoas novas.
 
Os pais também devem evitar (ou mesmo suprimir do seu vocabuário) palavras que acrescentem a timidez. É comum os pais dizerem “ele é tímido” ou “tem muita vergonha de falar com estranhos”, pelo que a criança vai registando essas afirmações e, muitas vezes, já na idade adulta, acaba por acarretar esse estigma como se fizesse parte das suas características ou identidade.
 
Por tudo isto, os pais devem ter um cuidado adicional em criar condições de contacto com outras crianças e adultos, fora da escola, para que naturalmente os mais novos se “esqueçam” desse aspeto e vivam com mais confiança as diversas situações.
 
Ir ao parque infantil onde estão outras crianças, começar por brincar com o filho até que ele se sinta confiante e, discretamente deixá-lo interagir com os outros é mais fácil do que parece, já que rapidamente os mais novos encontram interesses comuns na brincadeira.
 
Depois, no quotidiano, os pais devem afastar-se do rótulo, já que, a sociedade está sempre predispota a utilizá-lo; basta que a criança não sorria numa determinada situação ou não cumprimente a vizinha no elevador!
 
Os pais devem compreender que, não é fácil para uma criança ter a noção de cumprimento dos outros, pelo que, não deve ser pressionada a fazê-lo, pois através do seu exemplo, os pais facilmente transmitem essa noção aos filhos.
 
 
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