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Celeste Martins (Moncarapacho)

Celeste Martins (Moncarapacho)
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06-12-2015 - 20:34
O Algarve Primeiro desafiou uma personalidade amplamente conhecida na nossa região para nos falar dos seus sonhos, projetos, percurso e as dificuldades com que se tem deparado num mundo competitivo e que tem de estar em constante mudança.
 
Está ligada à rádio há décadas. É uma voz inconfundível e uma referência no Algarve. 
 
É Celeste Martins, a mulher que nos brinda com a mensagem com que desperta diariamente para a vida: “Sorrir é contagiante, sem alegria a humanidade não compreende a simpatia nem o amor. Sorriam porque tanta coisa se pode modificar com um simples sorriso.”
 
Natural de Moncarapacho e a residir em S.Brás de Alportel, Celeste Martins possui um sorriso aberto e a alegria contagiante muito próprios de quem contacta diariamente com um infinito de ouvintes à procura dessa “energia positiva.”
 
Ligada à rádio desde 1990, “comecei a minha carreira na Radio Atlântico em Olhão, onde permaneci durante 8 anos. Mais tarde aceitei uma nova proposta de trabalho na Rádio Clube do Sul, onde um ano foi suficiente para considerar uma má experiência profissional.”
 
De regresso a Olhão, à RTVA “a rádio que comportou os melhores radialistas e jornalistas de sempre com projetos maravilhosos e gente dinâmica que se começava a afirmar”, Celeste Martins foi convidada para integrar a equipa da Cidade FM recém-chegada a S. Brás de Alportel.
 
“Não aceitei a proposta porque achei que ‘não tinha pernas para andar’ e que ‘era esmola a mais para um pobre’ no meu caso.”
 
Contudo, “continuava a escrever para o Região Sul, experiência que ainda hoje guardo como magnífica e muito enriquecedora.”
 
Vivia na altura “na bonita vila de São Brás de Alportel quando me surgiu da parte da direção da São Brás FM mais um forte e aliciante convite para ingressar nos quadros da empresa a tempo inteiro. Foram 5 anos muito gratificantes.”
 
Após as experiências reunidas, “fui convidada para dirigir a Estação. O convite acarretava aquilo a que ainda hoje chamo ‘uma montanha de responsabilidades’. Ao mesmo tempo, o desafio estendia-se ao facto de ser a única mulher no meio de uma vasta equipa constituída na altura por 16 colegas todos do sexo masculino.”
 
A S.Brás FM trabalhava 24horas por dia. “Foram mais 6 anos de intenso trabalho, onde onde eu mesma testei a minha capacidade de aprender e ensinar, de produzir e vender o próprio produto: a rádio e os seus conteúdos. Foi trabalhoso, mas também uma experiência inesquecível e fabulosa.”
 
Celeste Martins recorda com tristeza o momento em que a rádio encerrou as suas portas. “Assisti de pé à queda de um grande amor. A rádio não fechou as portas devido a falência, mas por questões que envolviam os seus cooperantes e o próprio Alvará, um problema com que a empresa se debatia há anos e que acabou na solução mais dolorosa.”
 
Sem cruzar os braços ás dificuldades e ao sonho que a orienta de “dar vida e voz” ao que acredita, Celeste Martins rumou a Tavira. “Passados 2 meses estava a trabalhar na Radio Gilão onde permaneço desde 2010.”
 
Ao longo do seu percurso tem marcado presença com o seu talento e profissionalismo em concertos, festivais, festas, concursos de fado, tertúlias e espetáculos de beneficência, o que no seu todo, “são oportunidades para estar mais perto das pessoas e para viver outro tipo de experiências.”
 
Com uma particular modéstia e simplicidade, Celeste Martins afasta a ideia de ser uma referência regional, mas sim “alguém que ama o que faz e que tem muito respeito por quem a escuta.”
 
Para a radialista, “não existe um segredo para o sucesso, mas sim sermos genuínos, amar o que fazemos ter alguma dinâmica e sobretudo muito respeito e carinho por quem valoriza o nosso trabalho.”
 
Nos tempos livres gosta de ler, escrever, tocar piano e estar com os amigos.
 
Uma sonhadora por excelência, Celeste Martins afirma sem reticências: “nunca desisto de um sonho independentemente do tempo que irei levar a concretizá-lo. Pois quem desiste na verdade nunca quis. A base de tudo é acreditar.”
 
Com 25 anos de ligação à comunicação social, a locutora assegura que, “esta profissão tem-me permitido passar por vivências que vão certamente marcar a minha história de vida.”
 
O auditório, o público as entrevistas os debates políticos o conhecer de perto os ‘backstages’ dos grandes artistas, envolve uma mística muito peculiar, sobre a qual sempre me debruço depois de um trabalho, afirma a conhecida voz da Rádio Gilão.
 
Sabendo que a rádio faz parte da história de vida das pessoas também, Celeste Martins acredita que, “nos dias de hoje e para além de todos os instrumentos utilizados tecnologicamente, a rádio continua a ser indispensável na vida de muita gente. A rádio não caiu nem nunca cairá em desuso, a rádio desenvolve por si só uma ponte de mistério soberana, que nem a televisão consegue vencer.”
 
E acrescenta: “por outro lado, é prioritário percorrer uma atualização. Não podemos parar no tempo, ‘a era das rádios piratas já foi’, há que manter o ouvinte informado e validar o precioso tempo para ‘dialogar’ com quem nos escuta e da forma a que os ouvintes já se habituaram. O mistério da rádio continua a ser essencial e único.”
 
Diariamente a radialista aposta num conjunto de mensagens para oferecer ao seu auditório. “Depois é muito gratificante colher o retorno desse trabalho que, mais não é que uma entrega, uma troca de momentos que se vive durante um programa e que nos fazem aguardar até à próxima emissão. É quase indescritível a relação que se estabelece com quem está do outro lado.”
 
O público “faz-nos chegar as mais variadas e curiosas reações ao que se diz. Claro que essa é a melhor recompensa. Frases como: ‘Devem pensar que estou louco por ir a conduzir sozinho e fartar-me de rir consigo’ ou ‘Você é o antídoto para a tristeza’, ‘Não imagino os meus dias sem a sua companhia’, “são alguns exemplos desta relação curiosa que se estabelece através de um recetor de rádio.”
 
E, é com ‘estes ingredientes’ que a locutora alimenta o sonho de desejar diariamente: “Seja feliz e se puder faça alguém feliz.” A mais conhecida frase com que termina os seus programas.
 
Não resistimos perguntar: quem se esconde atrás de Celeste Martins?
 
“Uma criança de nome Coragem que sempre brinca com o sol, a lua e as estrelas. E, por vezes o palhaço que sai por de trás da cortina.”
 
 
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