siga-nos | seja fã
PUB
 

Birras: a oposição e o desafio

Imprimir Partilhar por email
13-11-2013 - 22:34
Todos os pais temem esta fase de desenvolvimento pela exigência que acarreta, pelo que, deixamos algumas estratégias para lidar com as birras.
Efectivamente, a infância é o período do desenvolvimento do ser humano em que ocorrem as mudanças mais rápidas e mais importantes que vão determinar o que vai ser o sujeito no futuro.
 
Diariamente os pais são confrontados com diferentes situações relacionadas com a educação dos seus filhos. 
 
A maior parte dessas situações são próprias do desenvolvimento da criança. Dada a sua elevada prevalência é de esperar que os pais se queixem das birras dos seus filhos e procurem aconselhar-se acerca da melhor forma de lidar com o problema.
 
É fundamental anotar que, se deve tolerar sem se demitir, vigiar sem constranger, facilitar sem deixar fazer tudo. 
 
De facto, encontrar um ponto de equilíbrio não é tarefa fácil e representa mais um desafio para os pais.
 
As birras surgem igualmente em ambos os sexos, com maior ou menor intensidade, sobretudo em crianças com idades compreendidas entre os 18 e os 48 meses, com um pico entre os 2 e os 3 anos. 
 
As birras coincidem com a altura em que a criança está a adquirir autonomia e a tentar dominar o meio ambiente. Desta forma, essas manifestações são consideradas como uma fase do desenvolvimento normal caracterizando-se por acessos de cólera em resposta à frustração.
 
Note-se que, a criança fica frustrada por não conseguir realizar aquilo a que se propõe e que, é por esse motivo que se irrita consigo mesma, no entanto, acaba por apresentar comportamentos na sua maioria inconvenientes e constrangedores para os pais e educadores.
 
As birras surgem associadas ao choro, gritos, pontapés, rigidez, extensão dos membros e do tronco. Além disso, a criança pode bater nos outros, bater com a cabeça no chão ou nas paredes, morder-se, atirar-se para o chão, espernear, fugir, atirar com objectos, suster a respiração ou desencadear o vómito.
 
Uma justificação científica para as birras é, como já foi referido, a dificuldade em lidar com a frustração devido a ter os seus mecanismos de defesa ainda pouco elaborados.
 
Neste sentido, a sua linguagem verbal é insuficiente, não tem capacidade para perceber o futuro e adiar as suas vontades e tem poucas competências para resolver problemas. Pode, assim, recorrer à birra para chamar sobre si a atenção do adulto ou, sobretudo a partir dos 3 anos quando já domina melhor a linguagem falada, como forma de obter o que quer e manipular o adulto.
 
Também o cansaço, o sono, a fome e certas situações como a refeição, a hora de deitar, as idas ao supermercado ou a falta de atenção, podem desencadear birras como forma de protesto.
 
É importante reter que, nem todos os cenários são adequados ao desenvolvimento, pelo que devem merecer uma atenção e um pedido de ajuda.
 
Assim, é de realçar:
 
Quando as birras aumentam de frequência, duração e intensidade, sendo impossível controlá-las; 
Quando a criança se magoa ou magoa os outros; 
Quando a criança destrói brinquedos ou outros objectos; 
Quando as birras ocorrem na escola; 
Quando os pais reagem com agressividade às birras dos seus filhos. 
 
Pais e filhos têm papéis distintos na hierarquia familiar, sendo esperado que cada um desempenhe o seu, ao mesmo tempo que respeita o outro.
 
Ajudar a criança a aprender e a cumprir as regras sociais faz parte do papel dos pais, sem que isso impeça o estabelecimento de uma relação de proximidade com a criança. 
 
Um ambiente familiar estruturado, onde a criança sabe que existem limites e o que esperam do seu comportamento, ao mesmo tempo que recebe carinho e compreensão facilita a aprendizagem das normas sociais e ajuda a desenvolver um sentimento de confiança.
 
As estratégias mais positivas passam pelas recompensas, os elogios e os incentivos, ao mesmo tempo que a punição moderada e as consequências são soluções para que a criança cresça com um sentido de responsabilidade e de competência.
 
Dizem os especialistas que, para que uma criança cresça inteligente, trabalhadora e feliz, necessita de conhecer os seus limites e de um estabelecimento de fronteiras claro entre quem educa e quem é educado, pois sem esta linha de separação, os mais novos não compreendem quando ultrapassam os seus limites e aquilo que lhes é autorizado.
 
É importante definir regras de acordo com os valores da família (normas e valores sociais) adaptando-as à personalidade da criança. Algumas regras podem ser mais flexíveis, outras não, como cumprir os horários das refeições e da hora de deitar. 
 
Se existem especialistas que aceitam a “palmada pedagógica” como uma forma de transmitir autoridade, outros acreditam que, o acto de bater permite à criança igualmente ser agressiva, uma vez que imita o comportamento dos pais.
 
Existem outras formas mais eficazes para os pais demonstrarem o seu desagrado, como por exemplo, deixar claro à criança que os comportamentos não desejados têm consequências, como a proibição de ver um desenho animado, dos jogos de computador, da sobremesa, entre outras coisas. 
 
É importante que não seja retirado tudo de uma vez, mas sim que cada punição implique o não acesso a uma regalia durante um tempo estabelecido pelos pais (nunca mais de um dia), sendo dada a oportunidade à criança de voltar a receber o que lhe foi retirado após o cumprimento do tempo da punição. 
 
É igualmente fundamental ser capaz de elogiar a criança, já que, não é por ter tido um comportamento menos correcto numa situação que perdeu as demais qualidades.
 
Este ponto é crucial para o desenvolvimento da auto-estima, já que educa para os valores e regras, enquanto enaltece os comportamento positivos e que devem ser reproduzidos.
 
Educar implica antecipar a presença dos problemas: os pais devem começar por compreender como e onde os comportamentos inadequados aparecem e o que os mantém presentes. Também é importante identificar os factores que os desencadeiam, como os pais actuam e como a criança reage e, posteriormente, como lidam com a reacção da criança. 
 
Ao identificar estes aspectos os pais podem alterar aquilo que não está a funcionar bem. 
 
Naturalmente, isso não acontece de um dia para o outro, sendo melhor que os pais comecem por pensar em alternativas para as situações mais prováveis de acontecer, combinando com a criança como vão agir e quais as consequências do seu comportamento.
 
Há que esclarecer que amar não significa fazer todas as vontades, os pais não devem ter receio de demonstrar à criança que não pode fazer tudo o que quer, que é necessário respeitar as outras pessoas. 
 
Os pais devem ser firmes e consistentes nas suas atitudes, para que a criança os respeite e obedeça ao que dizem.
 
Não é NÃO: a criança deve compreender que quando os pais lhe dizem que não, ela deve respeitar. Para tal, os pais tem de ser firmes e não ceder perante a birra da criança, só assim ela poderá entender que não é não.
 
A maneira mais fácil de ajudar a criança a perceber o tempo é através da sua brincadeira: “dás mais duas voltas no triciclo e depois vamos tomar banho”, caso ela não cumpra, o progenitor, deve ir buscá-la e, olhando-a nos olhos, dizer que acabou a brincadeira porque é hora do banho, para assim, evitar os gritos e os desentendimentos.
 
É de evitar os longos sermões: deve dizer-se de forma breve e firme aquilo em que a criança falhou.
 
São de evitar as ameaças, pois no “quente” da birra de nada serve esse tipo de atitude. Quando a criança se acalmar, fala-se calmamente com a garantia de que a criança está a compreender o que lhe é transmitido.
 
Caso os pais não estejam de acordo, devem discutir alternativas em conjunto, quando estiverem a sós e nunca na presença da criança, pois só assim ela compreenderá que ambos estão em sintonia.
 
Os pais devem ser firmes e consistentes, usando sempre a mesma estratégia em situações semelhantes, sem esquecer que a não consistência nas regras é um convite para o fracasso e permite que a criança obtenha aquilo que deseja mesmo quando não obedece.
 
Dependendo das situações, o melhor é ignorar a birra e sair de perto da criança. Se a birra acontece em casa, deixar a criança chorar num lugar seguro até acalmar-se pode ajudar. 
 
Quando perceberem que a criança está mais calma aos pais podem apenas perguntar se a birra já foi embora e continuar a actividade que estavam a fazer, sem sermões.
 
Quando a situação exigir, ou seja, caso a birra apresente contornos de agressão, pode ser aplicada uma punição, como por exemplo, não obter o objecto que motivou a birra. 
 
Isso permite à criança controlar-se melhor, prevendo as consequências dos seus comportamentos no futuro. Caso a birra apareça num local público, a criança deve ser retirada do centro do palco. A assistência das outras pessoas é tudo o que a birra precisa para ficar mais forte.
 
Evitar ao máximo os gritos, pois os mesmos só servem para aumentar a força da birra e ver quem “berra” mais alto!
 
De facto é preciso ter paciência, sendo que, um dos segredos é mesmo antecipar as situações que são o foco de ignição e deixar pouca margem de manobra para a criança ter esses comportamentos.
 
Se a deixar, os chorar sozinha, no primeiro dia poderá ser mais longo, mas a tendência natural é mesmo para reduzir a ponto de perder a eficácia, pois a criança compreende que não resulta.
 
O mesmo se passa com as demais situações de frustração. Para facilitar o processo de desenvolvimento, é importante ensinar a fazer de forma adequada à idade e não resolver todos os problemas pela criança, pois assim ela vai sentir-se mais confiante quando alcança os seus objectivos e compreender o que não consegue fazer numa determinada fase e adiar para mais tarde sem grandes sobressaltos.
 
 
COMENTÁRIOS
 
MAIS NOTÍCIAS
-

Quando a ansiedade nos atrapalha os planos  



-

Mindfulness:Treino e principais benefícios



-

Diferenças entre empatia e contágio emocional



-

Educação: orientar as crianças para a maturidade emocional



-

Educação: o que não se deve (de forma alguma) fazer a uma criança



PUB
 
NOTÍCIA MAIS LIDA DO MOMENTO
MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

ver mais
 
 
  
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Autárquicas:Coligação "Faro no Rumo Certo" apresentou programa eleitoral

Autárquicas:Coligação "Faro no Rumo Certo" apresentou programa eleitoral

ver mais
 
Mensagem de Pesar da ARS Algarve pelo falecimento do Dr. Larguito Claro

Mensagem de Pesar da ARS Algarve pelo falecimento do Dr. Larguito Claro

ver mais
 
MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

MAR Shopping Algarve adia data de abertura por questões de "segurança"

ver mais
 
 
 
 
Allô Pizza Escola de Condução C.C.S Loja das Taças Restaurante Os Arcos
» Sociedade» Fichas de Leitura» Desporto» Click Saúde
» Economia» Figuras da nossa Terra» Política» CX de Correio