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Afinal, a solidão é essencial ao equilíbrio!

Afinal, a solidão é essencial ao equilíbrio!
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18-09-2015 - 12:21
“A solidão é o ingrediente essencial da criatividade. Darwin fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava enfaticamente convites para festas.
 
Darwin fazia longas caminhadas pelo bosque e recusava enfaticamente convites para festas. Steve Wozniak inventou o primeiro computador Apple sentado sozinho num cubículo na Hewlett Packard, onde então trabalhava.”
 
Há quem afirme que, estar consigo mesmo “é uma oportunidade de ‘desintoxicação’ da rede social que nos envolve. Porquê?
 
A psicóloga Sílvia Díez reuniu um conjunto de argumentos de forma a mostrar a importância de estar sozinho, aproveitando ao mesmo tempo, para desdramatizar a situação, já que, no mundo agitado em que vivemos, parece que se tornou num problema necessitar desse espaço de introspeção.
 
Para esta psicóloga, não é por acaso que os casamentos não são bem sucedidos para uma larga percentagem de indivíduos, tal como o trabalho em equipa não é encarado como um contributo em todos os casos. 
 
É essencial ter em conta que,  para além de sermos seres sociais, é fundamental proteger um espaço de reserva; conquistar a individualidade que, em seu entender, “é uma expressão de liberdade e de oportunidade de afirmação daquilo que somos e sentimos.” 
 
Para esta especialista, perde-se criatividade com o excesso de convivência social, bem como se sente menos predisposição para a vida familiar, já que, “sabe muito bem ter a cama só para si, não fazer jantar, não ouvir ninguém depois de um longo dia em sociedade.”
 
Por muito que se afirme a importância de estar ligado e de viver em rede, o professor Robert Lang, da Universidade de Nevada (Las Vegas), especialista em dinâmicas sociais, afirma que, “muitos de nós acabarão por viver sozinhos em algum momento de vida porque nos casamos mais tarde, a taxa de divórcio aumenta, e as pessoas vivem mais. A prosperidade também incentiva esse estilo de vida, escolhido na maioria dos casos voluntariamente, pelo luxo que representa.”
 
Para a jornalista Maruja Torres, “É tão bom cair na cama e dormir sozinha, com pernas e braços em X. 
 
A isso acrescenta-se a comodidade de dispor do sofá, poder mudar de canal sem ter que negociar, improvisar planos sem avisar nem dar explicações, andar pela casa de qualquer maneira, comer a qualquer hora e fazer o que nos apetece…”
 
Como se fosse pouco, o sociólogo Eric Klinenberg, da Universidade de Nova York, autor do estudoGoing Solo: The Extraordinary Rise and Surprising Appeal of Living Alone, está convencido de que viver só significa, também, desfrutar de relações com mais qualidade, já que a maioria dos solteiros vê claramente que a solidão é muito melhor do que se sentir mal-acompanhado. 
 
Ainda no capítulo da solidão, há estudos que asseguram que esse isolamento facilita o desenvolvimento da empatia. Segundo Erin Cornwell, socióloga na Universidade Cornell, em Ítaca (Nova York), “as pessoas com mais de 35 anos que moram sozinhas têm maior probabilidade de sair com amigos que as que vivem uma relação.”
 
A base da criatividade e da inovação também está intimamente ligada ao isolamento social.
 
As pessoas são seres sociais, mas depois de passar o dia rodeadas de gente, de reunião em reunião, atentas às redes sociais e ao telemóvel, acabam por se sentir hiperativas e sempre ligadas aos outros de tal forma que, a solidão oferece um espaço de repouso capaz de curar e regenerar um estado de “intoxicação social”.
 
Uma das conclusões mais surpreendentes é que a solidão é fundamental para a criatividade, a inovação e para a boa liderança. Um estudo realizado em 1994 por Mihaly Csikszentmihalyi (o grande psicólogo da felicidade) comprovou que os adolescentes que não aguentam a solidão são incapazes de desenvolver o seu talento criativo.
 
Susan Cain, autora do livro Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking, defende ao extremo a riqueza criativa que surge da solidão e pede, pelo bem de todos, que se pratique a introspeção. “Sempre me disseram que eu deveria ser mais aberta, embora eu sentisse que ser introvertida não era algo negativo. Durante anos fui a bares lotados e repeti o mesmo de muitos introvertidos que tentam camuflar essa caraterística com medo das críticas, mas depressa percebi que, essa fuga de nós próprios representa uma perda de criatividade e de liderança que a nossa sociedade não pode permitir.”
 
Existe uma ideia errada de que, a produtividade e a criatividade resultam das relações com os outros, mas há limites para essa analise, já que, depois de receber essa informação, é fundamental estar só para a trabalhar e lhe dar sentido criativo, realça a mesma especialista.
 
“A solidão é importante. Para algumas pessoas, inclusive, é o ar que respiram.”
 
Cain lembra que quando estão rodeadas de gente, as pessoas se limitam a seguir as crenças dos outros, para não romper a dinâmica do grupo. A solidão, por sua vez, significa reservar-se ao pensamento próprio e original.
 
“Só quando estou sozinha me sinto totalmente livre. Reencontro-me comigo mesma e isso é agradável e reparador.É certo que, por inércia, quanto menos só se está, mais difícil é conseguir estar, no entanto, os espaços de solidão representam a única possibilidade de estar em contacto novamente consigo. É um movimento de contração necessário para recuperar o equilíbrio”, diz Mireia Darder, autora do livro Nascidas para o Prazer.
 
Para Byung-Chul Han, filósofo e autor de A Sociedade do Cansaço, “ é imperioso recuperar a nossa capacidade contemplativa para compensar a hiperatividade destrutiva.”
 
Segundo o mesmo autor, “só quando se tolera o tédio e o vácuo seremos capazes de desenvolver algo novo e de nos desintoxicarmos de um mundo cheio de estímulos e de sobrecarga informativa.”
 
Byung-Chul Han recorda as palavras de Catão:“Esquecemo-nos de que ninguém está mais ativo do que quando não faz nada, nunca está menos sozinho do que quando está consigo mesmo”.
 
Para finalizar, vale a pena perceber que é preciso ter coragem para estar sozinho num mundo exigente e sem tempo para esse sossego, por isso, anote estas dicas para desfrutar da sua própria companhia:
 
1. Estar só significa desfrutar de si mesmo. Não é verdade que só estamos bem quando estamos acompanhados.
 
2. Uma oportunidade para nos conhecermos melhor e descobrir o nosso rico mundo interior, é estarmos sozinhos.
 
3. É preciso aproveitar a solidão para ler, pintar ou praticar desporto. Faz bem estar consigo mesmo e dar oportunidade ao seu organismo de se revelar.
 
4. Escrever um diário. Ajuda a expressar sentimentos e a contemplar-se com mais conhecimento e carinho.
 
5. Como indica o psicólogo Javier Urra, com a solidão recuperamos “o gosto pelo silêncio e pelo domínio do tempo”.
 
Comece hoje a dizer “não” a muitos momentos em sociedade e desfrute do prazer de estar consigo, de estar em família e de fazer novas conquistas.
 
Reserve para si, para a sua família uma parte do seu tempo e perceba que, afinal a vida é muito mais do que essa ligação desenfriada ao mundo.
 
 
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