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“A vida somos nós que a fazemos” (parte VIII)

“A vida somos nós que a fazemos” (parte VIII)
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03-09-2014 - 22:52
Nas minhas “viagens” pelo meu próprio percurso, recordo pessoas fabulosas, cujo olhar me transmitia esperança, vontade de viver e de acreditar que nada é estático e que, tão depressa podemos estar “na mó de baixo”, como sermos projectados para um desafio melhor.
 
No mesmo percurso, reparei na quantidade de pessoas que, mesmo antes de arriscar, já estavam a criticar e a considerar que não valia a pena. 
 
Aprendi nesta dualidade de emoções e atitudes que, a ponderação deve fazer parte da nossa vida e ocupar um lugar de destaque no nosso interior, pois não podemos fazer de conta que, os problemas não existem, tal como não os podemos transformar num modelo de vida que nos iniba a acção e a crença.
 
Talvez o termo mais correcto possa ser, arriscar com moderação ou sonhar com os olhos abertos e os pés assentes na terra. 
 
Não importa a forma como cada um segue o seu percurso, mas não podemos cruzar os braços à nossa capacidade de decisão.
 
Os mesmos amigos daquele tempo, que compraram casa, que assumiram a parentalidade muito cedo e que, de repente, parece que a vida lhes retirou o tapete debaixo dos pés, felicitaram-me por não ter entrado nesse comboio que parecia tão estável e num sentido ascendente. Claro que rejeitei “os louros”, pois não arrisquei apanhar duas ou três dessas carruagens, mas também não senti as emoções da viagem!
 
 
Casar mais tarde, também tem as suas implicações, pois a cada ano que passamos connosco próprios, ficamos menos disponíveis para dividir a vida com outra pessoa. Não tenho a menor dúvida de que, alguém que se habituou a dividir a vida com alguém, terá mais dificuldades em viver sozinho. Ao mesmo tempo, quem adiou essa aprendizagem, terá de enfrentar outros egoísmos próprios de que, se acostuma a fazer tudo à sua maneira.
 
Tal como começamos esta dissertação, não existem formas correctas, decisões mais ou menos certas, existe sim, a necessidade de, a partir dos nossos próprios erros, aprendermos a construir algo novo e a valorizarmos o processo como um ensinamento que nos vai ajudar nas fases seguintes.
 
Claro que, já percebi a razão pela qual, há pessoas apaixonadas pela vida com setenta ou oitenta anos… Essas pessoas, passaram o seu tempo a reflectir acerca das suas atitudes e, a dar espaço aos seus erros, desculpando-se e compreendendo porque os cometeram. 
 
Essas pessoas (que vale sempre a pena conhecer ao longo da nossa vida), têm pena de sair do mundo, pois renovam diariamente o seu gosto pela existência, pelas suas vivências e, contam-nos a sua história com orgulho e carinho. O nosso percurso será sempre distinto, mas é importante saber como é que outras pessoas pensaram e agiram em situações semelhantes…
 
Há muitos entendidos e, eu mesmo sem o ser, concordo que, falta aos nossos jovens esse tempo para ouvir as histórias de outros tempos e de adultos. 
 
Não têm de ser bem sucedidos, têm simplesmente de nos mostrar como saíram de uma situação delicada, como reagiram, a quem recorreram, pois dessa forma, os mais jovens “ganham a sensação de que estão protegidos por alguém mais experiente” que mais não é do que o conhecimento; a prova de vida que nos mostra que nada está terminado, muito menos sabido ou esclarecido.
 
Os nossos jovens deveriam sentar-se à mesa ás refeições, estar nos convívios dos mais velhos e, mesmo que, de forma indirecta, escutar as opiniões dos outros, pois esse acto simples, pode mudar mentalidades e despertar para uma amadurecimento mais sadio; para a tal oportunidade de construir a vida a partir de nós mesmos. 
 
Se um jovem não aprende a pensar acerca de si mesmo e da vida, como pode assumi-la mais tarde? Como pode ter vontade de manifestar a sua opinião e de provar a si mesmo que não tem de imitar o passado? Se desconhece o passado, que ter, os de comparação vai ter na altura de optar? Talvez por isso tenhamos jovens mais tristes que no passado, mais vazios de afectos e menos seguros e sensíveis à sua própria vida e, alguns perdem-na antes de tempo… como se de algo sem valor se tratasse.
 
AP
 
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