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A sociedade continua a “apontar o dedo” à traição

A sociedade continua a “apontar o dedo” à traição
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25-05-2015 - 10:40
Numa sociedade moderna, onde parece que muitos valores do passado se confundem e alteram, a traição continua a ser “um alvo a punir” para a maioria das pessoas.
 
Seja porque “não é socialmente correto” trair o parceiro, seja pelas críticas dos outros ou por falhas no relacionamento, a maioria dos inquiridos num estudo realça que a traição só ocorre porque as pessoas não têm coragem de assumir que aquela relação não se encaixa na sua vida e que deveriam colocar um ponto final no tempo certo.
 
A completar esta constatação, o mesmo trabalho revela que, a probabilidade de uma pessoa trair o seu companheiro varia entre 40 a 70%, no entanto, não é possível atribuir uma razão específica para todas as traições.
 
No masculino com mais tradição, no feminino uma postura mais recente, a traição continua a não ser assumida devido ao medo da crítica social, ainda assim, não deixa de existir e não tem perdido o significado com a passagem dos tempos.
 
São muitas as causas que se escondem por detrás da necessidade de viver uma relação paralela, e nem sempre é o sexo que dá lugar a uma aventura extraconjugal. Esta é a posição da psicoterapeuta e especialista em sexualidade, Esther Perel.
 
Numa palestra no TED talks, a psicoterapeuta explicou que, muitas vezes, as pessoas que traem acreditam na monogamia e, quando isso acontece, entram em “conflito” com os seus valores.
 
Nem sempre a traição acontece pelo ato sexual ou por causa do companheiro. “Quando estamos à procura de outra pessoa, não nos estamos a afastar do nosso companheiro, mas de nós mesmos (da pessoa em que nos tornamos)”. E, muitas vezes, não estamos à procura de outra pessoa. Estamos à procura de um outro ‘eu’, apontou Perel, como destaca o Huffington Post.
 
Estes episódios podem estar associados a momentos marcantes da vida de uma pessoa, como por exemplo, a morte de um dos progenitores ou uma má notícia relacionada com a saúde.
 
“A morte e a mortalidade vivem muitas vezes na sombra de uma relação extraconjugal”, explicou a psicoterapeuta. Porque estas situações levantam questões como “Não há mais nada na vida para além disto?”, “Há mais alguma coisa na vida?” ou “Vou continuar a fazer o mesmo que fiz nos últimos 25 anos?”. Possivelmente estas questões levaram muitas pessoas a ‘pisar o risco’ na busca de um antídoto para a morte, sugere Perel.
 
Há muita vergonha associada a um caso extraconjugal. Além da traição, o casal tem que lidar com as críticas sociais. A sociedade assume que uma traição acontece porque a relação está “em crise” ou por falhas da pessoa traída.
 
Quando o casal decide dar continuidade à relação, apesar da traição, será alvo de ainda mais críticas e julgamentos. Os casos de traição são complicados e traumáticos, simplesmente porque mexem com a nossa estabilidade emocional, explica a psicoterapeuta.
 
Perel realçou ainda que estas situações podem ser uma boa oportunidade para analisar a relação: se vale a pena estarem juntos ou se foi apenas um erro de percurso. E, se decidirem ficar juntos, é necessário procurar uma maneira de fortalecer a relação, uma vez que a confiança, a base da vida a dois, ficou completamente abalada com o episódio negativo.
 
A especialista reforça a importância de compreender o que leva cada um dos cônjuges a partilharem as suas vidas, pois caso contrário, será mais fácil colocar a traição no seio do casal.
 
Esther Perel duvida que um casal feliz sinta necessidade de alimentar uma aventura fora de casa, mesmo que tenha um percurso traumático, “pois quando se sente conforto na pessoa amada, compreensão, um projeto de vida, é mais fácil perder essa necessidade e desejo de aventura fora do lar”.
 
 
 
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