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A padeira de Aljubarrota

A padeira de Aljubarrota
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14-09-2013 - 15:52
Talvez muitos algarvios desconheçam esta história que, para os investigadores é uma lenda, enquanto que para a população em geral, é uma referência notável.
 
 
Trata-se Brites de Almeida – a padeira de Aljubarrota. 
 
É de salientar que, apesar do seu aspecto físico pouco generoso, esta mulher ficou célebre na nossa história pela sua valentia e diferença, seja no contexto em geral, seja no grupo feminino. 
 
Diz quem analisou o seu retrato que, era uma mulher feia, grande, com os cabelos crespos, seis dedos em cada mão e muito, muito forte. Não se enquadrava nos típicos padrões femininos e tinha um comportamento masculino, o que se reflectiu nas profissões que teve ao longo da vida. 
 
Brites de Almeida nasceu em Faro, de família pobre e humilde e em criança preferia mais vagabundear e andar à pancada que ajudar os pais na taberna de donde estes tiravam o sustento diário. 
 
A sua força física ajudou-a ao longo da vida, uma vez que, ficou órfã aos 20 anos e teve mesmo de aprender a sobreviver. 
 
Vendeu os poucos bens que herdou dos pais e dedicou-se à vida de feirante. Conheceu muitos locais e conviveu com todo o tipo de gente. Aprendeu a manejar a espada e o pau com tal mestria que depressa alcançou fama de valente. 
 
Apesar da sua temível reputação houve um soldado que, encantado com as suas proezas, a procurou e lhe propôs casamento. Brites de Almeida não estava no entanto interessada em perder a sua independência, pelo que lhe impôs a condição de lutarem antes do casamento. Como resultado, o soldado ficou ferido de morte e Brites fugiu de barco para Castela com medo da justiça. 
 
Como nada lhe era fácil, quis o destino que o barco fosse capturado por piratas mouros e Brites foi vendida como escrava, ainda assim, com a ajuda de dois outros escravos portugueses conseguiu fugir para Portugal numa embarcação que, apanhada por uma tempestade, foi dar à praia da Ericeira. Procurada ainda pela justiça, Brites cortou os cabelos, disfarçou-se de homem e tornou-se almocreve. 
 
Um dia, cansada daquela vida, aceitou o trabalho de padeira em Aljubarrota e casou-se com um honesto lavrador que, seguramente era tão forte quanto ela. 
 
Como a sua vida de emoções fortes não parava, no dia 14 de Agosto de 1385, Brites amanheceu com os primeiros clamores da batalha de Aljubarrota e não conseguiu resistir ao apelo da sua natureza. Pegou na primeira arma que achou e juntou-se ao exército português que naquele dia derrotou o invasor castelhano. 
 
Chegando a casa cansada mas satisfeita, despertou-a um estranho ruído: dentro do forno estavam sete castelhanos escondidos. Brites pegou na sua pá de padeira e matou-os no local. Tomada de zelo nacionalista, liderou um grupo de mulheres que perseguiram os fugitivos castelhanos que ainda se escondiam pelas redondezas. 
 
Conta a história que Brites acabou os seus dias em paz junto do seu lavrador mas a memória dos seus feitos heróicos ficou para sempre como símbolo da independência de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, fazendo parte da procissão do 14 de Agosto. 
 
Em 2012, o Algarve Primeiro recupera esta força e determinação para que o povo se recorde que, homens e mulheres notáveis já fizeram a independência do nosso território. 
 
Brites de Almeida nasceu em Santa Maria de Faaron (hoje Faro), a meio do século XIV. Viveu quase sempre com os pais, gente humilde. Maria rapaz, desde pequena que gostava de resolver tudo à pancada. 
 
Ao ficar órfã, aos 20 anos, aplicou o pouco dinheiro herdado na aprendizagem do uso da espada e na compra de boas lâminas, e os seus feitos nas feiras, onde vencera muitos valentões à espadeirada, despertaram 
 
a curiosidade de um soldado alentejano. que aceitou o desafio de com ela esgrimir. Se o soldado ganhasse, Brites casar-se-ia; se perdesse, ela matá-lo-ia, e assim aconteceu. 
 
Fugiu até Faro, onde roubou um bote com a intenção de chegar a Espanha, mas uma trupe de piratas levou-a para Argel e aí a vendeu a um árabe rico; aguentou mais de um ano até convencer outros dois escravos portugueses a fugir para Portugal. 
 
Disfarçou-se de homem e seguiu para Torres Vedras, onde comprou dois machos e se transformou num almocreve. Depois de se envolver em várias contendas e provocar algumas mortes, Brites abandonou Lisboa e apanhou um barco para Valada, de onde, já vestida de mulher, acabou por ir parar a Aljubarrota. 
 
Para sobreviver, cansada e sem recursos, começou a pedir esmola à porta de um forno, despertando a atenção da padeira, que já ia avançada na idade e viu nela uns bons braços para o manejo da pá. Não se enganava a velha, que morreria antes do episódio que poria o nome de Brites de Almeida na História. 
 
Na noite de 14 de Agosto de 1385, já dona do forno, ao regressar de uma olhadela à batalha de Aljubarrota, a Padeira Pesqueira (como lhe chamavam) deparou com uns castelhanos fugitivos A corajosa algarvia levantou a pá e, diz-se, a cinco rachou-lhes a cabeça, a um outro quase o degolou, pouco antes de deixar o último com as tripas ao sol. 
 
Ao fazer 40 anos, casou-se com um lavrador rico que muito a admirava e foi mãe da «Velha de Dio», a mulher de quem se diz ter enfrentado cem mouros, conseguindo trancá-los numa casa. 
 
E nunca mais se ouviu falar de Brites de Almeida, desconhecendo-se a data da sua morte, mas a Padeira de Aljubarrota faz parte da História de Portugal. A pá foi religiosamente guardada como estandarte de Aljubarrota por muitos séculos, e uma sua réplica faz parte da procissão do 14 de Agosto. 
 
(Actualização:22.03.12)
 
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