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A máquina está a sobrepor-se ao ser humano?

A máquina está a sobrepor-se ao ser humano?
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04-12-2015 - 15:12
Será fácil desenvolver o sentido crítico com tanta dependência face ás tecnologias e às ideias dos outros?
 
À primeira vista, parece estar tudo “controlado”. Todos sabem quem são no meio deste mundo tecnológico. Todos conseguem desligar os equipamentos quando de tomar um café se trata, todos apostam na convivência presencial e optam pelo diálogo… mas será esta a realidade dos mais novos?
 
Um especialista dizia há dias num programa de televisão que, teme por estes jovens que, aos 50 anos de idade não mais saberão que ‘teclar’, isto porque é o que se aprende com mais facilidade e cada vez mais cedo. 
 
Na realidade, o tema tem motivado muita preocupação, uma vez que, as tecnologias surgiram para melhorar a qualidade de vida do homem, para facilitar o desempenho em algumas tarefas, mas em termos práticos, parece estar a substituir o próprio ser humano, por muito que se afirme a “convivência” nas redes sociais.
 
A dependência do homem moderno face aos meios tecnológicos é para Francisco Rüdiger, doutor em Sociologia, ”um objeto de crença do homem contemporâneo e, “a inibição da reflexão crítica e independente, o incentivo estrutural da nossa época à banalidade”.
 
Referindo-se mesmo a um mundo paralelo criado pela modernização, o sociológo lança o desafio: “o interessante será saber se, no futuro, haverá indivíduos capazes de estabelecer uma relação crítica e independente com as tecnologias.”
 
Em entrevista à IHU On-Line, Rüdiger faz uma análise sobre o pensamento de Marshall McLuhan, que considera “o filósofo pop” cujas ideias caíram no ostracismo.”
 
Pode-se interpretar que McLuhan acreditava na evolução das culturas a partir dos reflexos da tecnologia e tentar compreender até que ponto os novos modelos tecnológicos estão a afetar o pensamento do homem contemporâneo. 
 
Neste contexto, Francisco Rüdiger  sublinha que, “as tecnologias de informação interferem diretamente na própria linguagem, tornando-se especializadas e responsáveis pelo processamento de informação cada vez mais automática e opaca à humanidade. O resultado é uma tendência à contenção do pensamento analítico e mais elaborado, à inibição da reflexão crítica e independente, ao incentivo estrutural de nossa época à banalidade intelectual, ao pensamento fragmentado e estéril.”
 
Francisco Rüdiger clarifica que, “o homem é produto da história. A história dos últimos quatro séculos está marcada pelo avanço das tecnologias sobre todos os campos da vida. Os que chegam ao mundo são recebidos por uma ordem que se articula cada vez mais, entre outras bases, pelos seus maquinismos e aparatos. Origina-se daí, sem que ele se perceba, a dependência do homem moderno face aos meios tecnológicos.”
 
Para o investigador, “os meios tecnológicos estruturam o mundo do indivíduo deste o ato do seu nascimento, isto para não dizer que estruturam cada vez mais o próprio modo de ser humano.”
 
Francisco Rüdiger assenta na ideia de que os recursos tecnológicos são importantes e inevitáveis, o problema é a forma como estão a ser utilizados no nosso mundo. “A aldeia global significa que o mundo está interligado à escala planetária, mas o que tende a predominar pelos seus canais e vias de circulação são o pensamento provinciano, as ideias imediatas, as preocupações locais, o espírito aldeão, a mediocridade ordinária.”
 
Para o sociológico, “as redes sociais são espaços de exposição e discussão de temas fúteis”, cujas consequências se visualizam à escala global e impedem o desenvolvimento da consciência individual.”
 
A Internet carateriza-se  por ‘movimentos de muitos para muitos e imediatamente.’ Para o investigador “o essencial continua a depender do indivíduo e das oportunidades que eventualmente pode ter para fazer frente a estas situações coletivas e, a partir dos recursos que encontra nos meios de comunicação existentes, embora não só neles, constituir-se figura capaz de conduzir a própria vida de maneira mais consciente e independente.”
 
Na posição de Francisco Rüdiger, “as convergências de opinião, em sentido tecnológico, não têm, em si mesmas, efeito algum. Os efeitos que podemos tentar analisar nascem dos processos de apropriação e emprego dos recursos com elas surgidos por parte dos sujeitos.”
 
Quer isto dizer que,  “milhões de pessoas vão recorrer ao YouTube para postar vídeos idiotas e expressar o seu simplorismo. Sempre haverá, entretanto, aqueles que encontrarão neste ambiente a oportunidade de partilhar materiais audiovisuais raros e valiosos, que serão de grande auxílio para outros poucos desenvolverem ainda mais a sua formação política, moral e intelectual, por exemplo.”
 
O problema é que, “o homem está já dependente da tecnologia, por isso, o desafio que tem pela frente é lidar com aquilo que é tecnicamente configurado.”
 
O mesmo investigador remata: “daqui a alguns anos, o interessante será saber se ainda há indivíduos capazes de estabelecer uma relação crítica e independente com a tecnologia em número significativo socialmente.
 
Mas também nada impede que o fetiche tecnológico caia diante de outro irracionalismo, na medida em que este for capaz de tocar no que desperta as nossas paixões mais profundas e, por extensão, os nossos impulsos mais loucos, do ponto de vista histórico.”
 
Com mais ou menos tecnologia na sua vida, fica a reflexão!
 
 
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