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A importância de educar para o equilíbrio

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19-11-2013 - 16:06
Educar é cada vez mais uma preocupação para os pais que sentem dificuldade em saber o que é o mais correcto para os seus filhos.
 
A sociedade tem conhecido alterações profundas e se, no passado, ficar com uma criança em casa até que tivesse a idade para frequentar a escola era a escolha mais acertada, nos nossos dias, as coisas podem não ser interpretadas da mesma forma, até porque não se pode perder de vista que, os tempos actuais acarretam novas exigências.
 
Não se falava em infantários, creches, berçários e ensino pré-escolar há algumas décadas atrás, pelo que a transmissão familiar era a melhor e a única opção.
 
Presentemente sabe-se a importância da socialização e de integrar o indivíduo no sistema a que vai pertencer ao longo de toda a sua vida.
 
Somos seres sociais e, efectivamente temos de integrar o sistema de que fazemos parte.
 
A idade para que tal aconteça, é na maioria das vezes determinada pelas necessidades dos pais que, em muitas situações trabalham. 
 
Mas mesmo que assim não o seja, hoje sabe-se que, o desenvolvimento é um processo contínuo que se inicia pela "imitação" e continua por toda a vida por meio da comunicação verbal e não verbal.
 
Segundo Borsa (2007) um dos objectivos mais importantes do processo de socialização é que as crianças aprendam o que é considerado correcto no seu meio e o que se julga incorrecto; ou seja, que possam alcançar um nível elevado de conhecimento dos valores morais que regem a sua sociedade e se comporte de acordo com eles. 
 
Este processo contínuo é conseguido através da construção e interiorização dos valores.
 
Neste sentido, é fundamental dotar a criança de valores familiares que se conquistam também com o afecto, bem como de oportunidades que lhe permitem identificar-se com o meio onde está inserido.
 
Segundo Mercadante (2009), a compreensão das intenções do outro habilita o acesso a informações cruciais sobre o que o outro está fazendo ou pretende fazer, promovendo o desenvolvimento da interação social. Essa habilidade, também conhecida por teoria da mente, parece estar relacionada com a evolução e sofisticação da percepção sensorial, raciocínio espacial, da função executiva, além do pensamento consciente e na linguagem. 
 
Do ponto de vista neuroanatómico, o cérebro social caracteriza-se pelo conjunto de estruturas responsáveis pelo processamento de informações de ordem social. 
 
Ao mesmo tempo, não se pode perder de vista a importância dos primeiros vínculos, já que, é na primeira relação com a figura materna ou com um cuidador substituto que o bebé vai estabelecer o senso de confiança básica no ambiente que o rodeia. 
O bebé que recebe afecto, amor e é atendido nas suas necessidades primordiais com segurança, vai desenvolver um sentimento de confiança no ambiente. 
 
A mãe que consegue identificar as necessidades e posteriormente os estados afectivos do bebé, ajuda-o a ir reconhecendo as suas próprias sensações, impulsos e desejos.
 
Ao longo do desenvolvimento, a criança terá mais condições de compreender e ser empática em relação ao meio externo. 
 
O estabelecimento de limites precisos é fundamental para o desenvolvimento social, pois ajuda o indivíduo a perceber até onde pode ir e agir sem prejudicar e comprometer o espaço do outro, podendo assimilar melhor o que o ambiente espera dele.
 
Entretanto, a criança também necessita de uma boa dose de autonomia para explorar o ambiente e se desenvolver como pessoa que tem vontade e escolhas próprias, sentindo-se aceite em todos os aspectos da sua personalidade. 
 
Os pais e cuidadores devem ter sensibilidade para oferecer espaço para que o filho possa exercitar a sua autonomia e liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo oferecer limites e contenção externa. O equilíbrio entre a contenção e a autonomia dá segurança e orienta a criança até onde prosseguir com as suas iniciativas.
 
É na família onde exercitamos as primeiras trocas sociais e posteriormente na escola com os colegas e com figuras de autoridade, como por exemplo, o professor que se estabelecem as primeiras noções de identidade, de valores e limites.
 
A criança que entra na fase escolar com uma segurança básica diante das suas capacidades estará mais habilitada a se lançar em novos vínculos, novas trocas podendo assumir a sua individualidade no grupo.
 
A escola é o local que propicia o início da identificação da criança com alguns colegas, percebendo as semelhanças e diferenças entre as pessoas. É lá que a criança vai exercitar a sua capacidade de se expressar com os amigos e ao mesmo tempo respeitá-los na sua individualidade.
 
De todo que, esta conjugação entre a família participativa e a escola facilita o desenvolvimento equilibrado e saudável, pois uma criança que tem todas as suas vontades atendidas de imediato em casa terá dificuldade em tolerar frustrações, respeitar os desejos dos outros, não saberá esperar a sua vez e provavelmente vivenciará momentos de sofrimento e inadequação.
 
É também de realçar que, uma criança insegura poderá fazer tudo para agradar os colegas e ser aceite, o que conduz a um cenário desastroso, uma vez que, não saberá dizer “não”, muito menos afastar-se daquilo que dá sentido à sua educação e formação familiar.
 
Ao mesmo tempo, é de reter que, para ocupar os filhos, os pais investem em actividades umas após as outras sem que seja dado tempo à criança para aprender a brincar e desenvolver a sua criatividade, pelo que é de sublinhar este ponto de forma a que se entenda que, muito mais que ter uma criança muito inteligente, é essencial permitir que ela se desenvolva em várias áreas de vida em simultâneo.
 
Brincar e jogar são alicerces fundamentais para permitir que a criança se expresse e construa o seu próprio modo de conduta.
 
É através da brincadeira livre que a criança desenvolve a imitação e a aprendizagem da vida dos adultos e vive os seus conflitos emocionais.
 
Segundo Grunspun (1985), de acordo com a maneira como a criança brinca podemos fazer uma estimativa do seu nível emocional, social e até intelectual.
 
Para tal, importa recordar como se comporta a criança nas diferentes etapas de desenvolvimento para que se compreenda os seus comportamentos.
 
Antes dos 2 anos é a fase do jogo ou brinquedo solitário onde a criança explora os objectos sozinha. Do segundo para o terceiro ano de vida, a criança começa a imitar os outros na brincadeira, brinca ao lado, mas sem muita interação.
 
É no terceiro ano que a criança aprende o dar e o receber, participa em jogos de fantasia e já existe uma organização maior dos níveis da brincadeira. 
 
Nesta fase começa a reconhecer a liderança ou a lutar por ela. Só a partir dos 4 anos é que existe uma maior cooperação entre os colegas e muitas vezes meninos e meninas agrupam-se separadamente de acordo com os seus interesses. 
 
Neste momento também conseguem emprestar e compartilhar mais os brinquedos. 
 
Estes estágios podem acontecer em ritmos diferentes de acordo com a criança e os estímulos que recebe, e ocorrem paralelamente ao seu desenvolvimento cognitivo e emocional, mas os pais precisam saber que na rotina de seu filho deve existir também o tempo para a brincadeira livre; para o exercício da fantasia e da imaginação, já que esta é essencial para todo o processo. É preciso tempo para deixar a criança brincar à sua maneira; sem orientações, sem brinquedos específicos e orientadores.
 
É ainda de reter que, é nos primeiros quatro anos de vida que a criança recebe a base que a vai orientar pela vida fora, pelo que, é fundamental oferecer diversidade, qualidade afectiva, regras e autoridade, rigor e liberdade que são ingredientes que vão dar sentido à sua existência.
 
Uma pessoa saudável emocionalmente é alguém bem ajustado socialmente, é alguém que consegue estabelecer vínculos e mantê-los, ou seja, a habilidade de fazer trocas afectivas e de se relacionar adequadamente no contexto com outras pessoas, pelo que, seja qual for a idade em que a criança inicia o seu percurso escolar, o fundamental é que o faça, que se entenda a sua importância, mas também que se mantenha o papel da família em todo o processo, pois é mesmo neste equilíbrio que está a base de todo o desenvolvimento.
 
 
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