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A fofoca não se cura. Gere-se!

A fofoca não se cura. Gere-se!
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20-04-2016 - 22:25
Pode parecer exagerada a expressão, mas na realidade, a fofoca e a necessidade de falar da vida alheia é algo que sempre fará parte da essência humana, na medida em que acaba por ser uma forma de ligação aos outros, apesar de nem sempre ser positiva.
 
A interpretação que se dá ao que se ouve. a forma como se diz e o conteúdo que se transmite, é que pode variar de pessoa para pessoa. 
 
“Há quem se coloque no lugar certo para saber ‘novidades’, quem as alimente e deturpe, tal como há quem retire o essencial da informação e tenha o cuidado necessário para não alimentar histórias que podem prejudicar os outros. 
 
É tudo uma questão de estilo; uma forma de estar na vida, com a garantia de que, “uma pessoa que não alimenta fofocas, não é alvo dessas críticas, muito menos a eleita para as difundir.” Existe um critério entre fofoqueiros!” 
 
Num trabalho onde aborda os motivos que levam as pessoas a serem fofoqueiras, Paula Borowsky refere-se a essa forma de crítica como “a necessidade de comentar a vida alheia sem se preocupar com os demais.”
 
Ao mesmo tempo, o acto de falar sobre os outros, existe pelo simples facto de vivermos em sociedade e da necessidade de nos mantermos interligados.
 
De certa forma, ao fazer um comentário sobre alguém, estamos a tentar compreender a essência da própria espécie humana, como que aplicando um exercício de auto-conhecimento.
 
“Aquele que não se interessa por ninguém padece de uma sociopatia que o leva a se afastar do convívio, o que prejudica a relação interpessoal.”
 
Neste sentido, parece inevitável falar sobre os outros, a questão é a quantidade e a natureza do assunto, pois “há gente muito fofoqueira com maledicência, que prejudica os seus alvos; e há os que se divertem com fofocas inocentes.”
 
O grande mal da fofoca é a parcialidade da interpretação de quem a faz. Comentar algo sobre a vida de alguém é uma coisa, emitir um juízo de valor sobre a mesma é outra. 
 
Dizer que o chefe do escritório está a trabalhar demais e tem apresentado sinais de stress, é uma coisa; mas insinuar que ele fica no escritório porque, provavelmente, está zangado com a mulher e ainda por cima descarrega nos funcionários é outra totalmente diferente.
 
Todos sabem que, o local de trabalho é o centro da maior parte das conversas, razão pela qual se deve pensar em cada comentário com alguma prudência.
 
Também as relações de vizinhança e familiares não escapam à fofoca, tudo porque há sempre uma necessidade de relatar acontecimentos, de procurar saber mais, seja como proteção, como alimento de conversas ou como necessidade de esconder aquilo que não se quer que os outros vejam.
 
Numa publicação do site “Eu e a psicologia”, lê-se que, é extremamente raro “um indivíduo conseguir se afastar de uma história picante sobre um de seus conhecidos.” Todos sabem o quanto “é difícil manter em segredo uma notícia espectacular sobre quem quer que seja.” Ser cauteloso com a fofoca é comum, mas a atracção de estar no circuito é sedutora.
 
“Sair desse circuito é uma decisão difícil, porque a fofoca é a moeda padrão da conexão humana.”
 
Pode-se então afirmar que, seja qual for o motivo, a fofoca acompanha a história do homem.
 
Os antropólogos dizem que, a fofoca é inerente ao relacionamento humano e que pode funcionar como uma ferramenta para isolar aqueles que não alinham com o grupo.
 
Para o psicólogo Frank McAndrew já nos tempos pré-históricos, quando os seres humanos viviam em pequenos grupos, a fofoca era a habilidade social usada no entendimento das relações entre os membros do grupo, o que naturalmente facilitava a capacidade de atrair a própria espécie e satisfazer a necessidade inata de transmitir o ADN.
 
Os tempos mudaram, mas persiste a necessidade de prever acontecimentos, o que leva o indivíduo à procura de informação. Entende-se como vantajoso saber antecipadamente o que vai acontecer, ainda que nem sempre as fontes sejam credíveis!
 
Para muitos sociólogos, a fofoca constitui uma poderosa “arma social”, na medida em que, pode gerar conflitos muitas vezes difíceis de esclarecer e de solucionar.
 
Ainda assim, esse acto de instalar o caos nas relações humanas, também deve ser entendido como positivo, já que permite selecionar melhor as pessoas com quem nos relacionamos. 
 
É através da análise isenta desses comportamentos que compreendemos quem são as melhores pessoas que conhecemos e aquelas de quem nos devemos afastar.
 
Conhecidos os motivos, seremos capazes de apontar as razões pelas quais uma relação não nos interessa. Nem que seja “pela língua afiada!”
 
A fofoca é considerada universal na medida em que é um veículo de passagem de informação. 
 
A psicóloga Sarah Wert , esclarece que, ‘as pessoas tendem a gostar de quem tem algo para dizer’. Falar sobre outras pessoas é uma fonte infinita de material para conversação, o que acaba por aproximar pessoas com interesses comuns. Uma pessoa que “produza” fofocas, é seguramente um elemento valioso (e destrutivo) num grupo.
 
O psicólogo Robin Dunbar da Universidade de Liverpool afirma que “por natureza o ser humano é tagarela” sendo que, “a fofoca é a versão humana do social, ajuda os seres humanos a desenvolver relacionamentos de confiança e a fomentar laços sociais.”
 
O mesmo especialista realça que, “há maior interesse ​​em fofocas sobre as pessoas em torno da sua própria idade e, normalmente do mesmo sexo, pois a partilha desse material pode facilitar a conexão entre os afins.”
 
A fofoca é algo natural, seja no trabalho, escola ou comunidade, no entanto, é essencial eleger de forma saudável e positiva aquilo que se comenta e transmite.
 
É imperioso ter em conta que, a fofoca também pode constituir uma estratégia para promover os próprios interesses e a reputação à custa do desconforto alheio, fazendo uso de boatos. 
 
O acto de falar mal das pessoas denigre mais o autor do que a vítima, uma vez que, na maior parte das vezes suscita desconfiança e uma avaliação negativa de quem se dedica a falar mal dos outros. Mais cedo ou mais tarde, o autor é confrontado com as suas próprias histórias e o intuito de as produzir.
 
A “fofoca positiva”, refere-se a ser “um bom membro do grupo, partilhar informações com os outros sem tirar proveito próprio e com critérios.”
 
Em qualquer das situações, existe sempre uma intenção de quem promove a fofoca, seja pela fuga, pois a partir do momento que se refere à vida alheia, está a desviar o foco dos seus próprios conteúdos, havendo muita projecção nesse comportamento. 
 
Em Psicologia a projecção “é o acto de atribuir aos outros emblemas que pertencem a si próprio, ainda que seja de maneira inconsciente.”
 
Se algo no outro, incomoda ou mobiliza de alguma forma, é porque este aspecto diz respeito a alguma particularidade sua que lhe exige o confronto. No entanto, cada vez menos se confrontam os outros numa sociedade onde “ouvi dizer qualquer coisa.”
 
É por isso que se fala muito nas redes sociais e pelas costas e, pouco em presença, mas a fofoca permanece!
 
O plano negativo da fofoca está sempre associado a pessoas com pouco conhecimento de si mesmas, indivíduos com necessidade de esconder algo que os envergonha e que precisam de disfarçar com comentários pouco felizes sobre os outros e, não menos importante, sujeitos cuja necessidade de integração num grupo é de tal ordem, que reúnem tudo o que sabem e o que conseguem inventar, para serem apreciados e aceites.
 
Cabe a cada indivíduo decidir a forma como quer estar em sociedade, sabendo que conversar, relatar e discutir factos é convivência, acrescentar, criticar destrutivamente e inventar informação que prejudica alguém, é fofoca!
 
 
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