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A família (continua) a ser o porto-seguro

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13-02-2014 - 15:19
Passados alguns anos em que não se sabia muito bem para que sentido estava a evoluir o conceito de família no nosso país, a crise que se instalou no mundo, pode ter vindo a reforçar laços e o papel da mais velha instituição de todos os tempos.
 
Sem dúvidas de que é a família o principal alicerce nos bons e nos maus momentos, os especialistas na área social descrevem este momento como “um retrocesso dos adultos à casa dos pais”.
 
Se por um lado, o fenómeno é positivo porque devolve os filhos ás famílias, por outro, a forma como se está a processar o regresso inspira preocupações.
 
Note-se que, famílias estruturadas estão a conhecer um impacto de mudanças cujas consequências são imprevisíveis.
 
O desemprego, a falta de apoios sociais, o divórcio, são alguns dos pontos assinalados como motivo de regresso à casa dos pais.
 
A incapacidade de pagar as dívidas à banca, o elevado preço das rendas, a quebra nos rendimentos, explicam claramente a razão pela qual os pais, que estavam numa fase de vida estável, acabam por, de um momento para o outro, receber mais uma família nas suas casas, ou muitas vezes, um filho separado com dois ou três netos.
 
Se os pais disfarçam a situação com um sentimento de união familiar, os números mostram que, não é fácil a tarefa de sustentar tanta gente sem rendimentos, muito menos coabitar com tanta gente ao mesmo tempo.
 
É humilhante para os pais e, ainda mais para os filhos que gozavam de um estatuto de liberdade alcançado com um emprego, com a aquisição de uma casa e a construção da sua própria família.
 
Muitos pais mostram-se satisfeitos por terem mais contacto com os netos, ainda assim, desabafam que seria melhor viverem todos perto do que na mesma casa, isto sem falar no aumento substancial das despesas e no decréscimo das pensões dos mais velhos…
 
Quando os casais foram aconselhados a comprar casa e a seguir a sua vida independente dos pais, pouco ou nada se falava em resgates, dívida soberana, mercados, crise, dificuldades em manter um crédito e daí por diante, mas tiverem de aprender depressa a compreender esses e outros termos que enchem os jornais de economia todos os dias.
 
Quando se conhecem alguns casos da vida real de um T3 num qualquer ponto do país que era habitação de um casal com um filho solteiro e que, de repente passa a ser a morada de mais outro filho com a mulher e dois netos, que perderam a casa e o emprego, percebemos que, Portugal gasta apenas 1,5% do PIB em medidas de apoio familiar, contra 2,3% da média da OCDE (dados do Observatório das Políticas de Família). 
 
A realidade de muitas famílias anónimas por vergonha da sua situação, ilustra a diferença do nosso país face aos últimos três anos. Actualmente existem menos 46 342 famílias a receber o rendimento social de inserção (RSI) e 546 mil crianças perderam o direito ao abono.
 
O complemento solidário para idosos também já deixa muitos de fora. Por outro lado, a nova lei das rendas impôs montantes incomportáveis e as últimas notícias do desemprego revelaram valores acima dos 15 por cento. 
 
Neste sentido, são menos as famílias com apoios e, quando os conseguem, recebem menos. O acesso a qualquer subsídio está também muito mais dificultado. Tudo isto tem efeitos nefastos, numa altura em que as dificuldades batem à porta de quem menos se espera.
 
No plano imobiliário, só no primeiro semestre de 2013, foram devolvidas aos bancos 1 346 casas um terço destas nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sem esquecer o Algarve, onde os números de desemprego continuam a ser muito mais elevados e, a considerar que os bancos estão a recusar a entrega das casas a todo o custo. 
 
Como resultado desta inversão social, 10,3% dos adultos estão a cargo de familiares, na sequência de divórcio, perda de casa ou posto de trabalho (ou até de várias situações ao mesmo tempo). Quer isso dizer que um milhão de portugueses não tem condições para sustentar a sua independência.
 
Desta forma, adultos de duas ou três gerações estão a aprender a viver em conjunto, quando na maioria dos casos, isso nunca aconteceu para além de um ou outro fim-de-semana pontual. Em muitos casos, nem isso, pois os filhos saíram de casa quando casaram, visitavam-se e fizeram a vida com a sua nova família, acabando por ser um desafio enorme, colocar todo na mesma casa…
 
Se por um lado se volta a falar na família como a maior instituição de sempre, por outro, o recuperar do tempo por motivos tão negativos e humilhantes poderá não surtir os efeitos desejados, pois todas estas pessoas foram forçadas a dividir a casa por amor aos filhos, não por sua opção.
 
Recorde-se que, até há poucos anos atrás os mais velhos queixavam-se de solidão e isolamento pela distância dos filhos, hoje lamentam a perda da privacidade e o esforço enorme em manter uma casa com tanta gente e tão poucos recursos. Este é o reflexo de uma sociedade que prometeu tudo e que, de um momento para o outro, mudou as regras do jogo sem que ninguém estivesse preparado para fazer face a uma nova exigência.
 
Quer isto dizer que, perante a adversidade, o sistema ganha com a entreajuda, mas se os laços afetivos nunca foram bons, podem explodir relacionamentos perversos, assentes na culpa e no ressentimento, como confirma a psicóloga Maria João Fitas. Nas suas consultas, ouve frequentemente desabafos: "Não tenho vontade de tratar dele(a), mas faço-o só para não me sentir má pessoa." Estes são casos de risco, que podem culminar em maus-tratos.
 
Como já foi referido, a pobreza envergonhada continua a crescer e a esconder-se até ao dia em que já não se pode suportar “o faz de conta” e acaba por se pedir ajuda.
 
Em muitos casos, o apoio é pedido a instituições por falta de contacto com familiares ou por vergonha de regressar a casa de “mãos vazias” quando se acreditou num futuro melhor.
 
Mais ou menos conhecida, esta é a nova realidade da família portuguesa um pouco por todo o país e que tem levado a um aumento significativo da emigração por falta de alternativas.
 
Será esta uma oportunidade para que as famílias voltem a encontrar-se no percurso?
 
Será a partir daqui que se validam outros valores a partir desta união?
 
Eis as perguntas que ninguém sabe responder, apesar de, os mais românticos acreditarem que, esta união dará um novo sentido ao lado afectivo das pessoas…
 
Os mais sépticos, apresentam preocupação num modo de vida imposto pela sociedade industrial que agora não sabe dar resposta aos seus cidadãos e que pode fazer desencadear sentimentos ainda mais negativos, sobretudo se a herança familiar foi débil…
 
 
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