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A emigração portuguesa na actualidade

A emigração portuguesa na actualidade
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08-01-2015 - 16:14
Sendo o povo português um amplo exemplo de emigração ao longo das décadas, não é de admirar que as saídas do país continuem a ser uma tónica dominante dos cidadãos nacionais, ainda assim, há aspectos que se alteraram nos objectivos da emigração de hoje comparativamente com o passado, pontos esses que continuam a merecer a atenção dos especialistas e que vale a pena conhecer, sobretudo se está a pensar procurar um novo país de acolhimento.
 
De acordo com a posição dos emigrantes da actualidade, maioritariamente adultos jovens, com idades entre os 25 e os 40 anos, a necessidade de sair do país prende-se essencialmente com a falta de oportunidades de emprego e de manutenção da vida diária. 
 
Se também há quem saia do país em busca de bolsas de estudo mais atractivas, de novos conhecimentos, também são muitos os casos de emigrantes na procura de uma progressão mais rápida nas suas carreiras profissionais, bem como vencimentos mais compatíveis com a função desempenhada.
 
Enquanto que, até à década de 70 do século XX, a emigração se baseava na procura de um futuro melhor para a família, na capacidade de sustento e na partida do cabeça de casal ou chefe de família e, só depois a restante família ponderava a nova vida noutro país, nos tempos actuais, as principais razões da saída de Portugal assentam na sensação de injustiça face à relação trabalho-remuneração, mas também à incapacidade de manter a qualidade de vida adquirida até então. 
 
As dificuldades em manter o pagamento da habitação com crédito contraído à banca, a incapacidade em fazer face ás despesas diárias, tem «ditado a sorte» de muitos adultos jovens que saem do país na procura de novas oportunidades. 
 
Na primeira linha está também o desemprego com que muitas famílias se confrontam e uma maior dependência de outros familiares ou associações de solidariedade. 
 
A mudança de emprego também pesa nas escolhas, bem como a possibilidade de auferir mais rendimentos mensais que possam melhorar a qualidade de vida. 
 
Um outro ponto que é muito considerado pelos actuais emigrantes é a preocupação face ao futuro dos filhos num país cuja austeridade vai cortando os benefícios e os apoios ás famílias.
 
Para os entendidos, a emigração da actualidade «é efectuada de forma muito consciente», os interessados sabem o que procuram noutro país e assumem a responsabilidade da escolha e da partida tendo em conta essa ponderação». 
 
Os novos emigrantes são pessoas com formação académica, seja ela média ou superior, reconhecem o seu valor, talento e estudam possibilidades.
 
Hoje parece não existir a anterior preocupação de sair de Portugal e de ter de deixar os filhos no país de acolhimento aquando o regresso, já que, muitos emigrantes não equacionam o retorno ao seu país natal como anteriormente. 
 
Deixam o país com a sensação de que têm mesmo de procurar uma solução de vida noutro destino. Muitos acabaram por ter de se desfazer dos seus bens para escrever uma nova página de vida e, fazem-no sem olhar para trás. Saem de Portugal com a sensação de que a saudade se ultrapassa com as novas tecnologias e que, a nova vida lhes vai permitir manter visitas regulares aos familiares e amigos.
 
Se a Europa já foi o principal destino de preferência dos portugueses, neste momento, a crise da zona euro tem feito alargar as escolhas para países bem mais longínquos, onde o sonho de uma vida melhor se ilustra num vencimento aceitável e bem acima da média em Portugal, bem como a esperança de que, a mão-de-obra nacional é bem acolhida em todo o mundo.
 
Segundo os testemunhos, os portugueses são bem acolhidos em qualquer ponto do globo devido mesmo a essa tradição de povo trabalhador, empenhado, responsável e ordeiro, razão pela qual os novos emigrantes têm uma meia parte da tarefa facilitada no que se refere à integração numa cultura nova.
 
Com mais ou menos revolta pela impossibilidade do seu país lhes poder oferecer melhor, muitos emigrantes concentram-se no novo desafio e vão à luta de forma corajosa, bem formada e, na maioria dos casos, com conhecimentos mínimos da língua do país de destino.
 
Melhor preparados, mais conscientes e talvez menos «agarrados» ao seu país, os novos emigrantes acreditam que, na era actual se vive em qualquer local do mundo onde haja condições e se possa ser feliz, razão pela qual, a família está quase sempre incluída na partida. 
 
Todos sabem que a maior dificuldade dos que precisam de partir é deixar o parceiro e os filhos, por isso, nas primeiras ponderações acerca da emigração, a família nuclear (pais e filhos) é tida como o alicerce e o objectivo central para suportar «os momentos mais difíceis».
 
Na actualidade não se sai tanto do país por qualquer tipo de ideologia, muito menos por razões políticas como no passado recente em que o regime não permitia «atentados»» à sua autoridade. 
 
Também não é a religião que promove a emigração, mas sim a necessidade de sustento e de acreditar num futuro melhor, ou pelo menos diferente, «onde exista esperança», clarificam muitos dos actuais emigrantes sem a «lágrima no canto do olho» e com um diploma na pasta ou uma mente cheia de planos para iniciar uma profissão ou a procura de novas competências, preferencialmente valorizadas em conformidade com o esforço.
 
A própria facilidade nas deslocações que, contrasta com as intermináveis viagens do passado, é «meio caminho andado» para agarrar um novo sonho. 
 
«Também as novas tecnologias que permitem por exemplo, um jantar em família, mesmo à distância» acabam por ser um alento para quem decidiu fazer as malas rumo ao novo sonho.
 
Os novos emigrantes procuram sair de forma cautelosa, procuram cidades seguras para viver e, preferem locais onde existam portugueses e, preferencialmente conhecidos. 
 
Vão preparados para iniciar uma vida social com a comunidade onde se vão inserir e acreditam que, no novo país terão de viver de forma semelhante à que tinham em Portugal, sob pena de cultivarem o isolamento e a depressão, como acontece em alguns casos.
 
Os emigrantes portugueses participam na vida associativa das cidades, mantêm relações de amizade e de convivência com outras pessoas, planeiam passeios e festas e dão oportunidade aos filhos de se integrarem tal qual faziam no seu país natal. 
 
Talvez por esse motivo, o regresso a Portugal não faça (tanto) parte dos planos de quem saiu com quase tudo na bagagem e está disponível para começar uma vida do zero. 
 
Este facto contrasta com o passado, em que se saía com a sensação de que o regresso teria de acontecer num prazo mais ou menos estabelecido. 
 
Quem saía por perseguição de alguma forma, sentia que tinha de passar esse tempo o mais rápido possível. Hoje, quem sai por opção, procura viver num novo lugar e, só pondera o regresso se assim for necessário por algum motivo.
 
AP
 
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